"Comoditização" da Logística e os Novos Desafios para os Operadores Logísticos e Transportadoras
Por Marco Antonio Oliveira Neves
26/09/2009
Nos últimos anos vivemos o processo de "comoditização" da atividade de
transporte, levando à queda abrupta da lucratividade das empresas, em especial
daquelas voltadas para o transporte rodoviário de cargas. Muitas não resistiram
a essa nova realidade e sucumbiram diante dos novos desafios impostos. Outras
aprenderam a conviver nesse ambiente hostil, e sobrevivem com grandes
dificuldades. E outras, raros exemplos de eficiência tática e estratégica,
aproveitaram-se desse momento dificílimo para diferenciar-se e tirar proveito da
situação.
A migração para a atividade logística pareceu ser a alternativa mais lógica para
muitas empresas pressionadas pela acirrada e irracional disputa no mercado de
fretes. Muitas dessas empresas adotaram o conceito de Operador Logístico,
adicionando novos serviços e capacidades ao seu portfólio. Muitas erraram e
poucas acertaram. Outras, mais conservadoras, preferiram se especializar em
determinados segmentos e serviços, reforçando a sua posição como transportadora.
Poucas acertaram, e muitas continuam errando.
Agora, face à "comoditização" dos serviços logísticos, muitas empresas, em
especial os Operadores Logísticos, se questionam sobre o futuro desse mercado.
Viveremos situação semelhante à do setor de transportes?
A principal razão para esse processo está no número de empresas existentes no
mercado brasileiro. Enquanto que nos EUA contamos com cerca de 5.000 empresas de
logística e transportes disputando um mercado de mais de US$ 100 bilhões, no
Brasil, apenas no transporte rodoviário de cargas encontramos mais de 70.000
empresas e nos últimos 10 anos este número aumentou em quase 300%, disputando um
mercado de aproximadamente R$ 30 bilhões! O crescente número de empresas está
relacionado à falta de regulamentação no setor e a outros fatores como a
priorização dos investimentos governamentais no modal rodoviário, ao histórico
de serviços e capacidade insuficiente dos outros modais, etc.
Seguramente ocorrerá no Brasil um processo de consolidação desse mercado, com a
redução do número de empresas. Difícil é prever quando isso acontecerá e quando
os primeiros resultados positivos aparecerão. Portanto, não contem com essa
hipótese para os próximos anos. O melhor a fazer neste momento é procurar
alinhar a história e os pontos fortes da sua empresa com as oportunidades
existentes no mercado.
Existem inúmeras "janelas" de lucratividade no mercado, verdadeiras "minas de
ouro", porém, nem todas poderão ser exploradas pela sua empresa. Em alguns casos
existirão barreiras legais, em outras, dificuldades relacionadas à
infra-estrutura operacional e conhecimento técnico, e em outros, a pressão dos
próprios concorrentes.
Notamos grande dificuldade dos empresários e executivos das empresas de
logística e transportes em enxergar esses nichos de mercado potenciais. Muito
disso em função do isolamento, decorrente da não participação em treinamentos e
palestras, da não interação com outros profissionais e empresas, da não
atualização em relação as melhores práticas de mercado, etc.
Outros reduzem essa importante questão a decisões simples e óbvias. Tenho ouvido
constantemente de pessoas-chave do setor de logística e transportes que a "bola
da vez" é o segmento químico. A indústria química é o maior setor da indústria
de transformação brasileira. É área-chave para o desenvolvimento brasileiro, com
vendas anuais próximas a US$ 60 bilhões (dado de 2004). Seus produtos participam
de todos os segmentos da atividade industrial, notadamente na agroindústria
(fertilizantes e defensivos agrícolas), na indústria de bens duráveis
(automobilística, eletroeletrônica, metalúrgica) e em produtos de consumo
(farmacêutica, alimentos, cosméticos, detergentes, tintas, têxtil, etc). Como
podemos ver, a indústria química é bastante abrangente, e se não houver por
parte das empresas de logística e transportes uma definição clara e precisa em
aonde atuar e o que vender dentro desse gigantesco mercado, as chances de
sucesso serão muito pequenas. Isso vale também para outros segmentos de mercado
como alta tecnologia, eletroeletrônico, farmacêutico, etc.
E outros, por receio ou aversão ao risco, preferem não se aventurar em novos
mercados. O medo poderá ser fatal!
Muitas são as alternativas, porém poucas levarão a sua empresa ao sucesso. A
informação é o seu maior aliado. Busque conhecimento e procure se cercar de
profissionais competentes, pois estes serão os principais insumos para a correta
tomada de decisão.
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br