Logística Reversa e o Desenvolvimento Sustentável
Por Dionilson J. Pinheiro Filho
08/09/2007
A cada dia aumenta mais a preocupação da sociedade e de grupos ambientalistas
para a realização de ações efetivas que possam promover uma redução da
degradação ambiental, uma maior conservação do meio ambiente, até mesmo por meio
de uma legislação mais severa quanto à responsabilidade ambiental das empresas.
Diante desse quadro, e pela responsabilidade social que uma empresa assume na
sociedade, ela passa a se preocupar com ações que possam reduzir os impactos de
suas atividades na natureza e/ou sociedade, objetivando ser ecologicamente
correta e melhorar sua imagem no mercado como uma empresa que se preocupa com as
questões sócio-ambientais e com o desenvolvimento sustentável.
Muitas podem ser as ações realizadas por empresas para assumir uma posição
socialmente responsável e ecologicamente correta, e hoje, uma das que pode
trazer não só benefícios intangíveis, como um reconhecimento da sociedade, mas
também trazer retornos financeiros e operacionais é a Logística Reversa.
Contudo, esta ainda não é muito explorada pelas organizações.
Talvez por falta de informação ou por falta de conhecimento técnico sobre o
assunto, até pelo pouco acervo bibliográfico a respeito do tema no Brasil,
algumas empresas não identificam a Logística Reversa como uma ação socialmente
responsável e que pode reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços
associados, com o acréscimo de uma melhor percepção da sociedade e dos seus
mercados.
Para ficar claro como essa operação pode contribuir muito para isso, faz-se
necessário conceituá-la: Logística Reversa, como o termo já declara, corresponde
ao caminho inverso da logística, ou seja, inicia-se no ponto de consumo dos
produtos sendo finalizada no ponto inicial da cadeia de suprimentos, tendo como
principal objetivo o reaproveitamento e reciclagem de produtos e materiais, com
a reutilização destes na cadeia de valor. Assim, a Logística Reversa se
responsabiliza pelo retorno dos bens de pós-venda e pós-consumo ao ciclo de
negócios ou ao ciclo produtivo, agregando-lhes valor.
Os bens de pós-consumo são aqueles que já foram utilizados e que chegaram ao fim
de sua vida útil, mas que ainda podem ser aproveitados para outros fins
específicos. Para esses bens de pós-consumo existem três canais de distribuição
reversa (CDR): o reuso, a reciclagem e o desmanche. O primeiro corresponde à
reutilização do bem que fora descartado pelo consumidor, mas que sua vida útil
ainda não chegou completamente ao fim; a reciclagem corresponde à transformação
industrial do bem em matéria-prima para produção de outros bens; e o desmanche
corresponde à desmontagem do bem para que seus componentes possam ser utilizados
para composição de outros.
Por sua vez, produtos de pós-venda são aqueles que não chegaram a ser utilizados
ou cuja vida útil foi muito pouco desgastada e que serão integrados novamente ao
mercado. Vários podem ser os motivos para o retorno de produtos de pós-venda à
cadeia produtiva, dentre eles podemos citar: excesso de estoque, erros na
elaboração de pedidos, validade vencida, defeitos de fabricação, entre outros.
Para esses bens vários podem ser os CDRs: os mesmos dos bens de pós-consumo,
mercados secundários, serviços agregados, entre outros.
Para que o sistema logístico reverso seja realizado, é necessário que haja um
conhecimento e comprometimento de todos os componentes da cadeia, isso porque
esse processo só pode existir diante de uma conscientização de todos os
envolvidos, desde o produtor até o consumidor final, passando pelos
varejistas/atacadistas. Nesse processo, novas necessidades de operações
logísticas surgem para o atendimento aos CDRs, o que aquece todo o sistema
logístico e de distribuição e favorece a redução dos custos globais, passando a
ser ainda um diferencial competitivo numa economia globalizada. Além disso,
favorece a redução de utilização de insumos da natureza através de fontes de
energia alternativas (biodíesel, biomassa, energia eólica, etc.) e uma postura
ecologicamente correta quanto aos materiais que seriam descartados.
Dessa maneira, todos os envolvidos na cadeia de suprimentos têm sua parcela de
responsabilidade para um resultado eficaz da Logística Reversa, em que materiais
e equipamentos, antes simplesmente descartados nos lixões sem quaisquer cuidados
com possíveis impactos ambientais possam ter uma nova finalidade dentro de um
processo produtivo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da
sociedade.
Dionilson J. Pinheiro Filho é administrador, Pós-Graduado em Logística
Empresarial pela UNIFACS com experiência em gestão de operações logísticas
(distribuição urbana, transferência, multimodais, logística interna/expedição de
indústria) e gestão e implantação de processos logísticos, além de implantações
de sistemas, coordenação de programas de qualidade/avaliação de clientes.
Certificado como auditor interno do SASSMAQ e ministrante de cursos na área de
logística.