Qualidade no Atendimento
Por Diego Berro
13/01/2012
"O perfeito conhecimento do cliente, suas necessidades, desejos,
problemas e expectativas é ponto indispensável para o bom atendimento".(Phillip
Kotler)
Um bom atendimento é aquele capaz de perpetuar o relacionamento com o
cliente, tornando-o duradouro.
Para isso o atendimento deve estar alinhado ao foco do cliente para
corresponder e superar as suas expectativas, necessidades e desejos com uma
dose de encantamento e personalização. O foco não é o que a empresa julga
ser importante, mas aquilo que cada cliente atribui importância. Por isso
dizemos que o mais importante não é direcionar o foco do atendimento NO
cliente, mas no foco DO cliente.
Satisfação é a resposta ao atendimento do consumidor.
A satisfação do cliente depende de alguns aspectos simples, mas muito
importantes para um bom atendimento, como por exemplo a competência em
realizar o serviço com rapidez e eficiência, o conhecimento dos produtos e
serviços para que seja transmitido confiança ao cliente, e a atitude em
superar as expectativas do cliente, demonstrando maior interesse e
disposição em servi-lo.
Atender (o básico), satisfazer (o desejado) e encantar (o surpreendente)
formam uma escala de excelência de qualidade para um bom atendimento aos
clientes.
Os vendedores precisam desenvolver as competências básicas para um
atendimento de excelência.
Para isso, é importante transmitir confiabilidade no atendimento, ou seja
prestar o serviço prometido de modo confiável e com precisão, entregando o
que prometeu dentro do prazo estipulado. O atendimento tem que ser sensível
e flexível, buscando ouvir o cliente para entender suas necessidades
(habilidade do vendedor).
É fundamental que o vendedor esteja preparado (conhecimento) para transmitir
segurança, confiança e credibilidade ao cliente e ter a empatia necessária
para perpetuar atenção, cuidado e carinho individualizados ao cliente. O
vendedor deve desenvolver a capacidade de perceber as sensações dos clientes
como se fossem próprias, para executar os serviços (atitude) em função de
seus interesses.
Entre as falhas que são chamadas no marketing de “lacunas da qualidade”,
podemos destacar as “lacunas do conhecimento”, que ocorre quando a empresa
falha na compreensão precisa do que são, exatamente, as expectativas dos
seus clientes. Ou seja, é a diferença entre o que os clientes esperam de um
serviço e o que a empresa – gestores – percebe que os clientes esperam.
Esta competência muitas vezes está relacionada diretamente com a empresa,
que além de não desenvolver pesquisas sobre o comportamento de seus
consumidores, não estão atentas as mudanças geradas no mercado, que se
referem a mudanças nos hábitos dos consumidores, a falta de informação de
quem é o cliente, onde e como compra, como paga, entre outras informações
que são importantes para poder atender seu público.
A empresa também pode errar ao não dar condições a seus vendedores de
atender o cliente prontamente, ao contratar menos vendedores do que o
necessário para atender o cliente com qualidade num tempo razoável,
principalmente nessa época de final de ano onde a demanda de clientes
circulando pela loja é maior, o que muitas vezes requer mais funcionários
capacitados para atenderem essa demanda flutuante com a mesma qualidade de
outros períodos mais calmos. Ou a empresa ter uma quantidade suficiente de
vendedores prontos ao atendimento, porém, ser competências para fazê-lo com
qualidade.
Muitas empresas não sabem lidar com as reclamações dos clientes. As empresas
deveriam estimular as reclamações, pois é uma oportunidade de saber quais
são as falhas do seu atendimento a tempo de corrigi-las.
“Os consumidores acham que não estão sendo ouvidos, mas as empresas
acham que estão ouvindo eles. Elas podem estar escutando, mas não ouvindo”.
(Phillip Kotler)
Entre as falhas comuns no atendimento podemos destacar ainda:
1. As falhas comportamentais que consistem em erros na postura do vendedor,
sua abordagem inicial, seu visual, falhas na comunicação, como por exemplo,
falar mais do que ouvir, entre outras.
2. As falhas técnicas onde o vendedor se demonstra despreparado quanto ao
conhecimento em relação dos produtos, às políticas da empresa, formas de
pagamentos, conhecimento da concorrência, entre outros.
Essas competências técnicas e comportamentais, são desenvolvidas e
aprimoradas através de treinamentos que buscam disseminar conhecimentos
entre os vendedores para que eles desenvolvam habilidade necessárias para
terem atitudes relacionadas a um atendimento de excelência. No entanto,
muitas empresas não capacitam seus colaboradores como deveriam. Algumas
acreditam que num momento de crise, a empresa deve cortar gastos, o que
muitas vezes - de forma errada - acaba cortando investimentos fundamentais
em treinamento.
"Em tempos de prosperidade, uma empresa deve duplicar o investimento de
capacitação. Em tempos de crise, deve quadruplicá-la, porque precisará de
mais habilidade ainda para produzir os mesmos resultados obtidos nos bons
tempos". (Peter Drucker)
A empresa pode evitar esse erro, começando pelo recrutamento, onde a empresa
deve contratar vendedores alinhados a cultura organizacional e treinamentos
contínuos disseminando uma cultura de serviços a todos colaboradores.
A cultura corporativa é o modelo de valores e crenças compartilhados pelas
empresa e que permeiam sua visão e missão e dá significado ao negócio e as
regras para o comportamento na organização.
Por isso é fundamental gerenciar o clima interno para que os profissionais
que atendam a clientes internos ou externos desenvolvam atitudes positivas
ao atendimento.
A cultura e o clima de uma empresa têm um impacto vital sobre o grau de
orientação para serviço dos seus funcionários. Uma cultura de serviço fraca
ou inexistente cria um sentimento de insegurança e instabilidade que pode
muitas vezes resultar num comportamento inflexível dos funcionários, seja
com o cliente interno ou externo, gerando longo tempo de espera e
insatisfações no atendimento as várias e diferentes solicitações dos seus
clientes.
Uma maneira de se minimizar os riscos de um vendedor transmitir uma imagem
errada que deponha contra a própria organização é adotar uma política
fortemente permeada pelo marketing interno (endomarketing).
É importante que todos saibam a respeito dos objetivos, estratégias, metas e
formas de atuação da empresa. Só assim é possível começar a entender os
clientes externos de forma mais coerente e eficaz, diminuindo custos, tempo
e possibilitando o surgimento de um clima interno mais harmonioso no qual
todos compartilhem do mesmo senso de direção e de prioridade.
Para estabelecer o marketing interno a empresa deve analisar dois processos:
o gerenciamento de atitudes e o gerenciamento de ações.
O gerenciamento de atitudes é aquele no qual as atitudes dos funcionários
são gerenciadas para que eles acreditem na relevância de um serviço de
qualidade para atender o cliente.
Já o gerenciamento de ações ou da comunicação é aquele em que é fornecido
aos funcionários um suporte de informações sobre as necessidades e desejos
do cliente, o que está sendo prometido pela empresa, rotinas de trabalho e
outras informações que no contexto geral, são importantes para que o
funcionário cumpra o seu papel de superar as expectativas dos clientes.
Os treinamentos internos devem ser focados em desenvolver uma cultura de
serviços dentro de uma empresa, para isso a empresa deve capacitar seus
colaboradores para entender e aceitar a missão, as estratégias e táticas da
empresa, bem como seus bens, seus serviços, suas campanhas de marketing
externo e seus processos.
A empresa deve investir em treinamentos que estimulem criar relacionamentos
positivos entre as pessoas da organização e desenvolver um estilo de
gerenciamento e liderança orientados para serviço entre gerentes e
supervisores. São fundamentais ainda, a aplicação de treinamentos de vendas
que ensinam a todos os vendedores habilidades de comunicação orientadas para
serviço, habilidades de negociação e habilidades comportamentais no geral.
Cada cliente possui uma determinada percepção sobre qualidade, valores,
desejos e necessidades. Por isso, não podemos atender igual o desigual. Os
clientes possuem padrões diferentes de qualidade.
A empresa deve treinar seus vendedores para desenvolveram um atendimento
personalizado.
Detalhes na relação entre vendedor e cliente podem fazer a grande diferença,
por isso, oferecer mais do que o esperado, surpreender, é extremamente
importante para que as diferenciações sejam notadas e para que os clientes
se tornem cada vez mais propensos a adquirir seus produtos ou serviços.
Para desenvolver um atendimento personalizado, é preciso distinguir os
clientes individualmente, em detalhes, e ser capaz de reconhecê-los em todos
os pontos de contato, em todas as formas de mensagem, ao longo de todas as
linhas de produtos, em todos os locais e em todas as divisões.
O vendedor precisa também categorizar os clientes da empresa por suas
diferentes necessidades. Isso pode ser feito de duas formas: pelo nível de
valor para sua empresa e pelas necessidades que têm de produtos e serviços
de sua empresa. Além de saber como as necessidades de seus clientes mudam, é
necessário um processo de utilização dos feedbacks interativos de um cliente
em particular para que seja possível deduzir quais são as necessidades
específicas daquele cliente.
O vendedor deve evitar bater de frente com o cliente, por exemplo
discordando de suas idéias. Geralmente o vendedor tem uma tendência em
vender seu próprio padrão de preferências e valores aos seus clientes, por
isso é fundamental ouvir atentamente o cliente de forma permanente e
constante, sem atropelar a fala do cliente ou falar mais do que ouvir. O
vendedor precisa deixar de lado seus valores e entender que o cliente é
diferente, tem experiências de vida, padrões de comportamento e valores
totalmente diferentes dos dele.
“Escute primeiro e fale depois”. (Peter Drucker)
A única maneira de num primeiro contato com o cliente perceber suas
preferências e valores é através da habilidade de comunicação, onde se
estimula o cliente com perguntas inteligentes e no momento adequado, ouvir
atentamente suas respostas. O vendedor deve lembrar da regra básica dos
101%. Ela diz:
“Nem sempre é possível concordar com a opinião ou interpretação pessoal de
um cliente. Nesse caso, você deve achar dentro a afirmação do cliente 1% com
que você posa concordar (que seja congruente com seus valores) e a partir
daí concordar 100% com isso”.
Pesquise TUDO sobre seus produtos, empresa e concorrência. Ao adquirir
conhecimentos, se transmite confiança e segurança ao cliente;
Pratique a arte da empatia, que é a habilidade de se colocar no lugar do
cliente, para entender exatamente seus sentimentos, valores, preferências
pessoais e necessidades;
Atenda TODOS os clientes da mesma forma (demonstrando interesse genuíno em
satisfazer suas necessidades);
Atenda TODOS os clientes de forma diferente (lembrando que cada cliente é
diferente, e deve portanto ser conhecido suas necessidades para desenvolver
um atendimento personalizado);
Demonstre-se sempre disposto e flexível a buscar soluções para o seu
cliente, então, satisfaça suas necessidades e por fim, encante o cliente.
Diego Berro é palestrante de vendas. Co-autor dos livros: “Os 30 + em
Motivação no Brasil” e “Ser Mais em Vendas”. Graduação em Gestão Empresarial
pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação
Getúlio Vargas. Formação Profissional de Nível Tecnológico em RH e Marketing
pela FGV-RJ. Máster Practitioner em Programação Neurolinguística. Ministra
palestras, workshops e treinamentos de vendas, realizando convenções de
vendas e treinamentos in-company em todo Brasil.
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