Você é Feliz?
Por Jorge Barros
24/09/2013


Conquistas pessoais, uma promoção no trabalho, abrir o negócio próprio, a casa própria, o carro novo... O que te faria feliz? Passar uma temporada no exterior, conhecer países, morar em um paraíso natural, fazer um trabalho voluntário, mudar o mundo... O que te faria feliz? Mudar a si mesmo, adquirir mais conhecimento, dar aquele toque no visual, entrar em forma... O que te faria feliz? Estar ao lado da pessoa amada e manter seus entes queridos bem próximos a você?

É curiosa a relação que costumamos estabelecer entre a felicidade e resultados finais como conquistar pessoas, conquistar status, chegar lá. Parecemos não estar inclinados a dar atenção ao processo, ao caminho, ao “como”. Também é comum condicionar a felicidade a elementos externos como carro, casa, posses ao invés de repararmos na nossa atitude interna em relação a cada um destes objetos ou bens que possuímos.

Mas será que felicidade e alegria não deveriam estar mais relacionadas ao processo? Gandhi já dizia que “não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” E, para Paulo Freire, “a alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca”. Seja pela sociologia, psicologia ou filosofia, a felicidade costuma estar relacionada a um estado que não depende exclusivamente de fatores externos ou de resultados. Antes depende de nossa disposição (favorável ou desfavorável) em relação a estes fatores. Esta disposição é um componente “atitudinal”, onde a atitude corresponde à avaliação do nosso sentimento em relação ao fator em questão, o que provoca nosso comportamento. Em outras palavras, parece que a felicidade não deveria estar condicionada a um objetivo que se deseja alcançar ou a um problema que se deseja eliminar. E sim relacionada à forma como lidamos com quaisquer destas conquistas ou frustrações. Ela tem a ver com nossa capacidade adaptativa.

Nesse sentido, vale diferenciar adaptação de acomodação. No contexto profissional, por exemplo, seja em decorrência de uma transição de carreira, novo emprego, novo líder, mudanças organizacionais em áreas ou processos que lhe envolvam... Todas estas situações exigem sua capacidade de se adaptar a novos cenários para dar o seu melhor com o menor desgaste emocional. Por outro lado, quando você não está conectado aos propósitos ou não vê sentido em determinadas atividades de trabalho, acomodar-se a elas dia após dia, além de não promover a eficácia de resultados, dificilmente contribuirá para sua satisfação ou felicidade no trabalho porque isto impactará negativamente em seus sentimentos e emoções em relação ao papel profissional. Neste caso, é importante considerar a sua autonomia, trazer a responsabilidade para as próprias mãos, lembrando-se da capacidade que temos para influenciar e transformar o ambiente onde estamos inseridos. Ter uma atitude positiva e perceber a autonomia e o poder que você tem nas mãos para refletir, descobrir, transformar, provocar mudanças e tomar decisões... Talvez sejam estes os ingredientes que temperam seu caminho de felicidade, onde você é o protagonista de sua história.

Jorge Barros é especialista em marketing, formado em Gestão de Negócios pela Unesp e pós-graduado em Administração de Serviços pela USP. Foi gerente de marketing e eventos da revista Publish, coordenador de eventos da ABTG e atua no marketing digital e de relacionamento da Bridge, na prestação serviços e soluções em desenvolvimento humano.