Tablet dos 10 mandamentos de gestão para revitalização empresarial
Por Ivan Postigo
06/01/2012
A frase “torne a sua empresa obsoleta antes que alguém o faça” é a dura
realidade no mundo dos negócios.
Ainda que para muitos a chave da questão seja a tecnologia, uma reflexão
cuidadosa nos levará ao ponto crucial: a cultura de gestão.
Pouco adianta colocar tecnologia nova a serviço de idéias velhas.
Os pontos fundamentais para condução de um projeto de sucesso são:
1. Visão
É necessário responder, fundamentalmente, a seguinte pergunta: Qual é o
nosso negócio?
Ao estabelecer o que queremos fazer, poderemos definir para quem, quando e
como conduziremos nossas ações.
Mercados podem ser explorados ou criados, mas para isso precisamos de foco.
Indubitavelmente, o foco será determinado por nossa visão e dará o norte a
todas as ações.
2. Produtos
A visão nos dirá quais produtos fabricaremos e qual tecnologia deverá ser
empregada, de forma a atender o público alvo.
Empresas buscam sempre mais clientes, quando poderiam explorar oportunidades
naqueles conquistados. Produtos que tenham aderência no segmento alavancarão
mais as vendas do que a busca de novas relações comerciais.
A produtividade da equipe de vendas pode ser substancialmente aumentada
reduzindo os deslocamentos.
A venda é facilitada quando o cliente tem um fornecedor no qual confia e que
lhe apresenta um leque de soluções.
Entender as necessidades do mercado, simplificar produtos, torná-los mais
úteis, fáceis de usar, amigáveis, interessantes, charmosos, desejados, é a
base para se manter competitivo.
3. Materialização. Transformando ideias em realidade
Estabelecer relações com empresas que criam o futuro determina o futuro das
empresas.
Quem não supera as próprias limitações já está superado. Para isso a adição
de competência é determinante. Essa competência pode estar na mesa ao lado,
como do outro lado do oceano.
A consciência da limitação, a curiosidade, o inconformismo, são poderes
agentes inovadores.
A materialização de uma idéia demanda tecnologia e organização. Nesse ponto
nasce o processo produtivo e se consolida a cultura de transformação.
O que fazer e como fazer estabelece quão competitivos poderemos ser,
economicamente e tecnologicamente para o consumidor.
4. Capital intelectual
Apesar de não ser um discurso novo, poucas empresas se dão conta do poder do
pensamento coletivo.
Não fosse assim, os debates internos sobre produtos e futuro seriam mais
frequentes.
Empresas, de modo geral, são reativas. Umas seguem as outras. Com produtos,
formas de divulgação e canais de distribuição. Por essa razão, tornar
empresas obsoletas, mais do que produtos, pulveriza os concorrentes e reduz
sensivelmente a competição.
O grande trabalho nas empresas é aprimorar as relações humanas, com
mapeamento de ideias potenciais e manutenção de talentos, criando alicerces
para gestão do capital intelectual.
A criação do futuro é o futuro da criação. Criação não de artifícios, mas de
soluções. Atualização de produtos não é suficiente em um mundo
revolucionário e inovador.
Pense e aja ou pereça, esse é o mandamento.
5. Gestão de imagem
Poucos são, muitos jamais serão!
A armadilha não é falta de potencial, mas de consciência. É fundamental
saber o que fazer com o que se tem.
Podemos simplesmente vender a matéria ou o produto da matéria. Essa é a
essência da riqueza nos negócios.
Como sua empresa e produtos são vistos pelo mercado é muito importante, como
serão vistos, determinante.
O lançamento de um produto pela concorrência, pode colocá-lo no passado
imediatamente. Quem digam os gestores das áreas de alta tecnologia.
Uma vez no passado, passado está.
A construção de marcas relevantes é a única maneira de manter a atração por
empresas e produtos. Materiais e tecnologia estão cada vez mais disponíveis
e acessíveis.
Relevância de marca e obsolescência de produtos são agentes poderosos na
luta por um espaço na mente do consumidor e um lugar no coração.
6. Relacionamento com o mercado
O sucesso não faz mais ninho apenas para o vencedor da competição, mas da
coopetição. Aqueles que competem cooperando.
O consórcio em alguns projetos impede ações mercadológicas suicidas em
outros.
Em uma competição, pouco resolve reduzir o preço quando o concorrente tem
fôlego para mais.
Mais por menos, está transformando tudo em commodity, degradando produtos e
descartando ideias.
A princípio perdem as empresas e no final o consumidor, pois na tentativa de
se manterem lucrativas acabam prejudicando os produtos para reduzir os
custos. Nada é muito barato sem motivo. A quantidade de lixo espalhada no
mundo, resultado de produtos descartáveis, é o espelho de nossas atitudes.
A relação com o mercado permite descobrir oportunidades de negócios
lucrativos e eliminar aquelas cujo futuro não se mostra promissor.
Como distribuir os produtos, aproximar empresas e fãs, têm suas raízes na
ciência do relacionamento.
Conhecer ansiedades e potencialidades nos permite afastamento das ideias
commodities.
7. Desenvolvimento comercial
O que tem feito muitas organizações venderem diretamente aos consumidores,
sem intermediários, é o desejo e necessidade de potencializar os serviços de
seus produtos.
A excelência comercial não é ter clientes, mas fãs. Aqueles que fazem fila
na madrugada e acampam nas portas das lojas em dias de lançamentos. Que
compram revistas pela expectativa de futuro, que são defensores de marcas e
propagadores boca a boca.
Fãs que se dispõe a ouvir, para aprender e criar seu futuro.
Empresas comprometidas com o futuro quando se reúnem produzem imensa energia
nas nuvens do progresso.
Os modelos comerciais tradicionais trazem um viés, onde os representantes
comerciais por trabalharem com várias empresas e marcas se concentram nas
vendas, enquanto os vendedores (com carteira assinada e trabalho exclusivo)
é que representam as empresas, levando produtos, mensagens e imagens.
8. Financiamento dos projetos
Empreendimentos precisam de três componentes: ideias, dinheiro e trabalho.
Ideias o mundo está repleto, embora muitas, ainda que valiosas, fiquem
congeladas por anos e décadas.
O trabalho se obtém com a reunião da disposição e da competência. O homem é
ávido por participar de algo que valha a pena. Mostre isso ao mercado e terá
imensa fila em sua porta.
O financiamento de projetos no nosso país é assunto embrionário.
Quantos anúncios você vê, por dia, mostrando ideias interessantes em busca
de recursos?
Quantas empresas abrem as portas para ouvir criadores, inovadores e
inventores?
A maldição da associação reside no modelo de sociedade. O capital precisa
estimular a idéia e não sufocá-la.
No nosso modelo, o investidor, detentor de cotas, não nomeia representantes,
vira gestor.
O grande pecado ocorre quando o homem investe no paraíso e também quer
morder a maçã.
“An apple a day keeps the doctor away” não é uma boa prescrição no mundo dos
negócios.
A busca por parceiros investidores ainda é o pesadelo da nossa engenharia
financeira.
9. Modelo de gestão
Essa é uma das complexas questões com que se deparam as empresas.
Principalmente quanto mais inovadoras forem ou exigir o segmento de
negócios.
Ideias não bastam ser revolucionárias, precisam ser úteis, amigáveis, para
serem acolhidas.
Em tempo de combustível barato ninguém queria carro pequeno. Hoje, poucos se
dispõem a adquirir um carro “bebedor”.
Perceber a inovação e a lucratividade da aplicação, é trabalho para
visionários. Nesse ponto reside a grande dificuldade da delegação.
Podemos delegar comando, mas não o poder da visão.
O modelo de gestão, centralizado ou descentralizado, é o grande responsável
pela preparação dos comandantes e líderes do futuro.
A atenção, a possibilidade de exposição dos talentos, o exercício da vocação
nos permitirão perceber se nossos futuros líderes estarão alinhados com os
pensamentos das lideranças do futuro.
Os alicerces criados hoje serão as bases de sustentação das edificações
empresariais amanhã.
10. Comunicação
Comunicação é um poderoso instrumento de aproximação e afastamento.
Uma placa no portão dizendo “Cão Feroz” afastará as pessoas, porém se
estiver escrito “O cão mais inteligente do mundo”, provocará filas de
curiosos.
No meio empresarial, a comunicação adequada atrairá a atenção de
consumidores, conquistará clientes, reunirá fãs, canalizará ideias e
recursos.
Dos tambores aos meios eletrônicos seus efeitos são mágicos.
Na porta, leves batidas indicam uma visita, fortes e rápidas pancadas, uma
urgência.
Um signo, uma frase, podem mudar comportamentos e marcar toda uma geração.
A comunicação, ao alcançar mentes e corações, provoca emoções e resgata
lembranças, conduzindo pessoas em busca de materialização de experiências
com aquisições. Por essa razão, marcas relevantes são acolhidas com carinho.
De acordo com Hal Hiney, especialista em comunicação: “Em um mundo onde
todos estão nivelados, vence meu melhor amigo”.
Empresas, de modo geral, foram criadas para durar, mas isso só é possível
com o sucesso.
Alastair Johnston, empresário de atletas, tem uma declaração que merece
reflexão: “Vencer não é duradouro. O que dura é o sucesso. O sucesso dura
mais do que a vitória”
A vitória pode ser conseguida em um lance de sorte, em um chute, um
arremesso, uma rebatida, um deslize do adversário. O sucesso precisa ser
construído, com uma vitória de cada vez, de forma persistente e consistente.
Para as empresas, a realidade não é diferente da realidade do atleta.
Assim como o atleta repete sua rotina para aperfeiçoamento e busca a
inovação para sua própria superação, a empresa também tem suas necessidades
de revitalização. Estas podem ser norteadas com o Tablet dos 10 mandamentos
de Gestão.
Parte de nossa natureza, o exercício para perpetuação ou a acomodação para
perecimento é livre arbítrio em gestão.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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