Indicadores como Ferramenta de melhoria contínua nas operações logísticas
Por Dionilson J. Pinheiro Filho
02/08/2007
A partir de indicadores de desempenho é possível mensurar e acompanhar o
desenvolvimento operacional. Identificar, quais os gargalos (teoria das
restrições) e pontos mais críticos da organização, quais os processos que devem
receber um maior foco por parte dos gestores para a obtenção do resultado, seja
ele operacional ou financeiro, deve ser o objetivo dos indicadores, funcionando
como um espelho da organização.
A determinação de metas desafiadoras, porém factíveis, para esses índices
funciona como um motivador para a operação, levando a todos os responsáveis das
equipes de trabalho a uma cultura de superação de resultados através de um
processo de melhoria contínua. As metas alcançadas tendenciam uma
operacionalização mais focada nos resultados que a organização quer atingir.
Esse foco em resultados não deve ser entendido apenas como a busca incessante
por resultado financeiro, mas também, e cada vez mais, como resultado da
qualidade dos serviços prestados, pois a competitividade crescente do mercado
deve ser encarada não apenas com o preço, mas também com o valor oferecido,
buscando ganhar vantagem diante da percepção dos clientes atuais e potenciais.
Quando então falamos de serviços de logística, essa preocupação e foco na
qualidade dos serviços e resultados operacionais consistentes para o cliente se
tornam ainda mais evidentes e necessárias. Essa afirmação torna-se cada vez mais
verdadeira, pois a logística organizacional vem se tornando a principal fonte de
redução de custos e de ganhos operacionais para as empresas, passando a ser não
só um diferencial competitivo, mas também um excelente fator ganhador de pedido
no mercado, e até mesmo, um fator crítico de sucesso para algumas empresas.
Diante desse cenário mais específico na área da logística, esse processo de
medição de desempenho não corresponde simplesmente a medir uma ou outra ação ou
a uma tentativa de melhor visualizar a posição da empresa no mercado. Os
indicadores de desempenho devem ser determinados como um desmembramento da
missão, valores e objetivos organizacionais, e ainda, das diretrizes
estabelecidas pelos dirigentes da empresa.
Assim, os indicadores logísticos devem mensurar não apenas os desempenhos
operacionais e financeiros, mas também mensurar a percepção dos clientes aos
serviços da empresa, e a percepção do próprio mercado. Por conta disso, os
indicadores podem ser classificados como internos, em que a mensuração deve ser
embasada em comparativos entre atividades/processos com metas e/ou operações
anteriores; ou externos, que se embasam na percepção do cliente diante da
operação e/ou serviço da empresa
Quanto a esses indicadores externos cabe uma observação interessante e de grande
relevância para sua análise e posteriores ações de melhorias: cada cliente pode
apresentar uma visão diferente dos produtos e/ou serviços, de acordo com cultura
e realidade de cada um.
Assim, pode-se dizer que os indicadores de desempenho apresentam valores
distintos diante de cada cliente e do que eles valorizam, portanto, cada
cliente/demanda justificam um maior empenho em um grupo maior de variáveis e
indicadores. Com isso, os indicadores logísticos ainda devem se basear nos
pontos cruciais identificados pelos clientes.
A partir então da mensuração dos resultados financeiros, operacionais e daqueles
que são importantes para o cliente, é possível identificar quais devem ser os
pontos de atuação da empresa para seu crescimento, ou seja, a partir dos
indicadores e do alcance ou não de suas metas, pode-se direcionar os esforços
para aqueles itens que são considerados mais críticos e que necessitam de
melhoria. A organização passa a ter a base para “rodar” o PDCA, sigla que, em
português, significa Planejar, Fazer, Checar e Agir corretivamente para um dado
processo ou resultado, com o objetivo da busca incessante da melhoria contínua.
“Rodar” o PDCA corresponde em: planejar ações para resolução de problemas ou
para melhorias de processos; executar as ações conforme planejamento; verificar
os resultados das ações executadas; e corrigir os erros identificados para se
chegar aos resultados esperados. Esse ciclo do PDCA, norteado pelos indicadores
logísticos, formam o alicerce para uma estrutura gerencial focada na excelência
das operações e, conseqüentemente, na satisfação dos clientes.
Dionilson J. Pinheiro Filho é administrador, Pós-Graduado em Logística
Empresarial pela UNIFACS com experiência em gestão de operações logísticas
(distribuição urbana, transferência, multimodais, logística interna/expedição de
indústria) e gestão e implantação de processos logísticos, além de implantações
de sistemas, coordenação de programas de qualidade/avaliação de clientes.
Certificado como auditor interno do SASSMAQ e ministrante de cursos na área de
logística.