Frota: Renovar é Preciso
Por Milton Lourenço
25/09/2009
Vem em boa hora a proposta da Confederação Nacional do Transporte (CNT) para que
seja criado um regime de financiamento e subsídios do governo federal para a
renovação da frota nacional de caminhões e carretas. De acordo com a proposta, o
financiamento seria condicionado à retirada de circulação de veículos com mais
de 30 anos de operação, o que garantiria a modernização da frota brasileira até
2022, segundo estudo da CNT.
Hoje, no Brasil, há mais de 1,3 milhão de veículos que são utilizados no
transporte rodoviário de cargas, dos quais 20% apresentam mais de 30 anos de
atividade, enquanto 43% (mais de 589 mil unidades) têm entre 20 e 30 anos. No
geral, a idade média dos veículos dirigidos por autônomos é de 23 anos, enquanto
nas empresas transportadoras é de 11 anos.
Segundo a proposta da CNT, a renovação da frota pode excluir anualmente das
rodovias 50 mil caminhões mambembes que andam com idade acima de 30 anos. Para
tanto, o governo federal teria de oferecer um bônus para a troca do caminhão
velho, desde que comprovadamente ele tenha estado em atividade nos últimos 12
meses, por um mais novo. Esse bônus seria em torno de R$ 30 mil, valor
equivalente ao de um veículo com mais de 30 anos de rodagem.
O projeto prevê ainda a criação pelo governo federal de centros de reciclagem
para caminhões velhos, com o aproveitamento dos destroços por siderúrgicas e
outras indústrias. É de lembrar que cada caminhão é formado por 85% de aço.
Ademais, a retirada de circulação de um caminhão velho significaria um ganho de
qualidade para o meio ambiente. Livre de tanta fumaça, a saúde pública
agradeceria penhorada.
É provável que alguma alma vigilante venha a pensar que mais uma vez caberia ao
governo federal apenas assumir despesas, mas não é assim porque a União só teria
a ganhar mais em impostos com o aquecimento do mercado. Além do mais, não se
pode esquecer a fortuna que a população (empresas e cidadãos) costuma pagar com
IPVA e pedágios, sem receber a devida contrapartida em bons serviços públicos.
Seja como for, não se duvida que, bem equacionada, essa questão iria
possibilitar maior segurança nas rodovias e ganho econômico e eficiência para o
transporte, o que se refletiria diretamente em maior competitividade para o
produto nacional a ser exportado e um custo menor à mercadoria importada.
Afinal, não se deve esquecer que, segundo a CNT, 62% das mercadorias no Brasil
são transportadas por rodovias.
Só falta agora o Congresso Nacional apoiar a proposta da CNT e detalhar melhor o
assunto em sua Comissão de Viação e Transporte e nas demais comissões da casa.
Ao lado disso, é da maior importância que o governo federal cobre mais rapidez
na implantação das obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), pois,
afinal de contas, a renovação da frota, aliada à recuperação da infra-estrutura
e à integração dos modais de transporte, permitirá reduzir sobremaneira o
chamado custo Brasil. Tudo isso favorecerá o aumento da competitividade das
empresas no cenário nacional e mundial.
Para tanto, é necessário que, paralelamente, o País invista também na malha
ferroviária e no modal hidroviário, ainda que por meio de concessões à
iniciativa privada, e consiga, enfim, implantar uma política de transporte
multimodal, fazendo com que as pessoas sejam transportadas com maior segurança e
as cargas possam chegar ao seu destino a custo mais baixo.
Em resumo: quando a atual fase de recessão mundial passar, com a atual
infra-estrutura nacional de transporte, não haverá condições de crescer a
números mais significativos, como o fizeram os países asiáticos. Não é preciso
ser PhD em economia para saber que qualquer desenvolvimento econômico precisa
ser antecedido pelo crescimento na área de transporte. O transportador deve ter
condições de transportar as riquezas que a Nação gerar. Se não for assim, o País
pára.
Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do
Centro de Logística de Exportação (Celex), de São Paulo-SP.
E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br