Liberdade - Um produto caro, vendido tão barato
Por Ivan Postigo
23/01/2011
Nós brasileiros não festejamos nossa liberdade, lembramos por conta de um
feriado.
Liberdade, mais do que uma situação é um estado de espírito, por essa razão
alguns homens dão a vida por ela.
Na semana de sete de setembro estive nas cidades de São João Del Rey e
Tirandentes, páginas da nossa história.
É impossível andar pelas ruas, contemplar a magia do lugar, sem refletir sobre o
que aconteceu naquela região.
Infelizmente a falta de tempo não permitiu que pudéssemos ir à Ouro Preto e à
maravilhosa Mariana.
Uma vez em São João é importante uma visita aos túmulos de Tancredo e Risoleta
Neves para agradecê-los, homenageá-los e pedir, onde quer que estejam, que nos
iluminem para que não vendamos tão barato nossa cara liberdade.
Liberdade não é apenas o direito à vida, mas ao pleno exercício de todos nossos
direitos como cidadãos. Homens nascidos livres morrem de tristeza quando desta
são tolhidos.
Será que sempre teremos que tornar nossa santa terra uma terra santa com o
sangue dos entes queridos para que nos lembremos desses valores?
Por que entregamos tão barato nossa liberdade nas urnas, menos de 30 dias depois
de uma data que nos faz lembrar um sonho tornado realidade e não visto por quem
mais sonhou?
A derrama continua, a impunidade se faz presente. Hoje não é corda que cala, são
as cestas básicas que sufocam, aceitas sem constrangimento. Um pouco de comida
na boca inibe a mente que protesta.
As arenas de Roma estão nas nossas periferias e cidades, onde o drogado e
abandonado homem, como fera, ataca aqueles que alcança.
E o pão? Ah, esse emudece e engana a consciência.
Leia e assista os jornais, verá o descaso, a falta de respeito, a roubalheira, o
desinteresse pelo país e pela nação.
Apesar de tudo isso poucos se importam com a ficha limpa, sabe por quê? Porque
votamos com a consciência suja!
Nos primeiros anos de escola aprendemos sobre a inconfidência mineira e nos
lembram sempre a traição que levou à forca um sonhador. Devem continuar nos
ensinando que homens podem ser mortos, mas não seus sonhos.
Vejo candidatos que estão há décadas na política, sem qualquer contribuição à
sociedade, se apresentando como renovação.
Oposição no país não existe, a não ser quando um pleito se aproxima. Oposição
custa caro, retira possíveis opositores de suas atribuições e seus ganhos serão
reduzidos.
Um país como o nosso, um povo que pouco desenvolvimento tem visto e nenhuma
riqueza tem conseguido, não precisa de esperança, de promessas, mas de
realidade.
A primeira lição é deixar de viver de compaixão e viver efetivamente nossa
paixão por esta abençoada terra e este povo que negligenciamos.
Chega de cestas básicas e enganações que calam, queremos nossos direitos que
gritam.
Reduzamos os juros e os impostos e com nossas mãos e mentes criaremos os
empregos que levarão prosperidade aos nossos lares e saúde às nossas famílias,
sem ter que enfrentar a vergonha ao estender a mão para esmolas.
Não adianta falar em ordem e progresso sem dignidade e liberdade.
Liberdade da mente que a barriga vazia fez prisioneira. Liberdade da mente que a
falta de dignidade encarcerou.
Liberdade. Liberdade ainda que tardia.
Votemos com a consciência limpa, votemos pela liberdade!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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