Uma Silenciosa Catástrofe para a Humanidade
Por Ivan Postigo
23/01/2011
Um título assustador não, um fato que vai nos cobrar um alto preço se não nos
dermos conta do problema e algo não puder ser feito a tempo.
Poucos se importarão com este artigo, mesmo no meio científico o alarme ainda
não disparou.
Há profissionais trabalhando nessa questão, em algumas partes do mundo, mas qual
o caráter de urgência?
Quando, numa conversa com amigos, fiz esta introdução, começou aquela pressão:-
Fala logo, chega de segredos!
Simplesmente as abelhas estão desaparecendo no mundo todo.
A dificuldade maior para descoberta dos motivos da mortandade é que elas
desaparecem, não morrem nas colméias.
Os apicultores se são conta do problema à medida que notam que a quantidade de
abelhas, nos caixotes, vai diminuindo.
Há especulações para esse fato como a monocultura, que não permite que as
abelhas tenham melhores formas de se alimentar, os agrotóxicos, o aparecimento
de um vírus como HIV, e mais uma série de opiniões.
Estudos mostram que as abelhas estão cada vez mais debilitadas e, muitas, não
digerem adequadamente os alimentos.
Os Estados Unidos andaram importando abelhas da Austrália ou Nova Zelândia, pois
tiveram um brutal prejuízo e os apicultores não acreditam que possam agüentar
uma nova onda de perdas.
Já há regiões na China onde as abelhas simplesmente desapareceram e a
polinização é feita pelo homem.
Trata-se o pólen, manualmente, e depois os trabalhadores, com um pequeno bastão,
com penas nas pontas, transferem esse pólen, flor por flor. Dá para imaginar a
loucura que é isso?
Um homem poliniza 30 árvores, enquanto uma abelha três milhões. Uma pequena
diferença!
Sem polinização podemos dar adeus aos frutos?
Isso significa algo preocupante?
Simplesmente dois terços dos alimentos no mundo podem desaparecer e voltaremos a
nos alimentar de raízes?
Em um documentário sobre o assunto um especialista dizia: “As pessoas não se
preocupam porque estamos falando apenas de mais um inseto”.
No meio daquela conversa com os amigos, me perguntaram: - Lembra dos sítios de
laranja que você visitou?
Claro que me lembro, afinal é uma das imagens mais bonitas que se pode ter: “Um
pomar de laranjas florido”.
Vem a bomba: - Não existem mais, as árvores foram todas arrancadas e hoje no
lugar só existe plantação de cana.
Quem já andou entre pés de laranjas floridos sabe da importância das flores para
as abelhas e das abelhas para as flores.
Desaparecendo as flores, diminuem as abelhas, e colocamos em risco todo um
sistema, mas quem liga? São laranjas, flores e insetos.
No próximo lanche que fizer no lugar do suco de laranja, poderá pedir para
acompanhar o seu hambúrguer algum tipo de etanol ou metanol.
Neste momento, em algum lugar, cientistas trabalham para entender o que está
acontecendo com as abelhas e em Embaúba, próximo a Catanduva, nosso querido Dito
Bertati, ainda resiste teimosa e bravamente, com seu pomar de laranjas, tentando
se manter vivo entre pés de cana.
Quem se importa, são só abelhas e uma vida de trabalho desse extraordinário
homem que carinhosamente chamo de “Velho Caboclo”!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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