Estocagem: seletividade + ocupação
Por Eduardo Banzato
23/12/2001
O seu armazém tem problemas de falta de espaço? Os itens que você precisa
separar estão em locais de fácil acesso? O método PEPS (Primeiro que Entra,
Primeiro que Sai) está comprometido em seu armazém? A expedição de seu Centro de
Distribuição (CD) transforma-se no gargalo de seu processo por falta de espaço e
dificuldade de acesso aos itens no final do mês? Sua produtividade operacional
está com um índice baixo em relação à outros processos de armazenagem de
natureza semelhante?
Se estas questões fazem sentido também para sua empresa, você pode estar diante
de um processo de adequação da seletividade e ocupação do processo de
armazenagem.
Seletividade
Indica a capacidade de acessar determinados itens de uma área de estocagem sem
ter a necessidade de remanejamento de cargas, ou seja, é a proporção de itens
que estão disponíveis para serem acessados no primeiro movimento. Fica evidente
que, quando as empresas investem em novas áreas de armazenagem, o que predomina
é a grande quantidade de espaço disponível que pode ser utilizada, assegurando
assim 100% de seletividade. Em uma estrutura porta-paletes convencional, por
exemplo, que permite o acesso direto a qualquer palete com o auxílio de uma
empilhadeira, o índice de seletividade é 100%.
Ocupação
Já a ocupação se caracteriza pelo percentual de aproveitamento de um espaço
(volume) de estocagem, pelos itens, considerando-se todo o volume disponível.
Analisando a mesma estrutura de estocagem (porta-paletes convencional) integrada
a um sistema de movimentação, que se caracteriza pela utilização de
empilhadeiras contrabalanceadas, pode-se identificar um índice de ocupação
inferior a 40%.
Seletividade + Ocupação
Assegurar uma adequada integração da seletividade com a ocupação é um dos
desafios de um sistema de armazenagem de classe mundial. É cômodo as pessoas
avaliarem superficialmente as alternativas de sistemas de estocagem e
movimentação e concluírem que nada podem fazer para melhorar os indicadores de
seletividade e ocupação.
A escolha dos recursos operacionais de um armazém afeta significativamente estes
índices e, portanto, uma adequada análise dos mesmos se faz necessária.
Esses sistemas devem ser continuamente avaliados, pois muitas empresas alteram,
com o passar do tempo, algumas características de seus SKU (referências
distintas mantidas em estoque), tais como: quantidades estocadas por SKU; número
de SKU; giro e popularidade por SKU, entre outros. Essas alterações demandam
sistemas de armazenagem com diferentes características de seletividade e
ocupação.
Casos práticos
O grande desafio das empresas é encontrar a melhor combinação de sistemas de
armazenagem, que assegurem uma adequada seletividade e ocupação.
Dentre os inúmeros projetos desenvolvidos pela IMAM Consultoria, pode-se citar
alguns que demandaram análises detalhadas do binômio seletividade e ocupação e
que alteraram significativamente o processo anterior de estocagem:
Brasif (Duty Free Shop): aumento da ocupação por meio de estruturas
porta-paletes de dupla profundidade;
Festo Automação: aumento da ocupação e seletividade dos itens de maior
popularidade com uso de estruturas dinâmicas de estocagem;
Tok & Stock: aumento da seletividade e ocupação com a utilização de estruturas
de braços em balanço para itens não paletizáveis e de alto giro;
Kolynos: otimização da ocupação e seletividade por meio de estruturas
porta-paletes convencionais e empilhadeiras trilaterais, bem como estruturas de
trânsito interno e empilhadeiras de mastro retrátil;
Dupé Sandálias: aumento da ocupação e seletividade com a utilização de
estruturas porta-paletes convencionais e estanterias dinâmicas.
Conclusão
A partir de uma detalhada análise do comportamento atual e futuro de cada SKU,
pode-se desenvolver uma solução de armazenagem que atenda a seletividade e
ocupação no curto, médio e longo prazo. Mas não subestime essa análise, pois se
mal desenvolvida poderá incorrer em perdas operacionais crônicas que
comprometerão a produtividade do seu processo de armazenagem.
Em vários artigos já constantes no Guia Log, mostramos Soluções Integradas, onde
observamos que isoladamente as soluções podem não gerar os resultados que
soluções integradas proporcionam.
Desta forma, invista um pouco mais de esforço na obtenção de soluções que
assegurem o crescimento contínuo e sustentado do seu negócio.
Sucesso a todos!
Alternativas de sistemas de estocagem |
| Sistemas de armazenagem | Seletividade | Ocupação |
| Blocagem | Baixa | Alta |
| Estrutura porta-paletes de dupla profundidade | Média | Média |
| Estrutura porta-paletes de trânsito interno | Baixa | Alta |
| Estrutura porta-paletes dinâmicas | Média | Alta |
| Estrutura porta-paletes tipo "push-back" | Média | Alta |
| Estrutura porta-paletes convencional (empilhadeira trilateral) | Alta | Média / Alta |
| Estrutura porta-paletes convencional (empilhadeira contrabalanceada) | Alta | Baixa |
| Estrutura porta-paletes convencional (empilhadeira de patola) | Alta | Média / Baixa |
| Transelevadores | Alta | Alta |
| Estrutura de braços em balanço (cantilever) | Alta | Média / Alta |
| Estrutura porta-paletes deslizantes | Alta | Alta |
Eduardo Banzato é Diretor e instrutor da IMAM Consultoria Ltda, empresa
especializada na solução de problemas relacionados à logística e engenharia
industrial, movimentação e armazenagem de materiais, técnicas modernas de
administração da manufatura e estratégias de produtividade. www.imam.com.br e
www.revistaintralogistica.com.br