Primeiros Passos no Atendimento Psicológico Dentro do Hospital

Por Susana Alamy

Ao chegar ao hospital pela primeira vez o estagiário ou psicólogo não sabe por onde começar. Sente-se perdido, não compreende a terminologia técnica do vocabulário utilizado. Os pacientes são muito diferentes daqueles vistos em psicologia clínica e são em número muito maior, reunidos em um mesmo espaço físico. A supervisão é uma demanda urgente, bem como conhecimentos técnicos-científicos.

A experiência em lidar com estagiários mostra que o primeiro contato em psicologia hospitalar deve ser feito com livros e cursos. Já dentro do hospital, o estagiário ou profissional deve ser apresentado aos funcionários e médicos, aos locais físicos em que irá trabalhar. Deve nos primeiros dias observar os doentes, seus familiares e a atuação das pessoas, familiarizando-se com o ambiente de trabalho.

É recomendado que se faça um anteprojeto de trabalho, com a proposta inicial da sua atuação, com levantamento de bibliografia e especificação do tipo de doença do paciente a ser atendido.

Uma visão global dos pressupostos da psicologia hospitalar ajudam o estagiário/profissional a se posicionar. Ele deve ser paciente em suas observações, tornando mais criterioso o seu modo de seleção dos atendimentos.

Deve informar-se, de modo geral, sobre:

  1. Diagnóstico

  2. Prognóstico

  3. Propedêutica

  4. Grau de risco de vida

  5. Tempo de internação (até o momento do início do atendimento e a previsão do tempo total)

  6. Cuidados especiais com determinado doente

Por exemplo: Um paciente renal crônico em hemodiálise apresentará características muito distintas de um paciente neurológico.

Traçar as primeiras impressões do paciente visitado e da área de atendimento, poderá ajudá-lo a fazer um diagnóstico situacional e a partir de então dar-lhe a idéia das primeiras ferramentas de trabalho a serem utilizadas.

1. Estabelecimento da forma de atendimento:

O doente deverá ser encaminhado pelo médico?

Pela enfermagem?

Deverá o psicólogo abordar aquele que ele julgar necessitado de acompanhamento psicológico?

Deverá atender a todos ou só aos encaminhados?

2. Estabelecimento do tempo de duração do processo terapêutico:

Do início do atendimento até a alta hospitalar e/ou alta da psicologia?

Determinado número de sessões para trabalhar os sintomas-foco?

3. Critério de atendimento - técnica a ser utilizada:

Ludoterapia?

Arteterapia?

Psicodrama?

Terapia individual?

Terapia em grupo?

O hábito de fazer relatório dos seus atendimentos é muito útil. Através destes se tem feed-back dos atendimentos, além de possibilitar estudos estatísticos futuros. Os relatórios nos possibilitam reestudar um caso e observar as falhas e os sucessos do atendimento. Devem ser feitos do modo mais completo possível, porém sem serem prolixos e floreados de inutilidade. Devem ser técnicos, com vocabulário próprio, sem coloquialismos.

O estudo teórico sempre acompanha os atendimentos e os relatórios. Sem teoria o atendimento ao doente poderia ser realizado por qualquer pessoa disposta a ajudar. A diferença se faz em conhecimentos, responsabilidade nas intervenções e na resolução dos conflitos inconscientes.

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Susana Alamy é Psicóloga Clínica e Hospitalar. Coordenadora de Cursos de Psicologia Hospitalar. Coordenadora e Supervisora de Estágios em Psicologia Clínica e Hospitalar. E-mail para contato: susanaalamy@uol.com.br





 

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