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E Depois dos Operadores Logísticos, o que vem por aí?

Por Marco Antonio Oliveira Neves

26/09/2009



A terceirização é uma opção bastante viável para as empresas. Elas terceirizam suas atividades logísticas em função de diversos fatores como redução de custos, foco em seu "core business", melhoria nas operações, transformação de custos fixos em custos variáveis, redução de inventário, aumento do giro dos estoques, acesso a novas tecnologias, e outros benefícios tangíveis e intangíveis.

Operadores Logísticos ou 3PLs (third party logistics) têm liderado a forma como o processo de terceirização está ocorrendo. Temos aproximadamente 200 empresas consideradas Operadores Logísticos, faturando algo em torno de R$ 5 bilhões ao ano. Trabalho realizado pelo Núcleo de Estudos de Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2.000 mostrou que aproximadamente 20 % de toda operação logística realizada hoje no Brasil está nas mãos de empresas terceirizadas e que há uma expectativa de que a terceirização atinja até 65 % de toda a carga no Brasil. Portanto, estamos falando de um mercado com potencial de crescimento de mais de três vezes!

Apesar do apetite voraz das empresas pela redução de custos proporcionada pelos Operadores Logísticos e dos esforços destes para atender seus Clientes, algo está acontecendo. Os motivos são diversos, mas por detrás estão as falhas no atendimento e no entendimento das necessidades dos Clientes. Vão desde erros de posicionamento no mercado e diante da concorrência às promessas feitas e aos resultados concretos obtidos.

Os serviços prestados pelos Operadores Logísticos estão se tornando uma commoditie e não era esse o propósito. As taxas de crescimento e a lucratividade nas operações logísticas são muito baixas. Reter os atuais Clientes está custando caro e conquistar novos é extremamente difícil!

Por outro lado, Clientes cada vez mais focam apenas em reduções de custo e querem respostas rápidas para questões complexas.

No "vácuo" de serviço e de entendimento do mercado criado pelos Operadores Logísticos estão surgindo os 4PLs (fourth party logistics) ou "quarteirizadores logísticos". Os 4PLs existem porque os Operadores Logísticos têm falhado no atendimento das reais necessidades em logística / supply chain de seus Clientes.

Os 4PLs são os gerenciadores do processo logístico; não possuem ativos operacionais, mas grande capital intelectual, tecnologia e ferramentas de gestão e planejamento. 4PLs combinam processos, tecnologia e processos de gestão.

Muitos definem o 4PL como uma parceria que oferece distintas capacidades aos Clientes, acima e além daquelas que um 3PL ou empresa de consultoria poderiam oferecer. Diz-se que um 4PL faz 1 + 1 ser igual a 3. Para outros, o 4PL é meramente um gerenciador de 3PLs.

O 4PL é neutro e gerenciará o processo logístico independentemente dos transportadores, armazéns e outros fornecedores utilizados. O 4PL provavelmente gerenciará o Operador Logístico e outros provedores de serviços utilizados pelo Cliente.

O contrato global celebrado entre a Kuehne & Nagel Lead Logistics e a Nortel Networks foi um dos primeiros exemplos de aplicação do conceito de 4PL. A KN atualmente gerencia cerca de 40 prestadores de serviços logísticos que antes atendiam diretamente à Nortel, em 17 países, inclusive ela mesma. Um dos maiores e mais ambiciosos 4PLs é a Vector SCM, uma joint-venture formada em 2.000 entre a General Motors e CNF Inc., detentora de 80 % do negócio. Fazem parte da CNF a Menlo Worldwide, resultante da fusão das gigantes Menlo Logistics e Emery Worldwide e uma empresa de transporte, a Con-Way Transportation. Outras empresas como Schneider Logistics, Ryder Logistics, UPS Logistics e Exel também atuam como 4PL, mas preferem ser chamadas de lead logistics provider.

As diferenças entre 3PLs (Operadores Logísticos) e 4PLs são muito grandes. Por exemplo, numa terceirização, terceiriza-se a função ou terceiriza-se o processo? O Operador Logístico tem como alvo a função. Ele quer movimentar contêineres, estocar materiais, distribuir os produtos, etc. 4PLs buscam, por exemplo, a gestão de transportes. Querem saber quais são os processos atuais, como funcionam, quais as falhas e redundâncias, que oportunidades existem, etc. 4PLs são neutros e buscarão as soluções que melhor atendam seus Clientes enquanto que 3PLs, principalmente aqueles que investiram em ativos operacionais, tenderão a utilizar a estrutura própria existente para o atendimento das necessidades de seus Clientes.

O processo de supply chain cruza as fronteiras organizacionais, correndo de forma horizontal numa organização vertical! Já não existem mais fronteiras entre as organizações e atuar de forma colaborativa é cada vez mais um requisito para a sobrevivência das empresas. 4PLs farão disso uma realidade!

Muitos Operadores Logísticos (3PLs) tenderão a migrar para esse conceito, se transformando em 4PLs. Seguramente o movimento dos 4PLs não será tão avassalador como foi o dos Operadores Logísticos. Mas não tenha dúvida: em breve um 4PL estará batendo à sua porta!


Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br - www.tigerlog.com.br