Cross-Dockings: De Solução a Problema
Por Marco Antonio Oliveira Neves
26/09/2009
Cross-dockings são operações simultâneas de movimentação de materiais entre a
doca de entrada e a doca de saída, sem a necessidade da estocagem física.
Nos Centros de Distribuição de grandes fabricantes essa prática é bastante comum
para itens de alto giro e para itens pendentes em pedidos atrasados (back orders).
Nas transportadoras, tem como finalidade o intercâmbio de mercadorias, vindo ou
indo para destinos diferentes. Nesse conceito, o cross-docking funciona como um
hub, recebendo mercadorias de diversas localidades, consolidando, e encaminhando
para seus destinos finais. É uma área de passagem, de transição e de fluxo
contínuo de materiais.
Cross-docks tem como finalidade principal a agilização da atividade de
transportes e a otimização da capacidade de transporte de veículos de carga,
através da consolidação de cargas.
Um fenômeno recente, até então imperceptível para muitos profissionais de
logística, está comprometendo a operação de cross-docking. Ao longo dos últimos
anos as empresas de transporte de cargas investiram em processos, equipamentos e
sistemas para atender aos seus Clientes da melhor e mais RÁPIDA forma possível.
Porém, uma pequena mudança vem ocorrendo há alguns anos no dinâmico e
imprevisível mundo logístico.
Aos poucos, mas num processo crescente, as empresas vêm solicitando o
AGENDAMENTO das entregas. Entregar o mais rápido possível deixou de ser
prioritário, para se entregar no momento desejado pelo Cliente, o que tem
levado, inclusive, à penalização financeira e moral de empresas de transporte de
cargas que, por alguma razão, realizam as entregas antes do prazo agendado.
Em função dessa necessidade de se adequar ao fluxo desejado pelo Cliente, muitas
áreas destinadas ao cross-docking estão se transformando em áreas de estocagem
temporária de materiais, o que tem levado as empresas a investirem em estruturas
para a verticalização de estoques. Essa medida tem como objetivos um melhor
aproveitamento do espaço existente, um maior controle dos itens em estoque e a
adequada acomodação dos materiais, evitando avarias no produto e nas embalagens.
Geralmente, feitas sem nenhum critério técnico, a verticalização da estocagem
dessas áreas de circulação de materiais acaba contribuindo ainda mais para a
perda de eficiência no processo de transporte.
Tentar adequar uma área de cross-docking a uma área de estocagem NÃO é, na
grande maioria dos casos, a melhor saída para as empresas de transportes,
principalmente para aquelas que movimentam grandes volumes de materiais.
Mercadorias que necessitem de estocagem temporária devem ser removidas dessa
área de fluxo intermitente, mesmo que isso signifique incorrer em custos
adicionais de movimentação e armazenagem. Estamos falando de atividades
operacionais de diferente natureza técnica, e por isso, devem ser tratadas
separadamente. E cobradas distintamente!
Tentar conciliar atividades opostas poderá ser uma aventura perigosa! Procure
transformar este problema em uma nova oportunidade de negócio para a sua
empresa, cobrando pela estocagem dos materiais. Fácil não é, mas precisará ser
feito!!!
* Este artigo é resultado (e uma homenagem) de uma breve conversa que tive com o
amigo Adenildo, ex-presidente da ASLOG (Associação Brasileira de Logística) e
atualmente Diretor de Operações de uma das maiores empresas de transporte
rodoviário de cargas do Brasil. Depois desse bate-papo, em contato com outras
grandes e médias empresas do setor, pude me aprofundar no tema e constatar que
essa é uma tendência cada vez mais presente e parte da realidade das empresas de
transporte de carga do Brasil.
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br