Abastecimento da Produção: Responsabilidade da Produção ou do Almoxarifado?
Por Eduardo Banzato
06/01/2010
No contexto de competitividade global que vivemos nos dias de hoje, a
racionalização e otimização de todas as atividades que não agregam valor aos
produtos é cada vez mais intensa em nossas empresas.
Dentre estas atividades, encontramos várias, tais como: movimentação, estocagem,
espera, transferência e manuseio, entre inúmeras outras que apenas agregam custo
ao produto e nenhum valor do ponto de vista do cliente.
Logo, estas atividades se transformaram em verdadeiros focos de racionalização
nas empresas, onde eliminá-las significa minimizar os custos e, consequentemente,
aumentar a produtividade, tornando a empresa mais competitiva.
O que encontramos entretanto, são muitas empresas que atacam as perdas/ custos
de maneira isolada, onde os ganhos de produtividade aparecem somente em áreas ou
setores isolados, independente dos ganhos globais.
Isto se deve, em muitos casos, à determinação de indicadores de desempenho de
atividades e setores da empresa (produção, manutenção e almoxarifados, entre
outros) independente destes estarem ou não em conformidade com os Indicadores
Globais do Negócio (por exemplo: Lucro Líquido, Retorno sobre Investimentos,
Fluxo de Caixa, entre outros).
Inclusive, muitas vezes, tais indicadores são utilizados como critério de
distribuição de resultados e premiações entre os integrantes de uma determinada
equipe.
Então, o que podemos esperar que aconteça com uma atividade como o Abastecimento
de Produção?
O que podemos observar atualmente é que a atividade de abastecimento da produção
se configura como a interface operacional entre a Produção e Suprimentos/
Materiais e não agrega nenhum valor ao produto.
Sendo assim, notamos alguns conflitos dentro das empresas, a respeito de quem
deve assumir a responsabilidade de abastecer a produção. Em muitas empresas, a
área de almoxarifado entende que deve apenas disponibilizar os materiais em
locais de fácil acesso, para que a produção separe-os conforme a necessidade, e
em outras a Produção entende que os materiais devem estar disponíveis no Posto
de Trabalho e prontos para a utilização.
Quem tem razão?
Por princípio, como a atividade de movimentação de materiais não agrega valor ao
produto, ela deve ser a mais racional possível. Porém, isto não quer dizer que o
Almoxarifado deve abrir mão do abastecimento da produção, pelo contrário, cada
vez mais podemos notar que as atividades de movimentação e armazenagem dentro
das empresas estão se tornando prestadoras de serviços, movimentando os
materiais "de e para" algum lugar.
Ou seja, o Almoxarifado deve assumir uma postura de prestador de serviços para
justificar a sua existência, já que o mesmo não agrega valor ao produto. Porém,
é claro que o mesmo pode administrar esta prestação de serviço a um custo muito
elevado ou com um baixo custo.
A racionalização dos custos deste serviço deve ser um eterno desafio e neste
ponto o Almoxarifado dependerá muito não só da Produção, seu cliente, mas também
de seus fornecedores, pois as boas soluções são encontradas em conjunto,
analisando toda a Cadeia de Suprimentos de forma integrada.
Dentre as possíveis soluções/ oportunidades que podemos observar visando a
racionalização destas atividades, incluem-se:
1- Utilização de tempos ociosos planejados do pessoal da produção, visando o
abastecimento da produção;
2- Desenvolver sistemas de comunicação (visual, eletrônica, ...) alertando sobre
as necessidades da produção;
3- Desenvolver, em conjunto com os fornecedores e clientes do Almoxarifado,
embalagens padrões que propiciem um fluxo de materiais racional;
4- Utilizar tempos ociosos, planejados ou não, do pessoal do Almoxarifado,
preparando e planejando as atividades/ serviços futuros;
5- Utilizar diferentes sistemas de movimentação e abastecimento para itens com
diferentes características de fluxo;
6- Prover um adequado Sistema de Identificação e Endereçamento desde o
recebimento de materiais até o posto de trabalho;
7- Padronizar os procedimentos operacionais de abastecimento de linha;
8- Manter a acuracidade dos saldos de estoques acima de 98% e investigar
sistematicamente as causas de eventuais divergências;
9- Acompanhar sistematicamente o Nível de Serviço, ajustando os parâmetros de
materiais;
10- Acompanhar os itens de baixíssimo giro de estoque, visando adequações dos
procedimentos operacionais, entre outros.
Eduardo Banzato é Diretor e instrutor da IMAM Consultoria Ltda, empresa
especializada na solução de problemas relacionados à logística e engenharia
industrial, movimentação e armazenagem de materiais, técnicas modernas de
administração da manufatura e estratégias de produtividade. www.imam.com.br e
www.revistaintralogistica.com.br