A Resistência nas empresas à adição de competência
Por Ivan Postigo
27/01/2012
A resistência nas empresas à adição de competência
Fazer a empresa ter lucro e crescer: sonho de empreendedor.
Desenvolver uma carreira e ganhar altos salários: sonho de trabalhador.
Excelente! Os objetivos se alinham, então porque há tantos conflitos e
dificuldades para que os projetos se completem?
Que tal usar nosso esporte predileto, o futebol, para explicar, pode
ser?
Gregório é torcedor fanático do Estrela Negra Futebol Clube, time de
segunda divisão, que acaba de vencer o campeonato e, com isso, subiu
para a primeira.
Nosso fã do alvinegro tem uma certeza: o time precisa de reforço. Sabe
que primeira divisão é primeira divisão. Ali não tem moleza, os
jogadores são excepcionais, muitos têm experiência internacional. O novo
patrocinador chegou com a mala cheia, disposto a contratar os melhores.
Gregório está eufórico, o novo time tem que entrar para disputar o
título, nada de só marcar presença.
Um amigo lhe diz: - Greg, como ficam os jogadores que deram o sangue
para essa conquista, vão perder o lugar?
Gregório sem pestanejar responde: - Ora, estamos na primeira divisão,
para disputar o título temos que reforçar o time. Alguns até poderão
ficar e serem testados, mas certamente vários terão que ser vendidos. O
plano A é entrar na competição para ser campeão e o plano B, na pior das
hipóteses, é não cair novamente.
De repente um latido começa a incomodá-lo e Gregório acorda. Latinha,
seu pequeno cão, meio assustado, fez tanto barulho que tirou todos da
cama.
Ainda meio zonzo de sono, ele procura entender o que estava acontecendo:
pois é, traído pelo subconsciente, estava sonhando.
Na verdade, Estrela Negra sequer existia, aquilo era uma projeção de
algo que conversara com Elias, um dos gerentes da empresa, durante o
dia.
Amigo, confidente, o gerente preocupado com os acontecimentos resolvera
trocar com ele algumas impressões.
A empresa estava crescendo muito e os diretores começaram a notar que as
falhas e reclamações dos clientes estavam aumentando.
As cifras haviam mudado, os milhares se tornaram milhões, e as decisões
precisam de velocidade e assertividade.
As últimas reuniões deixaram os gestores preocupados, pois o responsável
pela fábrica mostrou demasiada fragilidade ao atender os diretores de um
grande cliente que haviam conquistado. Novas máquinas, um sistema de
gestão mais complexo, muitas ordens de produção começavam a deixar claro
que o amadorismo poderia colocar a empresa em maus lençóis.
No encontro com os bancos, as novas operações e financiamentos
demandavam o desenvolvimento de novos argumentos e rico detalhamento
para que a liberação das verbas fosse obtida, mas a equipe não se
mostrava preparada.
O próprio debate sobre os resultados, com os balanços na mesa, gerou
constrangimento, havia nítida falta de experiência no uso das
informações. A dificuldade de leitura dos informativos mostrava a
fragilidade dos integrantes. A empresa sempre fora gerida pelo fluxo de
caixa.
O gerente de vendas, cria da casa, não tinha intimidade com sistema de
gestão, o que dificultava em demasia o atendimento de grandes contas.
Sua programação de trabalho era feita no café da manhã, e agora as
visitas a muitos clientes demandavam agendamentos. Por essa razão vivia
as turras com Vanessa, sua assistente, que não gostava da tarefa de
telefonar para montar a programação.
Começava o grande dilema: o que fazer com os profissionais que trouxeram
a empresa até aquele ponto? Responderiam rapidamente a treinamentos?
Aceitariam o comando de uma nova equipe de gerentes? O que fariam com os
atuais gerentes, que se dedicaram para colocar a empresa na posição que
se encontrava, mas que estavam completamente despreparados para a nova
realidade?
Na primeira oportunidade, quando saíram para almoçar, Gregório contou o
sonho para Elias, que não gostou da comparação e rispidamente disse: -
Não misture as coisas, futebol é futebol, empresa é empresa.
Assim, muitas empresas depois de um período glorioso se vêem novamente
na segunda divisão.
Ah, Latinha! Não tivesse latido!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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