A geração Y e os profissionais multitarefas - Limites e Riscos
Por: Jaqueline Saviel
07/12/2009

Conhecida por sua facilidade de aprendizagem e proatividade, a Geração Y, como são chamados os profissionais nascidos na década de 80. São trabalhadores que se desenvolveram em um mundo de resultados rápidos, “A Geração Y tem pressa porque se acostumou a apertar um botão no computador e resolver tudo”, diz Maria Lúcia Pettinelli, coach do Instituto EcoSocial. Com a situação econômica instável, esses profissionais devem ter calma e aprender a manter o foco. Para isso, eles podem contar com a ajuda da geração anterior, que já passou por crises e sabe como agir. “A Geração Y deve estar empenhada em se espelhar nos seus superiores, para que, mais tarde, possa ensinar a próxima geração o que fazer em cenários econômicos complicados”, explica Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum.com.br.
Eduardo Barbosa Sakemi, superintendente de TI e da Educação do CIEE, defende a mesma postura que Abrileri e comenta que os mais novos devem se inspirar na disciplina dos mais velhos, afinal estes trabalharam em um época de menos recursos e tiveram que batalhar bastante para obter resultados.
No entanto, não são apenas os profissionais com mais anos de mercado que têm lições a passar. Mesmo os membros da Geração Y, também conhecida como Geração do Milênio, têm qualidades úteis para solucionar a crise e, na opinião de Sakemi, a alta capacidade de aprendizagem é uma delas. “Os profissionais vêm muito informados, bem sintonizados e com facilidade de entender o processo de comunicação”, diz o superintendente.
Para Maria Lúcia Pettinelli, coach do Instituto EcoSocial, o ponto forte dos Y é o senso de coletividade. Por terem se desenvolvido em um ambiente com conceito de rede, eles tendem a trabalhar em grupo e, assim, buscar soluções em conjunto. “Os integrantes da Geração Y sabem se apoiar mutuamente nesse momento de crise”, comenta Maria Lúcia.
Outra característica importante é o que Abrileri chama de “capacidade de multitarefa”. Segundo o presidente da Curriculum.com.br, os profissionais mais novos conseguem dar atenção para várias tarefas ao mesmo tempo. Isso porque eles cresceram em um mundo multimídia, aprendendo a administrar diversas atividades concomitantemente.
Chegamos ao ponto, "profissional multitarefa" isso é bom ou ruim para as organizações e as pessoas?
Sim, os profissionais da geração Y cresceram em uma sociedade multimída, auxiliados e pressionados por diversos canais de comunicação, estes devem ser capazes de responder a multidemandas o tempo todo. São ágeis, poupam investimentos com várias cargos, são bem vistos no mercado.
Mas, neurocientistas, psicólogos e economistas, a algum tempo, estão tentando alertar os profissionais e as organizações dos riscos que esse hábito pode trazer, estes debatem se realmente realizar várias tarefas ao mesmo tempo é eficiênte e lavantam discussões sobre as consequências dos ambientes profissionais em que a realização de muitas tarefas é parte da rotina. Universidades de Stanford, Califórnia e a consultoria de pesquisa Basex apontam disturbios nas atividades mentais e prejuízos as organizações após a realização de diversos testes em grupos de profissionais multitarefas e os que naõ possuem esta habilidade. Foram revelados os seguintes dados:

Os profissionais multitarefas não eram melhores em nada em relação aos outros.
Estes não conseguiram filtrar informações irrelevantes ou organizar suas memórias.
Tinham dificuldade de se concentrar.
As interrupções custavam até 25 minutos de produtividade, pois ao se desconcentrar demoram muito para focarem em sua atividade novamente ou em outra.
Os ambientes multitarefas podem estar gerando prejuízos, estimados, de US$ 650 Bilhões somente nos EUA.
Agravam a dispersão, hiperatividade e procrastinação.
Aumentam ingestão de medicamentos para controle de problemas de falta de atenção e hiperatividade.

Estudos indicam que em 1990 eram produzidos 2,8 toneladas e em 2006 a produção pulou para quase 38 toneladas da droga para o problema de Transtorno do Défict de Atenção e Hiperatividade (TDHA), chamada Ritalina, indicada a crianças diagnosticadas com TDHA.
Os profissionais multitarefas podem custar mais caro do que se imagina.
Pense em uma agência de publicidade, quanto tempo um profissional perderia se tivesse de fazer várias tarefas ao mesmo tempo ao invés de somente criar?

Estudos também comprovam que principalmente para a criação, necessitamos de tempo e foco para conseguirmos melhores resultados. Grandes criadores da história passaram meses dentro de seus quartos estudando suas teses, criações, textos, obras, etc. Como seria a história do mundo se Charles Darwin ao invés de se dedicar totalmente a biologia e ciência tivesse um pai ou chefe que o fizesse fazer trabalhos artisticos entre seus estudos sobre as espécies?
Imagine a produtividade de um executivo que ao invés de se concentrar no plano de negócios e estratégia, tenha que pensar também no fluxo de caixa, pesquisa de mercado, cabeamento da rede dos computadores e na folha de ponto?

Alguns cargos podem ser multitarefas, mas os que necessitam de total atenção dos profissionais devem ser restritos aquilo. Como na Google e Facebook onde o colaborador tem uma tarefa, se está cansado do que está fazendo ele não tem que encher sua cabeça com outra tarefa, ele pode sair e tomar um café com os amigos, ele continua pensando no seu trabalho, na sua criação e volta ainda onde parou, as vezes com idéias melhores das que tinha.

Muitas são as vantagens, já cansamos de vê-las em todo lugar, mas muitas são as desvantagens, limites e riscos desta prática.

Jaqueline Saviel é formada em Planejamento Estratégico Empresarial.