Sustentabilidade e a Redução do Desperdício da Competência
Por Ivan Postigo
22/01/2011
Uma questão complexa nas empresas é a descoberta e aplicação do capital
intelectual.
Atarefados, despreparados, pouco atenciosos, desinteressados, não importa o
motivo, sempre deixamos de observar competências que poderiam ser desenvolvidas
e aplicadas. Isso acontece em todos os níveis da empresa. Com nosso próprio
potencial intelectual e de nossos comandados e liderados.
Quer descobrir essa riqueza e aplicá-la devidamente?
Faça o seguinte teste: Todos que terminarem a tarefa do dia estão dispensados
para ir para a casa. Verá com que rapidez, criatividade e competência as coisas
serão realizadas.
Vá monitorando o desempenho e atribuindo novas funções e trabalhos de acordo com
as competências observadas.
É verdade que a pressa fará com que alguns cometam erros que deixarão claros não
só os problemas de falta de habilidade e conhecimentos, como também a
negligencia.
Outra descoberta, nesse modelo, será o comprometimento. Da mesma forma como há
um prêmio deve haver uma sanção.
Um aspecto que ficará evidente é a forma como usamos nossas “oito horas”
diárias.
Nosso tempo precisa ser bem aplicado para reduzir custos da empresa e para nossa
progressão profissional. Ocorre que muitos não se dão conta disso.
Há uma série de desperdícios que são gerados pela morosidade e falta de
qualificação profissional.
Maior lotação no local de trabalho significa maior demanda por energia, água,
alimentação, combustíveis, papelaria, telefonemas, limpeza, e assim vai.
Não acredita nisso? Coloque mais uma pessoa dentro da sua casa.
Traga a sogra para morar com você. Epa, não vale morar com a sogra, nesse caso
você é o gasto extra!
Um dos grandes exemplos encontrei quando um executivo japonês nos dizia: - Ainda
que produzíssemos o mesmo que os ocidentais gastaríamos menos aço. Sabem por
quê? Não temos excedente para desperdiçar.
Levando em conta esse raciocínio, se considerarmos que não podemos desperdiçar
competências na empresa, faremos a maior investigação possível sobre as
potencialidades.
Isso vai nos levar a um sério tratamento da avaliação de desempenho, não para
premiação ou cobranças, mas para “escavar essa mina em busca de ouro”.
O mundo, hoje, fala em sustentabilidade com toda razão. A questão é muito séria,
mas deixa de tratar o seu aspecto fundamental: o desperdício de competências.
Lembra a velha fábula do tubo de pasta de dente?
Cada um conta à sua maneira, vamos a uma versão antiga, do tempo que elevador
tinha manivela:
Dois executivos, preocupados em aumentar o consumo de pasta de dentes, para
gerar maior faturamento, conversavam dentro do elevador, imaginando mil
propagandas. O ascensorista, atento à conversa, não perdeu a oportunidade e
perguntou: - Por que vocês não aumentam a boca do tubo?
Ora, por que não fazer isso com nosso tubo de “pasta de competências”.
Aumentamos a boca do tubo e o apertamos do fundo para a boca, espremendo de
forma a retirar tudo o que for possível?
Há um segredo ainda. Ao encher o tubo é importante a qualidade do “produto” que
será colocado. Ao espremê-lo você obterá apenas o que lá colocou. Sacou?
Nesse sentido, a fábula do lenhador serve como exemplo:
Intrigado, um lenhador perguntou a outro: - Como você consegue derrubar mais
árvores do que muitos de nós se o vemos sempre sentado, enquanto damos um duro
danado para cobrir nossa cota?
Respondeu este: - Ao me verem sentado, vocês pensam que estou descansando, mas
se prestarem atenção verão que estou sempre afiando o machado.
Um machado afiado é muito mais eficaz que a força empregada.
Sustentável vem do latim sustentare que significa sustentar, conservar, cuidar,
favorecer, apoiar.
Sustentabilidade, como princípio moderno, tem a ver com ecologicamente correto,
economicamente viável, socialmente justo, culturalmente aceito, então como
desperdiçamos competências e não utilizamos todo nosso potencial e capital
intelectual?
Não tem nenhum sentido ou lógica, devastar e derrubar montanhas de recursos
naturais para gerar outras de puro lixo, porque não fomos capazes eliminar ou
reduzir o desperdício de competências.
Como você está desenvolvendo seu potencial intelectual e usando suas
competências?
Pense nisso!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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