Estratégias para Picking
Por Marco Antonio Oliveira Neves
26/09/2009
Temos, repetidamente, alertado os profissionais de logística sobre a importância
da atividade de separação de pedidos ou picking, em geral responsável por mais
de 50% dos custos operacionais de um armazém. Dentro da nova realidade de
mercado, aonde os Clientes compram cada vez mais em lotes menores (maior
freqüência), contar com uma estratégia de separação de pedidos ou picking
adequada à sua realidade operacional é essencial!
É na atividade de picking que estão alocados os maiores recursos tecnológicos,
equipamentos de movimentação e mão-de-obra. É também a atividade que mais
contribui para o nível de serviço ao Cliente final, expresso através de
indicadores de desempenho como pedido perfeito, order fill rate (ou taxa de
atendimento do pedido), erros operacionais e seus respectivos custos, avarias,
etc.
Existem várias configurações operacionais para a atividade de picking, que
variam desde a separação pedido a pedido, cada operador com um pedido (picking
discreto), passam pela consolidação de pedidos e chegam até a automação do
processo, utilizando-se carrosséis verticais e horizontais, flow-racks, picking
by-light, voice picking, transelevadores, miniloads, etc.
A escolha da estratégia de picking mais adequada está relacionada às dimensões e
layout operacional do armazém, quantidade de itens comercializados, valor e
características físicas dos materiais, quantidade de notas fiscais emitidas e de
itens por pedido, sazonalidade da demanda, características físicas dos produtos,
facilidade de unitização das cargas, forma de verticalização dos estoques e
nível de fracionamento dos pedidos.
Quanto maior a complexidade operacional, mais sofisticada deverá ser a solução
de separação de pedidos. E nesse caso, se escolhida uma solução tecnicamente
incorreta, maiores serão os custos operacionais e menor o nível de serviço aos
Clientes.
Operações realizadas em armazéns com grandes dimensões físicas, com alto volume
e muitos itens, alto nível de fracionamento (exigindo a abertura de caixas e o
manuseio de itens individuais), grande volume de notas fiscais emitidas
diariamente, forte concentração de vendas na última semana (60% ou mais) e no
último dia, grande quantidade de itens por pedido e com caixas ou itens de
diferentes dimensões exigirão, provavelmente, a realização da separação de
pedidos em duas etapas, operações noturnas e isoladas das demais atividades do
armazém e a utilização de equipamentos de movimentação especiais como
empilhadeiras selecionadora de pedidos para picking em níveis aéreos ou até
mesmo o investimento em soluções automatizadas, além, é claro de aporte
tecnológico na operação.
Em operações de baixa complexidade, com pouca variedade de itens em estoque,
pequena quantidade de notas fiscais, poucos itens por pedido, baixo nível de
fracionamento (expedição de páletes fechados ou fracionados) e distribuição
uniforme das vendas ao longo do mês, as soluções passarão pelo uso de
equipamentos de movimentação mais simples como as paleteiras hidráulicas e pela
aplicação intensiva de mão-de-obra.
Apenas uma análise profunda do perfil de cada operação permitirá a definição da
solução técnica mais adequada para o seu processo de separação de pedidos. O
melhor, em muitos casos, poderá ser muito caro e economicamente inviável ou
impraticável por algumas empresas, dada as suas restrições orçamentárias e por
isso, temos observado diferentes soluções adotadas pelas empresas, muitas delas
corretas, umas mais e outras menos efetivas.
Seja qual for a complexidade na separação de pedidos, a produtividade do picking
estará diretamente relacionada à existência prévia de um bom sistema de
localização dos itens em estoque, de um sistema de endereçamento dos materiais
baseado nas características de giro dos produtos, na utilização de mão-de-obra (picker)
tecnicamente capacitada e motivada, na facilidade de alcance do operador aos
produtos a serem separados, ao tipo de estrutura utilizada para a verticalização
dos estoques, à consolidação dos produtos a serem separados em lotes e ao uso de
tecnologia de suporte a operação, em geral uma ferramenta WMS - Warehouse
Management System (Sistema de Gerenciamento de Armazéns).
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br