As Pessoas Desmotivadas no Atendimento ao Público
Por Rogerio Martins
31/01/2011
Você já reparou quantas pessoas desmotivadas, desanimadas ou com má vontade
estão diretamente atendendo o público? Eu reparo isso todos os dias. Parte
porque é meu trabalho (ministro treinamento sobre atendimento ao público), mas
outra parte porque é tão desagradável ser atendido por pessoas assim que não há
como passar em branco.
Estas pessoas estão em todos os lugares: farmácia, supermercado, lotérica, posto
de gasolina, repartição pública, cartório, hospital, portaria de prédio
residencial e comercial, escolas e faculdades, bares e restaurantes e por aí
vai. Parece que há uma legião de pessoas que mais parecem zumbis daqueles filmes
de mortos vivos. Exagero? Ah, não mesmo. Preste atenção que você vai reparar o
quanto elas estão presentes nos mais diversos serviços, atividades comerciais e
outras do cotidiano (já relatei aqui uma situação ocorrida comigo com um
funcionário de estacionamento particular).
Estas pessoas são remuneradas para realizar sua atividade e o mínimo que
poderiam fazer é agir com cordialidade. Ninguém está fazendo um favor a elas. Se
sorrir pode ser um ato muito complicado para algumas delas, ao menos poderiam
ser educadas dizendo "bom dia". Se não gostam do que fazem é só procurar outra
atividade. Certamente ninguém as obrigou a fazer o que fazem.
Conversando com uma pessoa amiga ela contou a experiência que passou em um
supermercado onde a moça do caixa fez a mesma pergunta três vezes sem se dar
conta do que estava perguntando, ou a resposta do cliente: "cpf na nota? recarga
no celular?". Credo, até parece um mantra do mal! Tudo automático. Sem emoção.
Apenas repetição de palavras sem nexo, gravadas e repetidas sem prestar atenção
ao que fala e o que ouve. Se você responde de forma mais enfática que já disse a
resposta a estas questões "tão cruciais" a pessoas acha você grosseiro.
Pois é... infelizmente as empresas continuam investindo maciçamente em
marketing, propaganda, publicidade, mas ainda esquecem que na hora do olho no
olho com o cliente falta o essencial: respeito, calor humano, motivação, vontade
de atender, atenção.
É tão bom quando somos atendidos por uma pessoa que gosta do que faz. Felizmente
há bastante gente assim. Gente que se orgulha do trabalho que faz. Que é feliz e
transmite esta felicidade no atendimento. Dá vontade comprar mais, de voltar
outras vezes para ser atendido pela mesma pessoa. Acabamos até recomendando para
amigos, parentes e outras pessoas. Quando uma pessoa assim sai da empresa é
comum uma parte dos clientes migrarem para a empresa onde esta pessoa foi
trabalhar.
Pode ter certeza que pessoas assim progridem. Crescem profissionalmente e, em
muitos casos, acabam ocupando novos cargos - em geral de liderança.
Consequentemente se afastam do atendimento direto ao cliente, o que é um
desperdício para o público, mas uma recompensa pela disposição, interesse e
carinho que sempre demonstraram por quem está do outro lado.
Se você é profissional que atende o público lembre-se que você também é cliente
em muitas situações. Trate os demais como gostaria de ser tratado. Isso faz toda
diferença.
Se você é gerente, proprietário ou empresário lembre-se que a alma de qualquer
negócio está no tratamento dispensado ao cliente. Por isso, treine, prepare e
trate as pessoas que atuam no atendimento direto ao cliente com a mesma atenção
que dispensa para suas estratégias comerciais relacionadas ao marketing, a
publicidade de seu negócio. Os resultados virão no curto prazo e perdurarão.
Se você é o cliente que diariamente enfrenta bons e maus atendentes lembre-se de
fazer sua parte nesta relação e ofereça sua parcela de atenção e respeito. O
atendimento é uma via de mão dupla.
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Rogerio Martins é Psicólogo, Consultor de Empresas e Palestrante. Especialista em Liderança e Motivação. Sócio-Diretor da Persona Consultoria e Eventos. Autor do livro Reflexões do Mundo Corporativo. Membro do Rotary Club de SP Santana (Distrito 4.430).