Gestão científica – O começo da administração
Por Julio Cesar S. Santos
20/03/2011
Como, Onde e Por Que a Administração se Tornou Uma Ciência? Quem Foram
os Personagens Dessa História? Que Contribuições Eles Forneceram Para Que a
Administração se Tornasse Uma Ciência?
Em 1908 foi o ano de lançamento do primeiro automóvel do mundo – o modelo "T" da
Ford - cuja montagem demorava cerca de doze horas. Porém, na década de 20 a Ford
Motors Company só levava uma hora e vinte minutos para produzi-lo. Produto de
massa e barato o modelo vendeu 15 milhões de unidades. Como Henry Ford – o
fundador da empresa – conseguiu esta melhoria? Ford não estava brincando quando
fez essa estranha declaração:
* "Das 7882 operações em que se decompõe a montagem do Ford T, 949 tarefas
exigem pessoas robustas e 3338 homens com uma força física normal. O resto? O
resto está ao alcance de mulheres ou crianças grandes"
Na verdade, o pioneiro da indústria automobilística quis provar que é possível
especializar as tarefas e decompor o trabalho em gestos elementares,
racionalizando a produção e aumentando o rendimento.
Foi o que ele fez e, depois disso, seus operários deixaram de girar em torno do
automóvel que estava sendo montado e a cadeia de produção passou a desfilar face
a face com o posto de trabalho. Em seguida, bastou cadenciar os movimentos e
padronizar o todo — os veículos deviam ser idênticos "como dois alfinetes saídos
de uma fábrica de alfinetes", dizia Ford.
Henry Ford foi um precursor neste tipo de produção, mas ele retirou a sua
inspiração de Frederick Winslow Taylor, o qual era um apaixonado pelo estudo do
trabalho humano e um grande maníaco pelo cronômetro.
Em 1911 Taylor, inventava a "Organização Científica do Trabalho" que, sob seu
ponto de vista, deveria aumentar a produtividade reduzindo o "ócio" dos
operários. Ele estava convencido de uma "cooperação amigável" entre o patrão e
os trabalhadores para aumentar a produção, pois isso permitiria acelerar
simultaneamente os benefícios de um e os ganhos do outro.
Por volta de 1916, o engenheiro francês Henri Fayol identificou os quatorze
princípios da eficácia operacional, através do seu livro "Produzir Mais é a
Prioridade". Para Fayol, autoridade, disciplina, obediência e hierarquia eram as
palavras de ordem, embora ele também falasse em "bondade, equidade e boa vontade
face aos operários" porque ele retirou lições da sua experiência como diretor
das minas de Commentry.
As idéias de Taylor e de Fayol se complementavam, apesar de divergirem em alguns
pontos como a "unidade de comando" – por exemplo – da qual Fayol não abria mão.
Em 1911 Taylor lançou seu livro "Princípios da Gestão Científica", o qual é
considerado por muitos acadêmicos como "um verdadeiro manifesto revolucionário
sobre o redesenho dos processos, visando aumentos espetaculares da
produtividade". Com ele, Taylor lançou os fundamentos da Gestão Científica, cujo
legado ainda está vivo em muitas empresas até hoje.
Em 1916 foi a vez de Henri Fayol publicar sua obra - Administração Geral e
Industrial – quando ele identificou as áreas funcionais de uma empresa e
diferenciou a Gestão Empresarial, colocando-a no centro da organização: Ele
dizia que "gerir é prever e planear, organizar, comandar, coordenar e
controlar". Esta definição gerencial foi largamente usada durante todo o século
XX.
Dessa forma, o período compreendido entre 1908 a 1920 ficou sendo conhecido como
"Gestão Científica" em função das contribuições que esses três (3) personagens
forneceram para que a Administração de Empresas se tornasse uma ciência.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 / www.profigestao.blogspot.com