Jovens e Adultos Disléxicos
Por Eliane Pisani Leite
28/07/2007



É comum encontrarmos jovens e adultos disléxicos, porém muitas vezes nem eles mesmos sabem do seu problema, pois não passaram por um diagnóstico.

Quando o problema não é resolvido a tempo, ou seja ainda na infância, o adulto pode ter duas saídas, ou abandonar os estudos, ou enfrentar as dificuldades com muita humildade assim transpondo barreiras e até mesmo preconceitos.

Muitas são as dúvidas do adulto disléxico. Vamos resumidamente tentar responder as mais freqüentes, utilizando para isso o livro “Nem sempre é o que parece” da Associação Brasileira de Dislexia.

1 - Os adultos podem beneficiar-se com um tratamento tardio?

Podem e devem se beneficiar com um tratamento específico. Esta pode levar um certo tempo para atingir as metas propostas, considera-se que após um período de 2 anos de ensino regular e estruturado, resultados encorajadores podem ser obtidos. Se o tratamento se concentrar nas atividades preferidas, uma melhora no nível de competência na leitura pode ser atingida. Escrita e soletração inevitavelmente ficam para trás e a ajuda deve ser especificamente ajustada às próprias necessidades/habilidades, tais como: escrever letras, escrever cartas, preenchimento de fichas, etc.

2 – Que tipo de testes são usados para diagnosticar a dislexia nos adultos?

Pelo fato de adultos e crianças disléxicas possuírem as mesmas características primárias, os testes do diagnóstico medirão o funcionamento das mesmas áreas de habilidades, entre elas estão incluídas: teste de aquisição fonológica, decodificação de palavras simples, alfabeto, soletração, tipo de escrita, redação, vocabulário, compreensão e os testes psicológicos (intelectuais, emocionais e cognitivos).

3 – É diferente a dislexia da criança da dilexia do adulto?

Para melhor entender a resposta basta a explicação segundo Patton e Polloway (1.992): adultos disléxicos são pessoas que não tiveram orientação adequada e permanecem ainda com as dificuldades que apresentam já na infância.

4 – Se o diagnóstico revelar que tenho dislexia, que tipo de tratamento irá me ajudar?

Em casos mais acentuados, é indicado aquisição fonética (letras e sons), leitura, soletração, vocabulário, escrita e interpretação.

Na intervenção serão focadas três áreas:
- Remediação imediata – esta implica em rever a parte lingüística;

- Modificação e acomodação – modificar hábitos e regras, como por exemplo: aumentar o tempo nas provas, pedir para que alguém o ajude a tomar notas, dividir um livro de histórias etc.

- Uso de tecnologia: fita cassete; calculadora e computador.

5 – Como suspeitar que um adulto pode ser disléxico?

Um número razoável de fatores nos faz suspeitar que um adulto seja disléxico. Muitas definições de dislexia destacam a discrepância entre sua inteligência (normalmente acima da média) e suas habilidades lingüísticas. Por exemplo, um engenheiro ou outro profissional que tenha problemas com a leitura e escrita, pode ser disléxico.

É comum um adulto disléxico – ainda não diagnosticado – ao tomar conhecimento do que é a dislexia e quais são seus sintomas, imediatamente se reconheça como tal, pois convive com esses sintomas desde a infância.

6 – Os disléxicos adultos serão capazes de ler e escrever?

Sim, eles serão capazes de ler e escrever. Dislexia não significa incapacidade para tal, mas uma dificuldade que se manifesta principalmente em face do ensino acadêmico convencional. As diferenças nas estruturas do cérebro irão requerer métodos de ensino alternativos.”

Dessa forma espero ter contribuído com um pouco mais de informações sobre as dificuldades de aprendizagem e quanto mais esses conhecimentos se expandirem, com certeza teremos menores índices de desistência escolar.



Eliane Pisani Leite - Autora do livro: Pais EducAtivos

Pisicologia Acupuntura Psicopedagogia - pisani.leite@terra.com.br