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O Mercado da Sustentabilidade

Por Julianna Antunes

14/07/2010

 

Já falei várias vezes o quanto a sustentabilidade é algo recente em nossas vidas. O termo desenvolvimento sustentável tem pouco mais de 20 anos e a sustentabilidade corporativa não mais do que 10 anos. Se pensarmos que o termo está na moda e independente da maturidade das empresas, é “legal” para elas terem pessoas trabalhando em projetos da área (não farei distinção aqui de responsabilidade social, ambiental, fundações/institutos e sustentabilidade), diria que sim, a sustentabilidade criou um novo mercado.

Pelo meu mapa de concorrência, que ainda não está pronto, contabilizo, por baixo, 150 consultorias atuando em projetos e implementação de sustentabilidade nas empresas (isso porque não contabilizei os SESI). Fora as agências de marketing/comunicação que criaram um braço para trabalharem comunicação para sustentabilidade e elaboração de relatórios.

No âmbito das empresas, por mais que a área seja enxuta, temos, na pior das hipóteses, três pessoas trabalhando nela, sem contar o pessoal de meio ambiente, que muitas vezes está alocado em SHE (safety, health & environment). Além disso, para se trabalhar com sustentabilidade é importante não apenas a prática, mas também uma boa base teórica. Já perceberam a profusão de pós-graduações que tratam do assunto e quantas vão surgindo a cada ano? Repararam que a cada mês que publico a agenda de cursos, ela se torna mais e mais extensa?

Com o Protocolo de Kyoto e outros tratados, emitir gases de efeito estufa está cada vez mais caro. Surgiu então no mercado não apenas as empresas que fazem a comercialização do crédito de carbono, como este se tornou um filão para empresas ecoeficientes. E a moda de se plantar árvore para neutralizar esses carbonos? Viram a quantidade de empresas que fazem o estudo do impacto e depois realizam a plantação ou delegam a parceiros a atividade?

E as certificações? Falo tanto do profissional auditor, que tem um mercado cada vez mais aberto, como das empresas habilitadas a certificarem e as que criam as certificações. A ISO está para lançar esse ano (assim espero) a 26000 que trata da responsabilidade social e diz que em 2012 vai lançar o padrão que trata de eventos sustentáveis. A própria BS 8901 foi criada por demanda dos Jogos Olímpicos de Londres... e por aí vai.

Não posso deixar de falar das empresas de software. Apesar de não conhecer ninguém no Brasil que use o programa, uma ferramenta incrível é a LogicNet Plus Carbon Footprint Extension, que traça o rastro de carbono de uma companhia. Tem também o Ariba, que é um sistema de gestão que facilita, principalmente, o monitoramento dos fornecedores levando-se em conta aspectos de sustentabilidade.

Saindo da sustentabilidade corporativa e falando de desenvolvimento sustentável: lixo, que é o calcanhar de Aquiles de qualquer gestor municipal. Neste caso falo não apenas da formação de cooperativas, aproveitando uma enorme quantidade de mão de obra com baixa qualificação, como também de profissionais estratégicos, que vão desde educadores para mobilização para coleta seletiva, até engenheiros para se pensar nas melhores rotas de coleta.

Enfim, poderia ficar escrevendo um sem número de parágrafos para apontar as oportunidades de negócio para empresas e o mercado de trabalho que se criou por causa da sustentabilidade. Mas acho que cabe a cada um que tem interesse na área procurar aquilo que seja melhor para si. Por hora digo apenas que está na moda, é o mercado do futuro e já vem colhendo louros no presente.

Julianna Antunes é Jornalista, corredora de alto rendimento físico e baixo rendimento financeiro, pós-graduada em responsabilidade social empresarial e diretora da Agência de Sustentabilidade, consultoria estratégica de elaboração e implementação de projetos de sustentabilidade. E-mail para contato: sustentabilidade@sustentabilidadecorporativa.com - www.agenciadesustentabilidade.com.br - Blog: www.sustentabilidadecorporativa.com - Twitter: @sustentabilizar
 
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