Como Reduzir Custos Logísticos
Por Milton Lourenço
25/09/2009
Numa situação de crise mundial como a que atravessamos, reduzir custos é
fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa. Na área de comércio
exterior, não há dúvida que contratar os serviços de uma assessoria aduaneira ou
operador logístico é o primeiro passo para diminuir custos, como já descobriu,
há muito tempo, boa parte das empresas que se dedicam à exportação e importação.
Afinal, com a terceirização dos serviços aduaneiros e de logística, a empresa
pode se dedicar ao seu core business, ou seja, a sua atividade-fim.
É exatamente isto o que deve levar em conta a direção da empresa ao contratar um
operador logístico, sem se ater apenas aos valores da proposta comercial.
Afinal, ao contratar um operador logístico, a empresa, além de passar a contar
com profissionais especializados e uma infraestrutura adequada, acumula ganhos
ao poupar recursos humanos e gastos e tempo com treinamentos, além de recuperar
impostos e evitar possíveis passivos trabalhistas que sempre funcionam como
bomba de efeito retardado.
E não só. A terceirização da logística não deve ser vista apenas como redução
dos custos de transporte. Até porque a redução de custos, na maioria das vezes,
vem também de forma indireta, pois serviços logísticos mais ágeis acabam por
favorecer o fluxo das mercadorias e, assim, o espaço físico que estava destinado
para armazenagem de determinados produtos, com a movimentação rápida rumo ao seu
destino final, acaba sendo utilizado para receber novos produtos. Há,
evidentemente, um ganho, que pode ser indireto, mas que é muito difícil de
mensurar.
O exportador/importador deve levar em conta também que o operador logístico,
como pode utilizar a mesma equipe para atuar nas operações de vários clientes,
fica em condições de cobrar menos por um trabalho com o qual o contratante iria
gastar muito mais se tivesse de utilizar seus próprios funcionários e
equipamentos. Em outras palavras: o trabalho consolidado para vários clientes
garante ao operador logístico custos competitivos.
Além disso, como atua para vários clientes e segmentos ao mesmo tempo, o
operador logístico também está sempre mais bem aparelhado em termos de veículos,
equipamentos, rastreamento e controle de frota e automação de armazéns. Tudo
isso significa menos custos logísticos para o cliente.
Pesquisa recente do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração de
Empresas (Coppead) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que
as maiores empresas do Brasil mantêm um índice de terceirização de serviços de
logística semelhante ao dos EUA e Europa, ao redor de 91%, principalmente no que
diz respeito a transporte.
Em 81% dos casos, segundo o estudo, o objetivo dessa opção é a redução dos
custos. No entanto, apenas 57% delas têm alcançado a meta, com uma economia
média de 13%. A partir dos dados da pesquisa, levantados junto a 115 empresas
entre as de maior faturamento no País em 19 setores da economia, o estudo estima
que a terceirização já permite uma redução média de 13% nos custos das empresas,
o que representaria um ganho de eficiência no País avaliado em R$ 20 bilhões por
ano.
Segundo o levantamento, 73% das empresas também buscam, ao terceirizar, uma
melhoria de eficiência operacional. No total de seus orçamentos para logística,
os recursos destinados às empresas prestadoras de serviços já chegam a 63%. Pelo
menos 48% das organizações consultadas pretendem ampliar o grau de
terceirização, enquanto 36% informam que essa pretensão é parcial (restrita a
algumas áreas da empresa).
Ainda de acordo com a pesquisa, o índice de terceirização nas grandes empresas
brasileiras chega a 94% no transporte de suprimento; 92% no transporte de
distribuição; 86% no transporte de transferência (realizado internamente); 64%
na armazenagem; e apenas 10% na gestão dos estoques.
Por aqui se vê que, apesar da crise, o futuro para os operadores logísticos é
alentador. Até porque, em função do novo cenário mundial, as empresas estão
obrigadas a fazer uma revisão de seus custos e de suas cadeias de abastecimento,
recorrendo a operadores logísticos para novos estudos, projetos e melhores
condições operacionais. O segredo, portanto, está em contratar o operador
logístico certo, ou seja, aquele que puder oferecer as melhores soluções a
custos reduzidos, sem perda de qualidade e velocidade no atendimento.
Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do
Centro de Logística de Exportação (Celex), de São Paulo-SP.
E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br