A Perspectiva Atual do Marketing Mix
Por Julio Cesar S. Santos
11/01/2012
O Que Significa os Quatro C’s? Quais São as
Críticas ao Marketing Mix? Como Obter Uma Vantagem Competitiva Sustentável?
Algumas décadas atrás estudiosos de marketing identificaram algumas
atividades empresariais que poderiam influenciar o comportamento dos
consumidores de seus produtos. Neil Borden (da Universidade de Harvard)
sugeriu que essas atividades se denominassem “mix de marketing” e que elas
deveriam ser planejadas para obter o máximo de impacto e lucro.
Na década de 60, outro professor (Jerome Mc Carthy) propôs que o mix de
marketing consistisse em quatro (4) P’s – Produto, Preço, Ponto e Promoção.
A estrutura dos quatro P’s impõe que as empresas decidam sobre o produto – e
suas características –, definam o preço praticado, decidam como distribuí-lo
e selecionem métodos para promovê-lo.
Outros estudiosos de marketing acreditam que essa estrutura de quatro P’s
comete o pecado de não enfatizar certas atividades importantes como os
serviços, o atendimento, as embalagens e a venda pessoal, por exemplo.
A questão não é se deveriam haver quatro, seis ou mais P’s, mas sim qual
seria a estrutura mais adequada para projetar a estratégia de marketing de
um produto – ou serviço.
Existe uma crítica a qual divulga a idéia de que os quatro P’s enxergam o
mercado sob o ponto de vista do vendedor e não do comprador. Para esses
críticos os quatro P’s poderiam ser descritos sob o ponto de vista do
comprador como “os quatro C’s”: (a) valor para o Cliente; (b) menor Custo;
(c) Conveniência; (d) Comunicação.
Dessa forma, enquanto os marketeiros se vêem como vendedores de um produto,
os consumidores se enxergam como compradores de um valor ou como compradores
de uma solução de problemas. Estão mais interessados no custo total de
obtenção do que apenas em preço. Eles exigem que o produto (ou serviço)
esteja disponível da forma mais conveniente possível e, além disso, os
consumidores não desejam promoção – eles querem comunicação bidirecional.
Sendo assim, os profissionais de marketing devem pensar primeiramente em
atender aos quatro C’s e, em seguida, utilizá-los como plataforma para o
desenvolvimento dos quatro P’s. Diante disso, examinaremos abaixo cada um
dos P’s:
A) Produto: O principal objetivo de uma empresa é oferecer ao seu
público-alvo produtos (ou serviços) diferenciados, embora possam variar
quanto ao grau de diferenciação. De um lado temos as commodities (como os
hortifrutigranjeiros) e os produtos altamente diferenciáveis em termos
físicos (veículos, por exemplo). O desafio está em criar uma diferenciação
relevante e singular, as quais podem se basear em diferenças físicas, de
disponibilidade, diferenças de serviços, de preços ou de imagem. Porém,
qualquer diferenciação bem sucedida poderá ser imitada e, quando os
imitadores lançam versões mais baratas, passam a exercer pressão sobre o
pioneiro, o qual tem três alternativas:
• Baixar os preços para proteger seu marketing share e se conformar com
margens de lucros menores.
• Manter o preço e correr o risco de perder seu marketing share e lucros.
• Encontrar uma nova base para diferenciar seu produto e manter o preço.
OBSERVAÇÂO: A 3ª opção nos parece mais adequada, embora a empresa deva
buscar constantemente uma vantagem competitiva mais sustentável e duradoura.
B) Preço: O preço difere dos outros três elementos do Marketing Mix, porque
ele gera receitas e os outros geram custos e, conseqüentemente, as empresas
tentam elevar o preço de seus produtos até onde a diferenciação permitir. Ao
definir preços para seus produtos algumas organizações acrescentam um markup
(margem de lucro bruta) aos seus custos, embora muitas empresas já componham
seus preços baseados exclusivamente “em valor”. Ou seja, elas estimam o
valor máximo que o consumidor pagaria pelo seu produto (ou serviço) e cobram
um pouco menos (preço de valor), a fim de dar a impressão aos consumidores
que eles levaram vantagem.
C) Ponto: Cada fornecedor deve decidir como tornar seus produtos disponíveis
no mercado e, nesse cenário, deverá optar entre vender diretamente aos
consumidores ou através de intermediários. No mundo moderno as pessoas estão
sendo pressionadas pela falta de tempo e, em função disso, aumentam as
compras via internet em detrimento daquelas feitas nas lojas.
Sendo assim, o grande desafio dos varejistas é trazer os consumidores de
volta às suas lojas e, nesse sentido, os varejistas criativos devem se
engajar na melhoria da experiência de compra dos consumidores e acrescentar
divertimentos, shows ou outras atrações para tentar mantê-los.
D) Promoção: O quarto “P” cobre todas aquelas ferramentas de comunicação que
levam uma mensagem aos consumidores (Propaganda, Publicidade, Promoção de
Vendas, Merchandising, Relações Públicas e Venda). A Propaganda é a
ferramenta mais poderosa na promoção da conscientização de consumidores
sobre uma organização, um produto, um serviço ou uma idéia.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 / www.profigestao.blogspot.com