O Relacionamento das Crianças com as Marcas
Por Julio Cesar S. Santos
12/03/2011
A Criança Possui Desejos e Necessidades? Qual é a Influência das Crianças no
Consumo Familiar? Como as Empresas Vêm Posicionando Suas Marcas Para Esse
Público-Alvo?
Nas últimas décadas as estruturas familiares vêm sofrendo enormes mutações, onde
os casais se tornaram menos estáveis e o exercício da autoridade vem tomando
formas bem diferentes daquelas conhecidas pelos nossos pais e avós. As relações
entre pais e filhos tem se modificado e hoje existe certa tendência para que
essas relações com a criança sejam marcadas pela negociação.
Dessa forma, a criança ganhou o direito de ser ouvida pelos adultos que lhes
concederam maior liberdade para – por exemplo – seus momentos de lazer. Há
alguns anos temos observado um expressivo crescimento das despesas que os
adultos disponibilizam para seus filhos e, além disso, os modelos de consumo das
sociedades ocidentais vêm privilegiando a dimensão “prazer” – incluindo-se aí o
prazer de participar do consumo dos seus próprios filhos.
Graças aos inúmeros estudos psicológicos sobre o tema, nos últimos tempos o
conhecimento sobre a infância se multiplicou e esse saber foi difundido entre o
público, dando à criança a legitimidade de reivindicar e ser reconhecida como
ela é. Ou seja, como um indivíduo com necessidades e desejos.
Ator de primeira classe no cenário econômico brasileiro, a criança deve ser
considerada cada vez mais responsável nos mecanismos de consumo, uma vez que
muitas empresas já consideram positivo esse público-alvo. Pesquisas demonstram a
importância do consumidor de 8 a 12 anos no cenário econômico brasileiro, onde:
• Quase 54% desse público possuem um rádio
• 47% um walkman
• 34% um aparelho de som
• 25% possuem sua própria TV.
Além disso, quase 40% do consumo das famílias brasileiras ocorre em função da
influência das crianças, as quais descobrem 50% dos produtos á sua volta.
Estudos realizados com pais de crianças entre 7 e 15 anos constatam a
significativa influência das crianças nas escolhas familiares, pois constatou-se
que 71% dos pais declararam que seus primogênitos exercem “grande influência”
sobre as escolhas de toda a família no domínio do lazer, 49% no de produtos
alimentares, 46% no de férias e 41% no de informática.
Em função do seu peso econômico as crianças hoje se constituem uma aposta
estratégica para as marcas, embora muitas empresas venham encontrando
dificuldades para se comunicar com esse público-alvo.
Do ponto de vista das marcas, as empresas devem procurar a melhor maneira de
estabelecer um relacionamento satisfatório e durável com seus jovens
consumidores, uma vez que esses mesmos jovens comprarão e consumirão um dia seus
próprios produtos e serviços.
Os adultos – responsáveis pelas marcas – têm como objetivo principal atrair
essas crianças e conquistar sua fidelidade, embora o conhecimento desses jovens
consumidores não seja coisa fácil. Dessa forma, as crianças acabam se
constituindo numa população particularmente difícil para os estudos de
Marketing.
Os analistas mercadológicos reconhecem a complexidade do mundo infantil, a
começar quando se tenta entendê-lo através de entrevistas – por exemplo – pois
ao interrogá-las, é bastante comum provocar reações e respostas inúteis e
falsas. Piaget ( ) evoca o tipo de reações e de respostas que podem ser
observadas em entrevistas com as crianças:
• O “desinteresse” – se a questão aborrece a criança.
• A “fabulação” – quando a criança inventa uma história na qual nem ela mesma
acredita.
• A “opinião sugerida” – quando a criança deseja agradar o entrevistador ou
quando a pergunta comporta ela mesma elementos de resposta sugerida.
• A “opinião desencadeada” – provocada pelo entrevistador caso a pergunta
obrigue a criança a refletir e se questionar com novas perguntas que, para ela,
não lhe seriam colocadas fora da entrevista, mesmo que a reflexão da criança
permaneça original.
Além do mais, os questionários já aprovados com os adultos são ineficazes com os
jovens, cujo modo de pensar é dominado pelo imaginário e pelo emocional e cujos
conhecimentos verbais – bastante limitados, no caso brasileiro – impedem as
abordagens clássicas.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 / www.profigestao.blogspot.com