Como obter sucesso na terceirização logística?
Por Marco Antonio Oliveira Neves
26/09/2009
A terceirização (ou outsourcing) é uma prática de gestão largamente utilizada
pelas empresas desde o início da década passada, e já bastante consolidada em
atividades como segurança patrimonial, refeição, transporte de funcionários e
limpeza. Na área de logística, embora tenhamos um pouco mais de 10 anos de
vivência, os resultados têm se mostrado positivos, e em muitos empresas é visto
como um processo irreversível.
Ainda existe um ‘desapontamento’ em ambos os lados. De um lado, os Embarcadores
insatisfeitos com as promessas não cumpridas, e de outro, os Operadores
Logísticos, com a baixa rentabilidade do negócio.
Por envolver, muitas vezes, Fornecedores, Clientes internos e Clientes externos,
a terceirização logística não pode falhar, ou falhar o mínimo possível, dentro
de valores esperados.
Um bom processo de terceirização logística deveria começar por um diagnóstico
técnico da empresa, com o intuito de identificar as oportunidades de melhorias
possíveis, quantificar recursos necessários e benefícios esperados. Por exemplo,
uma empresa pode concluir que para alcançar um índice de 96% de aproveitamento
da capacidade de carga de um caminhão, precisará investir em uma nova ferramenta
tecnológica que lhe custará R$ 750 mil entre hardware, software, licenças,
customizações, treinamento e implantação. Outra empresa poderá detectar através
desse diagnóstico que terá que gastar R$ 5 milhões em novos equipamentos para
automatizar a guarda e retirada de produtos em seu armazém, objetivando aumentar
em 30% a produtividade operacional e em 35% o aproveitamento cúbico. Outra
empresa, por exemplo, poderá concluir que em 2 anos precisará investir R$ 10
milhões na construção de um novo Centro de Distribuição de 12.000 m² para
suportar o aumento de vendas projetado pela área Comercial. Constatações como
essas levam a empresa a decidir corretamente o que (escopo) e porque
terceirizar, os resultados esperados e o perfil mais adequado do Operador
Logístico.
Uma vez definido o escopo, recomenda-se a formação de um grupo multifuncional
liderado pela área de Logística, contando com representantes das áreas
Administrativo-Financeira, Recursos Humanos, Jurídico, Produção, Vendas,
Qualidade e Segurança, Saúde e Meio-Ambiente (SSMA). Cada qual contribuirá com
pontos específicos relacionados ao processo de terceirização. Recursos Humanos,
por exemplo, avaliará com a área Jurídica, a questão do vínculo empregatício em
um possível aproveitamento do pessoal da empresa no processo de terceirização A
área de SSMA, por exemplo, auxiliará na definição dos itens de segurança
necessários nas empilhadeiras a serem substituídas.
Com o grupo atuando de forma integrada, estarão bastante claros os requisitos de
serviço exigidos e o perfil ideal do provedor de serviços logísticos.
Procederemos então à etapa de “brainstorming”, visando identificar potenciais
provedores de serviços logísticos. Nesta etapa é importante realizar uma ampla
pesquisa junto a Internet, anuários e também solicitar informações no mercado.
Feito isso, inicia-se a fase de RFI – Request for Information, na qual será
elaborado um amplo questionário a ser aplicado nos provedores logísticos
identificados na etapa anterior, abordando aspectos importantes da parceria a
ser estabelecida. Recomendamos pré-selecionar ao redor de 8 a 15 empresas.
Muitos Embarcadores falham ao incluir dezenas de empresas, pois nesse caso
incorreremos no erro de comparar empresas que faturam R$ 1 milhão por ano com
empresas que faturam R$ 100 milhões por ano ou mais.
Após a aplicação da RFI, você poderá ranquear as empresas com base em uma
pontuação obtida com a ponderação de temas prioritários. Ao final da RFI, o
ideal é termos, no máximo, cinco empresas qualificadas para a etapa seguinte, a
mais complexa, conhecida por RFP – Request for Proposal, que terá como produto
final a apresentação de uma proposta técnica e comercial por parte das empresas
selecionadas para esta fase.
Na fase de RFP o Embarcador deverá elaborar um material contendo detalhadas
informações sobre a operação a ser terceirizada, além dos requisitos de serviços
desejados, prazo do contrato a ser firmado, cronograma do processo e orientações
diversas aos Operadores Logísticos. Como importantes informações serão cedidas,
recomendamos a assinatura de um Termo de Confidencialidade de Dados com todas as
empresas participantes.
Durante o processo de RFP, que poderá durar de 15 a 60 dias, deverão ser
permitidas visitas às instalações da empresa, bem como reuniões para
esclarecimento de dúvidas. Prazo suficiente deve ser dado para as empresas
participantes analisar os dados disponibilizados, coletar informações
adicionais, dirimir dúvidas pertinentes e elaborar a proposta técnica e
comercial. Lembre-se, a pressa é inimiga da perfeição!
Recomendamos que as perguntas e respostas sejam encaminhadas a todos os
participantes, evitando, dessa forma, que uma empresa detenha informações
diferenciadas.
Dado o tempo e o nível de detalhamento envolvido, muitas empresas optam,
sabiamente, pela contratação de consultorias em logística (não confundir com
empresas de leilão eletrônico) para o gerenciamento e condução do processo.
Na etapa de RFP é importante definir um padrão de precificação dos serviços,
disponibilizando uma planilha Excel ou link na Internet para o preenchimento dos
dados. Assim, evitaremos comparar “bananas” com “laranjas”.
Recomendamos que todas as propostas técnicas e comerciais sejam apresentadas
individualmente ao grupo multifuncional estruturado no início do processo. Nada
de envelopes fechados, o ideal é o contato pessoal e o esclarecimento de dúvidas
no momento desse encontro.
Analisadas as propostas, optar-se-á pela empresa mais competitiva conforme os
critérios definidos pelo Embarcador. Algumas empresas optam por selecionar duas
empresas (short list) para aprofundamento técnico da proposta apresentada,
visitas ao Operador Logístico e para iniciar uma exaustiva rodada de negociações
comerciais, confrontando uma empresa com a outra.
Definida a empresa, passaremos para a fase de negociação contratual, que em
geral exige de 2 a 5 reuniões entre membros da Diretoria de ambas as empresas,
Embarcador e Operador Logístico. O contrato, além de seu tradicional conteúdo
jurídico, deverá ser encarado como um Manual Operacional, que minimizará os
conflitos entre as empresas e direcionará a parceria estabelecida.
Finalizado o contrato, inicia-se o planejamento da implantação. Normalmente,
Operadores Logísticos bem estruturados e intelectualmente capacitados, realizam
um processo de due diligence na empresa, visando levantar maiores informações
sobre a operação. Algumas empresas têm como prática interna realizar essa
diligência ainda na etapa de RFP.
Uma equipe multifuncional deverá ser montada em ambos os lados, com o objetivo
de abordar todos os aspectos possíveis da parceria. Ao longo do contrato,
reuniões mensais deverão ser realizadas, com o intuito de discutir o desempenho
e possíveis ações para a melhoria ou manutenção dos resultados alcançados.
Seguindo os passos anteriormente citados, sua empresa terá muito SUCESSO na
terceirização logística, obtendo real vantagem competitiva.
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br