Por que vivemos o paradoxo da farta informação e baixa qualificação?
Por Ivan Postigo
29/08/2010
Alguém se lembra como era o mundo antes da internet? Interessante, parece que
ela sempre existiu!
Você, utilizando a rede com assiduidade e intensidade, não é capaz de imaginar
que esse extraordinário recurso está ai há tão pouco tempo e ocupou a vida das
pessoas definitivamente.
Das pesquisas escolares às cientificas, tudo passa por consultas à rede.
Realmente um novo ambiente, um novo mundo, e virtual. Terceira, quarta, quinta,
que dimensão é esta?
Há alguns anos, a informação passava pela aquisição de livros, apostilas e as
fotocópias, tão combatidas, além das aulas. Hoje a disponibilidade é fácil e
farta. Cresceu em escala geométrica.
Quando você se interessa por algum assunto precisa telefonar para alguém, ir às
bibliotecas, pedir material emprestado? Talvez algo específico, recomendado.
Para uma primeira abordagem e contato com o assunto basta entrar na rede e fazer
uma pesquisa. Encontrará não só informações como opiniões.
Paralelo a esse fato, denominado internet, as pessoas tem mais acesso a cursos
técnicos e faculdades. Reúna os dois e estará possibilitando, a estas, condições
de uma preparação profissional mais adequada, pelo menos no sentido do
aculturamento.
Perícia, destreza, habilidade, capacidade de aplicação dependem de exercício.
É importante separar os conceitos de educação e treinamento. Educação engloba
ensinar e aprender e treinamento o desenvolvimento de habilidades pela
repetição. Posso perfeitamente saber tudo sobre música, sem que tenha habilidade
para tocar um instrumento por não praticá-lo.
Os jovens hoje são mais esclarecidos e desinibidos que os de algumas décadas e
têm farta informação. A mobilidade também é grande, muitos dirigem e tem seus
próprios veículos. Quando não, utilizam os dos pais e de amigos.
A capacidade de se expressar e os meios para se comunicar são bastante
desenvolvidos, então por que enfrentam dificuldades para colocação no mercado de
trabalho?
Na opinião de muitos jovens não há vagas, em contraposição as notícias: Sobram
vagas e não há qualificação!
Há um nó a ser desatado, não há?
Em um fórum poderíamos debater o que precisa de aprimoramento:
- A vaga ou o profissional?
- O entrevistado ou o entrevistador?
Qualidade estabelece uma relação direta com valor. Produtos Premium estabelecem
valores Premium.
Temos que lembrar que contratamos serviços e não pessoas. Aquelas com maior
potencial para oferecer serviços de qualidade estarão nas empresas onde o
conjunto – salários mais benefícios – forem recompensadores. É a lei da oferta e
da procura.
Isto ainda não responde a questão: Por que temos farta informação e baixa
qualificação?
Sobram informações e faltam informados? Sobram entendidos, falta entendimento?
Excedem as leituras, não há leitores?
A pergunta é simples e deve ser feita por gestores e candidatos: Que
oportunidades estão disponíveis, quais as carências a serem supridas, como
supri-las e em quanto tempo.
O mercado “aposenta” cedo demais profissionais experientes, ao mesmo tempo que
procura “estagiários com experiência”.
Essa troca prematura, sem preparar substitutos, leva as empresas à deficiência
organizacional que provoca perdas com desperdícios, erros e com oportunidades
não observadas e exploradas.
A contratação de profissionais com baixa qualificação, por conta de baixos
salários, cria administrações não só precárias como sofríveis.
Lamentavelmente seus gestores não se dão conta do alto custo dessa administração
barata!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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