Pais EducAtivos
Por Eliane Pisani Leite
26/07/2007


A dura tarefa que cabe a nós Psicólogos, quando o assunto é Orientação de Pais e Educadores, tem sido muito discutida e motivo de diversos debates. Uma vez que nos últimos anos a família tem passado por transformações cada vez mais difíceis de serem digeridas por todos os membros da mesma, o qual inclui pais, avós, tios e outros parentes.

Este foi o motivo para a escolha do nome deste livro, lançado por mim em 2006: “ Pais EducAtivos”.

Quando nos referimos ao termo Família, precisamos parar e repensar no contexto e ampliação que o termo envolve. A pergunta elucida as seguintes questões: “A família compreende em: pai e filho?; mãe e filho?; avós e neto?; pai, mãe e filho?; casal homo ou heterossexual?, e por aí a fora”.

Diante do cenário da atual constelação familiar, nossa tarefa torna-se mais complexa, porém desafiadora aos nossos tempos.

Podemos começar falando sobre a maternidade. Nos tempos atuais a mulher tem a opção de fazer uma escolha consciente e livre se deseja ter um filho numa produção independente ou não, quando opta pela união a um parceiro e deseja formar uma família nos moldes tradicionais, não pode esquecer de contar com a presença do destino que ira ditar se esta união será ou não, por longos anos ou para a vida toda. Ainda assim uma mulher tem o poder de tomar uma decisão. Algumas têm ainda o livre arbítrio de decidir por uma gestação sem comunicar ao parceiro, dessa forma satisfazendo sua necessidade pessoal de procriar, porém cometendo um grave erro com relação ao seu papel social. Nestes casos o conflito familiar pode estar se desencadeando antes mesmo desta criança ter nascido, isso acontece pelo fato do pai sentir-se traído em sua confiança pela parceira, automaticamente as coisas não foram programadas e nem esclarecidas com antecedência. Não sabemos os motivos que esse parceiro tinha para não querer esse filho naquele momento, isso só ele pode dizer, e ás vezes seus motivos são muito coerentes não justificando a paternidade no momento.

O exemplo citado acima serve apenas para elucidar formas de se constituir famílias nas quais poderão desencadear problemas futuros para os filhos.

Hoje em dia as mães estão muito preocupadas com os erros que podem cometer, dessa forma deixando de viver o prazer da maternidade e não se fortalecendo para lidar com os inúmeros problemas do dia-a-dia. Esse medo muitas vezes gera insegurança maior para a mãe, fazendo com que tome medidas algumas vezes insensatas perante os filhos, gerando uma atmosfera de tensão para todos envolvidos.

Toda mãe precisa construir uma identidade segura para poder educar, deve estar atenta a seus verdadeiros sentimentos em relação aos filhos, aceitando esses sentimentos , mesmo que algumas vezes pareçam contrários à criança, o que não significa que serão prejudiciais ao filho. Torna-se sim necessário, que reconheça suas falhas e busque meios para superá-las.

Aprendendo a compreender o universo infantil, sempre será mais fácil, a “complexa” tarefa de educar.

Podemos ter em mente alguns conceitos que servirão de base para os impasses da rotina familiar. São eles:

- Educar é respeitar a fase do desenvolvimento da criança, para que isso seja bem sucedido é importante conhecer as fases do desenvolvimento da criança, aprendendo assim quais as características de cada estágio, ciente desse processo fica mais fácil fazer um planejamento com regras de disciplina que possam ser almejadas em longo prazo.

- Educar é respeitar a individualidade da criança. Toda regra estabelecida na educação, deve ser aplicada levando-se em conta a situação específica do momento, vejo aqui uma das maiores dificuldades dos pais na educação, pois acabam por ficarem confusos ao se depararem com situações não previsíveis às quais as regras pré-estabelecidas não se enquadram no momento. Nestas situações faz-se necessário o uso do bom senso e discernimento para avaliar com clareza o fato ocorrido e dessa forma tomar medidas plausíveis para contornar o problema em questão.

- Educar é respeitar o ritmo da criança, como também o momento do seu desenvolvimento. É necessário muitas vezes aguardar que a própria criança desenvolva estruturas para superar algumas de suas dificuldades, evitando assim tomar postura de resolver situações pela criança, não deixando espaço para que ela própria adquira tais experiências. O melhor que os pais podem fazer nesse momento é mostrar-se tranqüilos, receptivos e oferecendo apoio se solicitado.

- Educar é conviver com a criança, caminhar a seu lado e não por ela, pode sim oferecer seu exemplo que é uma das melhores formas de ensinar, e nunca esquecer que para educar é necessário tempo para dar dedicação e amor.

Os negócios e o trabalho da mulher, hoje tem deixado pouco tempo para a dedicação à família, principalmente aos filhos. Com tanto corre-corre, é muito comum ouvir queixas por parte dos filhos com relação à ausência da mãe, isso quando a criança tem idade para poder expressar o que sente.

A mãe por sua vez sente-se muitas vezes culpada por esse distanciamento necessário. Por isso ficar longe dos filhos é motivo de angústia e ansiedade para a maioria das mães que trabalha fora. Infelizmente, a cada dia que passa a mulher encontra-se cada vez mais num mercado competitivo e sendo necessário sempre se aprimorar e melhorar suas condições de trabalho e formação. Diante de tal quadro a única alternativa é tentar amenizar a situação, o mais importante é ter consciência de que a criança não deixará de amá-la. Esta e tantas outras situações desde a escolha do nome, a chegada do irmãozinho, quando e como escolher a primeira escola, como estimular a inteligência, gagueira, desobediência, crise entre o casal, yoga e acupuntura para crianças, clonagem humana, desnutrição infantil, sonhos, religião, notas baixas e inúmeros outros artigos compõe esta obra que está fundamentada em conceitos psicanalíticos, psicopedagógicos e na Psicologia, áreas as quais o trabalho de Orientação de Pais e Educadores recorre para nortear sua prática..

Neste livro nossa intenção é oferecer subsídios para auxiliar os pais e educadores a desenvolverem uma visão mais consciente da estrutura psíquica de seus filhos, amenizando dessa forma maiores problemas que possam acarretar a falta de informações e conhecimentos específicos a respeito das fases do desenvolvimento humano. Neste campo é que a Psicologia pode trazer inúmeros benefícios a todos, por tratar-se de uma ciência que estuda o comportamento humano.

Nos capítulos inseridos no livro descrevemos algumas das maiores dificuldades que todo pai encontra na formação de seus filhos, salientamos também as fases do desenvolvimento, suas principais características, visando com isso fortalecer o vínculo afetivo familiar.

Quando se esclarecem fatos e comportamentos que não compreendemos, criamos mais recursos internos para lidar com a situação.

Você que é pai ou educador só pelo fato de consultar a literatura da área já se encontra em meio caminho andado para efetuar uma educação mais consciente e feliz



Eliane Pisani Leite - Autora do livro: Pais EducAtivos

Pisicologia Acupuntura Psicopedagogia - pisani.leite@terra.com.br