O que é Estratégia
Por Wagner Herrera
09/01/2008
Algumas definições (em Administração) clássicas do vocábulo:
- “Medidas que visem diretamente modificar o poderio da organização em relação à
concorrência”. (Konichi Omae)
- Orientações que possibilitem melhor posicionamento da organização no ambiente.
- “Conjunto de decisões que determinam o comportamento a ser exigido em um
determinado espaço de tempo”. (Simon)
- “Forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório, com base em um
procedimento formalizado e articulador de resultados”. (Mintzberg)
Definições são delimitações precisas, exatas de um conceito, no caso o conceito
de estratégia, mas elas pouco explicam em termos práticos!
A Administração Estratégica desenvolve o conjunto de orientações, decisões e
ações estratégicas que determinam o desempenho superior de uma empresa longo
prazo”. Este conjunto de medidas quando formalizado e implementado configura o
Planejamento Estratégico.
O ambiente empresarial tem duas dimensões: a externa (indústria) que define o
ambiente de competição e, a interna da organização. Na dimensão externa Michael
Porter desenvolveu a teoria da atratividade da indústria (conjunto de empresas
que competem num mesmo mercado) determinando as cinco forças que segundo ele “a
chave para o desenvolvimento de uma estratégia é pesquisar em maior profundidade
as fontes de cada força” (1986) e assim “A essência da formulação de uma
estratégia competitiva esta na relação da empresa com seu meio ambiente” (1986).
Estas cinco forcas são: 1. Rivalidade entre concorrentes, pois não se pode
combater (competir) sem o conhecimento profundo do adversário (concorrente) 2.
Entrantes potenciais, 3 e 4. Poder de barganha de fornecedores e clientes e 5.
Ameaça de produtos substitutos.
A matriz SWOT - Criada por Kenneth Andrews e Roland Christensen, dois
professores da Harvard Business School sintetiza a essência da estratégia.
Analisa o ambiente externo pelas oportunidades e ameaças, o que vai de encontro
à teoria de Porter sobre da atratividade da indústria. No ambiente interno a
SWOT considera as forças e fraquezas da organização e aqui Porter com a teoria
da Cadeia de valor composta das atividades primárias (processos de
comercialização) e secundárias (infra-estrutura – processos estruturantes) da
organização que contribui em muito na analise das causas das fraquezas da
empresa merecendo ser cuidadosamente estudada.
Prahalad e Hamel (1998) também se preocuparam com o ambiente interno da
organização desenvolvendo a teoria das Competências Essenciais entendida como
aprendizagem organizacional, a competência de absorver, criar e integrar
diferentes tecnologias, o grau de comunicação, estímulos e programas que
potencializam a motivação, o envolvimento e comprometimento da forca de
trabalho, suprimindo as fraquezas para criar a vantagem competitiva sustentada,
pois pelo Princípio de Gause: “Os competidores que conseguem seu sustento de
maneira idêntica não podem coexistir”.
OS japoneses contribuíram em muito no desenvolvimento de técnicas voltadas a
eficiência operacional com o desenvolvimento da filosofia Kaizen (melhoria
contínua - Masaaki Imai). O conceito de Kaizen engloba uma série de inovações de
gestão até então tratadas separadamente: Controle da Qualidade Total e Gestão da
Qualidade Total, Just in Time, Kanban, Zero Defeitos, Círculos de Qualidade,
Sistemas de Sugestões, Manutenção Produtiva Total, Orientação para o Consumidor,
Robótica, Automação, 5 S’s, Atividades em Grupos Pequenos, Relações Cooperativas
entre Administração e Mão de Obra e Melhoramento da Produtividade.
Segundo Porter em seu artigo – O que e estratégia (Harvard Bussiness – 1996) a
eficiência operacional não é estratégica! Porem ela leva ao aumento de
produtividade e conseqüentemente a custos mais baixos e o próprio Porter diz que
existem somente três estratégias genéricas: Custos, Diferenciação e Foco,
então...?
Voltando nas definições de estratégia, este conjunto de orientações, medidas,
decisões se aplicam à empresa como um todo para aproveitar as oportunidades e
defender-se das ameaças do mercado, bem como debelar as fraquezas e usufruir das
forças da organização. Pode-se entender estratégia como um conjunto de táticas
implementadas nos vários departamentos, mas que tenham um diferencial no
mercado. Sun Tzu (Arte da Guerra) dizia que “todos os homens podem ver as
táticas pelas quais eu conquisto, mas o que ninguém consegue ver é a estratégia
a partir da qual grandes vitórias são obtidas”. Mintzberg também cita nos seus 5
P’s da estratégia, ela como Trama (Ploy): “A estratégia pode ser aplicada com a
finalidade de confundir, iludir ou comunicar uma mensagem falsa ou não, aos
concorrentes”.
Uma organização deve funcionar como um sistema e aqui, a metáfora da orquestra é
apropriada: um regente proficiente no comando, cadenciando (sincronia) os
integrantes, partitura explicitas (plano de ação), ensaios (treinamento),
afinação (sintonia) como na implementação do planejamento estratégico que exige
forte liderança, objetivos e metas formalizadas e factíveis, um slogan
(declaração do negócio), propósitos e identidade (missão), um “norte” (visão)
que criem comprometimento com a “causa” nos colaboradores.
Quanto à implementação do plano estratégico, Kaplan e Norton – criadores da
metodologia BSC - sugerem que quatro perspectivas devem ser seguidas: 1.
Proprietários e Acionistas, 2. Clientes, 3. Processos Internos e 4. Aprendizagem
e estruturação, para monitoramento e gerenciamento do processo.