Guia para a caça de oportunidades
Por Gisela Kassoy
18/07/2017

Pasteur já dizia: "a sorte só atinge mentes preparadas". Já que é assim, como alguém se prepara para ter sorte? O que faz com que uma pessoa obtenha sucesso e outras não? Estamos cercados de oportunidades, mas por que só alguns conseguem enxergá-las?

Há formas de se preparar para perceber oportunidades. Venho mostrando às empresas e empreendedores que tudo começa com a capacidade de administrar duas variáveis opostas: o foco, a noção de onde quero chegar e a abertura - ou seja, flexibilidade para imprevistos. O segredo é não desprezar nenhuma das duas. Os passos seguintes dependem dos estágios de uma empreitada, que apresento a seguir:

VÁCUO

Esta é a fase na qual ainda não descobrimos um caminho. Para um executivo pode ser a busca de um novo emprego ou um novo percurso na carreira. Para um empreendedor ou empresa pode ser um novo negócio, um novo produto ou algo que vá causar uma reviravolta no mercado. Essa etapa demanda mente super aberta: um executivo fecha muitas portas ao pensar apenas num emprego semelhante ao anterior. No caso de um empreendimento, pensar no já existente é ainda mais grave: chegar em segundo ou terceiro lugar já é uma desvantagem, pois para ser notado, o produto ou serviço necessita alguma melhora significativa ou redução de preços A busca de oportunidades nessa fase demanda ousadia e esforço para sair do tradicional. Procure-as em universos distintos do seu cotidiano ou examine o seu universo com outros olhos. Viaje, esteja em lugares que você raramente frequenta, converse com pessoas que não fazem parte do seu meio. Não se angustie por não saber que rumo tomar: saia de casa, navegue muito pela Internet e, sobretudo, mantenha antenas ligadas para ver o novo.

O cartão de crédito, por exemplo, surgiu em 1950 quando o milionário Frank McNamara estava em um restaurante com alguns clientes. Na hora de pagar a conta, percebeu que havia esquecido o dinheiro em casa e persuadiu o restaurante a aceitar um cartão no lugar de dinheiro. Essa foi a semente que fez com que ele fundasse o Diners Club.

PLANEJAMENTO E AÇÃO

Agora que você já teve aquela grande ideia, precisa de mais foco. É a fase do plano de negócios, do plano de ações e de pouca dispersão. Seja mais rígido na administração do seu tempo, mas lembre-se das inúmeras oportunidades que o ajudarão a chegar lá: observe como outras pessoas, empresas ou empreendedores atuam, peça conselhos, faça cursos. Você não precisa se tornar um chato ou ficar obcecado, mas é quase isso.

E seja persistente: não desista no primeiro feedback pessimista, muita gente reage assim às inovações.

MONITORAMENTO

Os dados estão lançados. Não há mais volta, mas ainda assim o mundo e o mercado podem reservar muitas surpresas que podem vir a se tornar novas oportunidades.

Comporte-se como um profissional de tecnologia, lance seu projeto experimentalmente, è o que eles chama de Beta.

Houve um erro de previsão? Talvez, mas e daí? Um projeto não sai pronto da mente de seu criador. O que ele cria é uma visão que se aprimora durante sua produção por meio das reações dos clientes e pessoas envolvidas.

Se na fase anterior é bom ser um pouco teimoso, agora o importante é ouvir os demais, ficar atento às reações. Sobretudo, não se apegue demais às suas expectativas, aprenda com o que o mundo tem a dizer.

Como diz o guru de autoajuda Steven Shapiro, as oportunidades batem à porta com frequência, mas batem discretamente. A perseguição a um objetivo não pode cegar a percepção de outras possibilidades.

E mesmo que você agora saiba que as oportunidades não são apenas fruto do acaso, não custa desejar: Boa sorte!

Gisela Kassoy - Consultoria em Criatividade - www.giselakassoy.com.br