Relacionamento Digital
Por Sandra Turchi
28/01/2011
Com a internet fazendo parte da vida das pessoas e das empresas cada vez mais,
afetando a forma como consomem e se relacionam, se faz necessário conhecer
melhor esse universo. Praticamente todos os veículos de comunicação tratam hoje
desse assunto, tornando impossível qualquer tentativa de alienação.
Para as empresas, e mesmo para os políticos, fica evidente que não é mais uma
opção, pois a decisão já foi tomada! O empresário ou político – falando em tempo
de eleições – que ignorar como lidar com esse público de mais de 60 milhões de
brasileiros conectados, corre sérios riscos de deixar de existir muito em breve.
Lembrando que essa população on-line é maior do que a população total de muitos
países, como França e Espanha, por exemplo, e é o dobro da população do Canadá!
Essa “massa” está constantemente navegando, se informando, se comunicando,
trocando dados, comparando preços e comprando. E por falar em compras, apenas em
2009 a previsão de faturamento é de 10 bilhões de reais via e-commerce! Com
certeza não é um valor desprezível.
Hoje o relacionamento empresa-cliente passa obrigatoriamente por esse canal,
pois como pesquisas indicam, as pessoas optam por se relacionar on-line, seja
para busca de informações prévias ao consumo de produtos e serviços, seja
simplesmente para manifestar sua satisfação (ou não) com uma empresa.
Hoje internautas freqüentam comunidades como Twitter, Orkut, Youtube e Facebook,
entre outras, onde têm o domínio da situação, por vezes produzindo e
disseminando vídeos e emails, com – ou sem – maiores conseqüências, pois um
simples post em sua página pode influenciar automaticamente milhares de pessoas.
Há exemplos em que filmes são alterados para produzir uma sátira, ou mesmo uma
crítica, a uma empresa e acabam sendo muito mais vistos do que o próprio filme
original, como ocorreu recentemente com um fabricante de motocicletas. E isso
tem a capacidade, muitas vezes, de destruir a reputação de uma pessoa ou de uma
marca.
Entretanto, muitas empresas ainda não se atentaram para o poder que vem dos
internautas, pois eles sabem muito bem como utilizar as diversas ferramentas
digitais.
O que se pode perceber é que há empresários e gestores que ainda não tratam do
assunto como uma prioridade e vêem a internet como um meio de diversão ou como
um veículo que impacta somente uma camada da população, porém o brasileiro é o
primeiro povo em navegação domiciliar. E embora ainda haja restrições
financeiras para que boa parte da população esteja on-line, quase metade dos
internautas navega em ‘Cybers cafés’ ou ‘Lan houses’. O Brasil tem, por exemplo,
a maior média de tempo de navegação, pois passamos mais de 26 horas por mês
navegando! E se for considerado o tempo gasto em sites de mensagens
instantâneas, esse indicador sobe para mais de 36 horas on-line por mês!
O recomendável é que empresas e políticos se abram à comunicação no mundo da
web, unindo ferramentas digitais às tradicionais para ampliar o contato com seus
diferentes públicos. Essa integração pode ser feita, por exemplo, mantendo um
call center, para aqueles que optam por um contato pessoal e direto, e um espaço
para quem prefere a web, via chats on-line, blogs e mesmo via criação e ou
participação de comunidades virtuais.
Há casos de empresas que tem feito um excelente trabalho nesse sentido, como o
Boticário, que através do monitoramento de comunidades se relaciona de forma
clara e transparente com seus consumidores, gerando um grande benefício para sua
marca.
No campo político, o caso recente que se tornou muito popular foi a eleição do
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cuja campanha se apoiou quase que
totalmente na internet com o uso das mídias sociais para difundir sua plataforma
de campanha, bem como se aproximou de diferentes comunidades, falando
diretamente com cada uma delas para discutir suas necessidades específicas.
Isso demonstra como é viável, e necessária, a transposição do relacionamento
para o universo digital, seja qual for o objetivo.
Sandra Turchi é graduada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School São Paulo com especialização pela Toronto University e em empreendedorismo pelo Babson College em Boston. É superintendente de Marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) instituição que administra o SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Site: www.sandraturchi.com.br - Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi