Que leis de Newton que nada! As leis que regem a logística são as leis de Murphy...
Por Dionilson J. Pinheiro Filho
08/07/2009
Quem nunca se deparou com veículo com problemas mecânicos justamente nos dias de
maior volume, quando a disponibilidade e utilização de veículos tem que ser de
100%? Ou com problemas de sistema exatamente no momento da emissão da nota
fiscal? Ou ainda com problemas no leitor óptico quando da separação e montagem
de carga no armazém em dias de pico operacional? Várias seriam as situações que
poderiam ser descritas, e, parece que de propósito, acontecem quando está tudo
aparentemente tranquilo ou quase finalizado, na sexta à tarde ou dias de sábado.
Por essas e outras é que se afirma que as leis de Murphy estão presentes nas
operações logísticas...sim, elas existem de verdade! Abaixo algumas mais
frequêntes nas operações logísticas:
Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior
maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível;
Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguir
driblá-las, uma quinta surgirá do nada;
Entre dois acontecimentos prováveis, sempre acontece um improvável;
Entregas de caminhão que normalmente levam um dia levarão cinco quando você
depender da entrega;
Não é possível sanar um defeito antes das 17 e 30h da sexta-feira. O defeito
será facilmente sanado as 08 e 01h da segunda-feira.
Além desses exemplos das leis de Murphy, outras parecidas podem ser
identificadas no dia-a-dia de quem trabalha com logística: se durante uma
operação logística você não receber nenhum comunicado de algum problema
ocorrido, não se desespere...a operação ainda não acabou; ou ainda: no dia em
que você precisar de maior número de carros para carregar, aqueles que estão
todos os dias vazios em sua porta, neste dia, não estarão disponíveis. Essas
situações levam até a algumas pessoas darem a logística uma definição bem
objetiva: logística é problema. Mas será que este conceito está correto?
É sabido que os resultados das operações logísticas são muito vulneráveis, pois,
durante a sua realização, sempre apresentam situações inesperadas que exigem
ações ágeis e eficientes para contornar a situação e evitar que o resultado
final seja prejudicado, e isso ocorre porque as operações logísticas são
influenciadas por diversos fatores e por diversas áreas, já que na cadeia de
suprimentos são várias as etapas existentes até que o produto seja consumido
pelo cliente final, ou melhor, até que o cliente final fique satisfeito com o
produto e serviço que adquiriu. Fazer com que o produto chegue no local certo,
no momento certo e a um custo competitivo com qualidade não é tarefa fácil.
Contudo, essa vulnerabilidade da logística frente a essas situações e às leis de
Murphy pode ser reduzida. Existem processos logísticos já amplamente difundidos,
bem como sistemas operacionais que favorecem maior segurança e estabilidade
operacional, mas, além disso, faz-se necessário muito planejamento, uma execução
eficaz e, principalmente, pessoas capacitadas e com conhecimento sistêmico de
todo o processo para que o objetivo final seja alcançado.
O planejamento operacional é a primeira e mais crítica etapa para se conseguir
bons resultados. Se o planejamento não for bem feito, a possibilidade de haver
erros operacionais é muito maior e com conseqüências mas graves. Daí a
necessidade de que os envolvidos tenham um pensamento sistêmico de todo o
processo envolvido: não adianta pensar apenas no operacional, é necessário
identificar todas as áreas envolvidas - fiscal, financeiro, contábil, TI,
estoque, etc. - e os cuidados que devem ser tomados diante das variáveis de cada
uma delas: condição de pagamento, disponibilidade em estoque, prazo de entrega,
validade do produto, tributos, fornecedores, enfim, todos os fatores envolvidos.
Só que, mesmo assim, as leis de Murphy não são completamente eliminadas.
Uma vez concluído o planejamento, chega a hora da realização. Uma execução
disciplinada e eficiente obviamente depende de pessoas que sejam capazes de
cumprir com o programado e, além disso, de tomar decisões e agir diante de
situações controversas, já que as leis de Murphy não são totalmente inevitáveis.
Para essa execução, a preparação das pessoas deve ser algo constante. A
atualização sobre novos processos, sobre sistemas de gestão e a disseminação de
boas práticas são de grande importância para se conseguir profissionais cada vez
mais capacitados e dinâmicos para atuação nas operações logísticas. Isso
favorece a liderança de pessoas, direciona as ações para os resultados e
proporciona uma motivação para a melhoria contínua.
Sendo dessa forma, a logística e suas operações só são problemas quando não
trabalhadas corretamente, ficando aquele conceito mencionado acima totalmente
negado. A logística é um processo que, quando corretamente direcionado e bem
acompanhado, traz ganhos para toda a cadeia de suprimentos. Só é preciso estar
preparado.
Dionilson J. Pinheiro Filho é administrador, Pós-Graduado em Logística
Empresarial pela UNIFACS com experiência em gestão de operações logísticas
(distribuição urbana, transferência, multimodais, logística interna/expedição de
indústria) e gestão e implantação de processos logísticos, além de implantações
de sistemas, coordenação de programas de qualidade/avaliação de clientes.
Certificado como auditor interno do SASSMAQ e ministrante de cursos na área de
logística.