Persuadir, Convencer ou Influenciar o Cliente?
Por Diego Berro
13/01/2012
Embora para a maioria das pessoas persuadir, convencer e influenciar sejam
sinônimos, há uma significativa diferença entre seus objetivos.
Persuadir
Temos a impressão de que a palavra persuasão é um termo novo, relacionado à
comunicação, aos negócios e as vendas. No entanto, a persuasão se remete aos
primórdios da mitologia grega (relacionado à deusa Peithô). Persuadir era
sinônimo de discurso convincente e persuasivo.
A palavra persuadir vem do Latim “Persuadere”, que segundo o Dicionário
Michaelis, significa “levar a crer ou a aceitar; aconselhar, induzir”.
O vendedor que busca persuadir o cliente, esta muito mais preocupado em
fazê-lo aceitar suas idéias do que entender quais são suas reais
necessidades para satisfazê-las.
Segundo Marcus Tullius Cícero, considerado o maior dos oradores e pensadores
políticos romanos da história, persuadir compreende a "Tria Officia", gênero
de três espécies ou modos de persuadir: comover (afetiva), agradar
(estética) e convencer (lógica).
Comover estaria relacionado à persuasão através do coração, na qual se
persuade mais pela excitação e emoção e menos pelo intelecto.
Agradar é persuadir pelo domínio afetivo, inspirar satisfação ao ser
agradável.
No entanto, gostaria de me deter mais profundamente no significado da
palavra “Convencer”.
Convencer
Segundo o Dicionário Michaelis, convencer procede do Latim “Convincere” que
significa “persuadir com argumentos, razões ou fatos, apresentando provas ou
argumentos”, ou ainda “vencer completamente”. Tecnicamente convencer é
persuadir por meio de provas lógicas: indutivas (exemplos) ou dedutivas
(argumentos). Está ligada, portanto, ao domínio intelectual, a capacidade do
vendedor ganhar do cliente em argumentos.
Neste sentido, denota-se a idéia de que o vendedor está em plena guerra com
seu cliente, disputando uma batalha para saber quem vence o duelo, se o
vendedor convence (vence em argumentos) o cliente a comprar, ou o cliente
vence o vendedor com suas objeções.
Você pode até convencer seu cliente a comprar, mas se o cliente adquirir
algo que ele não necessitada ou que não atenda suas reais expectativas,
certamente o cliente vai se sentir manipulado e não comprará novamente de
você ou de sua empresa. Ou seja, seu esforço em convencer o cliente pode
gerar um aparente lucro, mas que no fundo representará um grande prejuízo a
médio prazo à você e sua empresa.
Portanto, para obter resultados superiores em vendas é preciso influenciar
positivamente seu cliente.
Influenciar
A persuasão está relacionada à tentativa de manipular as atitudes ou crenças
do cliente, enquanto a influência está relacionada ao processo de mudança
comportamental do cliente de forma espontânea e natural.
A diferença entre influência e manipulação, está justamente no contraponto
entre ajudar o cliente a conquistar seu objetivo (influência) ou induzir o
cliente a comprar algo que não necessitava/desejava (manipulação).
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “influência” vem do Latim
medieval “influentia”, palavra que servia para designar como os astros
afetavam o comportamento das pessoas.
De acordo com o Dicionário Michaelis, influenciar significa “ter ou exercer
influência sobre”. Influência é o poder ou ação que alguém exerce sobre
outro ou sobre certos fatos ou negócios e está ligada ao prestígio, poder ou
ação desencadeada através da autoridade moral.
A influência, portanto, é uma habilidade que pode ser desenvolvida.
Portanto, venda mais influenciando positivamente seu cliente, através de uma
postura profissional que transmita confiança e segurança. Mantenha o foco de
suas energias e esforços em identificar e satisfazer as necessidades do
cliente que certamente seus resultados em vendas serão superiores e o mais
importante: sustentáveis.
E você, tem buscado persuadir, convencer ou influenciar seus clientes? Pense
nisso!
Boas vendas e até a próxima.
Diego Berro é palestrante de vendas. Co-autor dos livros: “Os 30 + em
Motivação no Brasil” e “Ser Mais em Vendas”. Graduação em Gestão Empresarial
pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação
Getúlio Vargas. Formação Profissional de Nível Tecnológico em RH e Marketing
pela FGV-RJ. Máster Practitioner em Programação Neurolinguística. Ministra
palestras, workshops e treinamentos de vendas, realizando convenções de
vendas e treinamentos in-company em todo Brasil.
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