Como deverá se estruturar o mercado de serviços logísticos no futuro?
Por Marco Antonio Oliveira Neves
26/09/2009
O setor automotivo tem muito a contribuir para o desenvolvimento da logística,
não só pelo tamanho e importância de suas empresas, mas principalmente pela
ousadia, pioneirismo e visão.
Há alguns anos o setor vem se organizando no conceito de "tiers" ou camadas.
Explico: ao redor das grandes montadoras estão as empresas que compõem o "tier
one", aquelas que fornecem diretamente às montadoras e que realizam a montagem
de subconjuntos ou módulos como direção, sistema de freio, motor, injeção
eletrônica, etc, no qual se incluem empresas como Delphi, Visteon, TRW, Dana,
Bosch, etc. Ao redor do "tier one" estão empresas fornecedoras de peças ou de
pequenos conjuntos, que constituem o "tier two". E ao redor, fornecendo peças,
tanto para o primeiro nível quanto para o segundo estão inúmeras empresas que
compõem o "tier three". Empresas do terceiro nível podem eventualmente contar
com fornecedores, e assim continuamente. Para cada modelo de veículo produzido,
há algo entre 250 e 300 fornecedores envolvidos.
Antigamente, empresas dos diferentes níveis se relacionavam com as montadoras,
tornando extremamente complexa essa logística de abastecimento fazendo com que
fosse praticamente impossível alcançar ganhos de produtividade e economias em
custos.
Mudança semelhante a essa deverá ocorrer no segmento de prestadores de serviços
logísticos. O motivo será diferente, mas acredito que os resultados sejam
bastante semelhantes.
No centro dessa rede de relacionamentos teremos os grandes embarcadores que
ainda optarem por uma gestão logística própria e os grandes operadores
logísticos, na sua grande maioria empresas norte-americanas e européias. Em
alguns raros casos teremos a presença dos gestores de operadores logísticos,
conhecidos como 4PLs. No primeiro cinturão ao redor, compondo o "tier one"
estarão as grandes e médias transportadoras, médios operadores logísticos,
empresas de tecnologia e grandes provedores de serviços logísticos
especializados. Na segunda camada ao redor, formando o "tier two" estarão
pequenas e médias transportadoras e diversos provedores de serviços logísticos
especializados. Na periferia estarão as microempresas de transporte,
caminhoneiros autônomos e outras pequenas empresas prestadoras de serviços em
logística.
O que quero dizer com tudo isso é que cada vez mais será RESTRITO o
relacionamento das empresas prestadoras de serviços logísticos com o
profissional ou entidade que contrata o serviço. E isso levará a impactos
consideráveis na estrutura, estratégia e cultura das empresas de logística.
Mudará o nível de cobrança, a forma de remuneração, a metodologia de avaliação
de desempenho, a relação comercial, estratégias de marketing, margens
operacionais, etc.
Mesmo que você não concorde com as idéias aqui apresentadas, esteja preparado
para as mudanças no setor de serviços logísticos. Prepare-se para estar no
centro ou ao redor dele. Ainda que algo aconteça apenas daqui a 2, 3, 5 ou 10
anos, comece a mudar hoje.
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br