A persuasão é provavelmente
a habilidade mais importante
para um profissional se
destacar no meio social em
que vive. Palavra pouco
utilizada no dia a dia, e
conceito raramente difundido
na literatura, a persuasão
tem um poder incalculável, e
pode ser utilizada tanto
para realizações nobres,
como para enganar as
pessoas. Profissionais como
médicos, advogados,
engenheiros, sacerdotes e
políticos, entre outros,
podem utilizá-la para
influenciar positivamente
seus pacientes, clientes e
seguidores, assim como
vigaristas, maus políticos e
comerciantes inescrupulosos
utilizam-na regularmente
para ludibriar pessoas de
boa fé.
A origem da palavra
persuasão, vem do latim, “persuadere”,
que significa aconselhar, ou
numa tradução livre,
“aconselhar alguém até que
este concorde em fazer o que
queremos”. Muitos confundem
persuadir com convencer. São
conceitos bem diferentes.
Enquanto convencer é
derivado da palavra
“vencer”, e significa que o
convencido foi, antes de
tudo, “vencido” pela
argumentação oposta,
persuadir, ao contrário,
significa aconselhar,
levando uma pessoa a
realizar alguma ação,
através de um conselho.
Uma pessoa pode estar
convencida da importância de
realizar alguma atividade,
e, no entanto, não fazer
nada a respeito. O médico
pode convencer o paciente da
necessidade de parar de
fumar, de fazer exercícios
regularmente ou de cumprir
uma dieta para melhorar a
sua saúde. Entretanto, de
nada valerão todos os
argumentos apresentados, a
pessoa só realizará estas
ações se for persuadida a
fazê-lo.
Muitos pais passam anos e
anos tentando, inutilmente,
convencer seus filhos a
estudarem, ou a cumprirem
outras obrigações que são
importantes para o futuro
deles, utilizando técnicas
de convencimento, quando
poderiam obter melhores
resultados utilizando as
técnicas da persuasão. .
Como dissemos, a persuasão é
uma técnica que pode ser
aprendida através de
treinamento, por qualquer
pessoa e por profissionais
das mais diversas áreas da
atividade econômica. Assim,
podemos afirmar que a
persuasão é uma ciência,
pois seus conceitos
acompanham uma lógica, têm
uma estrutura e, portanto,
pode ser desenvolvida por
qualquer pessoa. Na verdade
praticamente todas as
pessoas já têm alguma
capacidade de persuasão.
Utilizamo-na diariamente
para conseguir algo daqueles
com quem convivemos. Claro
que alguns têm esta
habilidade inata muito mais
desenvolvida que outros.
Ao contrario do
convencimento, da imposição
pela autoridade ou pela
força física, a persuasão
lida com a vontade das
pessoas. Ela se estabelece
através da uma comunicação
suave e elegante. A pessoa
persuadida age de acordo com
a vontade do persuasor,
mesmo que seu intelecto não
esteja convencido da verdade
sobre o assunto. Por isto, a
persuasão é uma arma tão
poderosa e ao mesmo tempo
perigosa. Quem não conhece
inúmeros exemplos de
políticos que, mesmo sendo
reconhecidamente corruptos,
ainda assim vencem eleições
sobre candidatos íntegros e
honestos?
Mas também podemos dizer que
a persuasão tem um lado
artístico, pois quando
aprendemos a utilizá-la de
maneira natural, graciosa e
inconscientemente, sem mesmo
pensarmos que estamos
persuadindo alguém, ela se
torna uma arte. Todos nós
conhecemos inúmeros exemplos
de comerciantes, vendedores,
líderes religiosos,
políticos e, porque não
dizer, vigaristas, que tem
uma “lábia”, muito eficaz.
São pessoas que possuem uma
comunicação poderosa que
envolve os interlocutores
com seus “conselhos”, e
acabam conseguindo do outro
exatamente o que eles
querem.
O velho golpe do “bilhete
premiado”, que é aplicado
por vigaristas há décadas
até os dias de hoje, é um
exemplo do poder nefasto da
persuasão. Mas também
podemos citar inúmeros casos
de artistas famosos, lideres
religiosos, políticos bem
intencionados, empresários
de sucesso que com seu poder
de persuasão conseguem
motivar as pessoas e fazem
surgir uma grande energia
humana para realizarem
feitos e superar
dificuldades em momentos
difíceis.
Um médico ou psicólogo, por
exemplo, pode utilizar o
poder da persuasão para
estimular um paciente a
superar uma doença grave,
como apoio ao tratamento de
saúde. O diretor de uma
empresa pode utilizar a
persuasão junto aos
funcionários pára melhorar a
produtividade de sua
fabrica. Praticamente em
qualquer atividade humana,
pode-se usar a persuasão de
maneira útil e benéfica.
Alguns profissionais como
Vendedores, líderes
religiosos e políticos
utilizam a persuasão como
sua principal ferramenta de
trabalho. Precisam
constantemente persuadir as
pessoas para realizar suas
atividades. No entanto, em
nossa atividade diária, e
também na vida particular,
sempre que precisarmos nos
comunicar estarem diante da
necessidade de persuadir
alguém a realizar ações ou a
aprovar nossos pontos de
vista, portanto a persuasão
é uma necessidade
fundamental para todos os
seres humanos.
Ao contrario do
convencimento, da imposição
pela autoridade ou pela
força física, a persuasão
lida com a vontade das
pessoas. Ele se estabelece
através da uma comunicação
suave e elegante. A pessoas
pessoa persuadida, age de
acordo com a vontade do
persuasor, mesmo que sua
inteligência não esteja
convencida da verdade sobre
o assunto. Por isto, a
persuasão é uma arma tão
poderosa e ao mesmo tempo
perigosa. Quem não conhece
inúmeros exemplos de
políticos que, mesmo sendo
reconhecidamente corruptos,
ainda assim vencem eleições
sobre candidatos íntegros e
honestos?
O presente trabalho tem como
objetivo suprir uma grande
lacuna que existe na
literatura e nos currículos
escolares, para possibilitar
a aprendizagem desta matéria
tão imprescindível para a
maioria das pessoas, tanto
na sua vida pessoal quanto
em seu trabalho
profissional.
Os principais tópicos que
abordaremos serão o
seguinte:
* Planejamento da persuasão
* Comunicação verbal e não
verbal
* Empatia
* Principais tipos de
ouvintes
* Como lidar com o lado
racional, o aspecto
emocional e a vontade do ser
humano.
* Os principais motivos que
levam as pessoas a agirem
* As regras de ouro das
relações humanas: saber
ouvir, elogiar, evitar
critica e interessar-se pelo
outro.
* A eloqüência
Os maiores persuasores são,
antes de tudo, grandes
conhecedores da alma humana.
São pessoas que conseguem
fazer uma “leitura” do que
se passa na alma daqueles a
quem vão persuadir, e lhes
mostram exatamente como
conseguir realizar o seu
desejo, fazendo o que o
persuasor está pedindo.
Getúlio Vargas, nosso
inesquecível presidente, era
um mestre na arte de
persuadir. Existem varias
histórias a respeito do
ex-presidente, mostrando sua
arte de persuadir as
pessoas.
Numa destas historias,
conta-se que certa vez
Getulio teve de resolver uma
contenda entre dois
comerciantes. O combinado
foi que o presidente
decidiria quem tinha razão
em relação à disputa, e os
dois aceitariam o resultado
sem, questionar. O
ex-presidente, habilidoso
que era, resolve receber os
adversários separadamente. O
primeiro comerciante entrou
e lhe contou o caso,
apresentando suas razões. O
presidente ouviu atentamente
a argumentação, ponderou
algumas questões e, ao final
disse-lhe: “O senhor TEM
RAZÃO”. O comerciante saiu
todo feliz da audiência,
satisfeito com a resposta de
Getúlio e, na passagem,
ainda desdenhou do
adversário.
O segundo comerciante,
preocupado com a atitude de
seu desafeto, entra e expõe
também seu caso. Ao final,
pergunta ao presidente quem
tinha razão. Getúlio,
pensativo, observa-o com
seriedade durante longos
minutos e finalmente diz: “O
senhor tem TODA RAZÃO!”. O
segundo comerciante também
sai todo feliz da audiência.
Estarrecida com a situação,
dona Darcy Vargas, esposa do
presidente, que a tudo
assistira não se conteve e
questionou: “Getúlio, acho
que não está absolutamente
correto o que você acabou de
fazer. Isto não é atitude de
um presidente, pois você deu
razão a um comerciante que
lhe contou uma história de
um jeito, e em seguida
também deu razão ao outro
comerciante que lhe contou
uma historia oposta”.
Getúlio observa as
ponderações de sua esposa
atentamente, considera
seriamente o que ela falou e
lhe responde com convicção:
“Darcy, você TEM RAZÃO”.
Getúlio era um mestre da
persuasão, e conhecia
profundamente a natureza
humana. Ele sabia que era
inútil criticar e
contradizer aos outros,
portanto prestava bastante
atenção às pessoas,
interessava-se pelos seus
problemas, procurava dar
razão a todos e, no final,
as pessoas faziam o que ele
queria.
Esta historieta foi contada
no livro “Como Persuadir,
Falando”, do advogado
Modesto Marque Oliveira,
(Edições de Ouro, 1979), que
nos inspirou em vários
conceitos abordados neste
trabalho. Também buscamos
muitas idéias no livro “Como
Fazer Amigos e Influenciar
Pessoas” de Dale Carnegie
(Companhia Editora Nacional,
1981), e na literatura sobre
programação neurolingüistica
(PNL), particularmente no
livro “Sapos em Príncipes”
de Richard Bandler e John
Grinder ( Editora Summus,
1982).
A persuasão é um conceito e
uma forma específica de
comunicação. Mas também pode
ser entendida como uma
ferramenta que nos
possibilita realizar
determinadas tarefas. Se
pretendermos motivar pessoas
a executarem ações de bom
grado e entusiasticamente,
ela é a ferramenta mais
eficaz, pois apenas
convencer as pessoas da
importância e da necessidade
destas ações não é
suficiente para
estimulá-las. E preciso
persuadi-las.
Portanto gostaríamos de
convidar todos a mergulharem
no aprendizado da persuasão
como forma de melhora a
comunicação e o
relacionamento interpessoal,
e conseguir maior cooperação
e motivação das pessoas no
trabalho e na vida
cotidiana. Além da uma maior
satisfação pessoal a
persuasão proporcionará um
crescimento profissional por
tornar nosso trabalho em
equipe mais produtivo.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

