Goiás e o Porto de Santos
Por Milton Lourenço
25/09/2009
As ligações da produção de Goiás com o Porto de Santos vêm desde o século XVIII,
quando lá chegaram os primeiros paulistas em busca de ouro e começaram a surgir
os primeiros arraiais. Em 1748, a capitania de São Paulo seria extinta e
adjudicada à do Rio de Janeiro até 1765 e, naquele mesmo ano, criada a capitania
de Goiás, com a nomeação de dom Marcos Noronha para seu governador e
capitão-general, cuja posse seria em setembro de 1749.
Desde então, houve necessidade de a capitania escoar não só o ouro como receber
os mantimentos indispensáveis para a sobrevivência dos primeiros colonizadores.
E o Porto de Santos foi fundamental para o crescimento dessa vasta região que
compreendia não só Tocantins como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Até hoje é
assim.
A abrangência do Porto alcança também os Estados de Minas Gerais e Paraná e
países do Mercosul, concentrando parte significativa da produção agrícola de
exportação e dos pólos industriais brasileiros. É o grande porto da região mais
rica do País, responsável pela geração de cerca de 50% do PIB e das exportações
brasileiras.
Em 2008, o valor comercial das cargas movimentadas pelo Porto de Santos chegou a
US$ 91,8 bilhões, apontando um crescimento de 28,47% em relação ao registrado em
2007 (US$ 71,5 bilhões), segundo dados do MDIC. As exportações somaram US$ 50
bilhões, mantendo-se 15,05% acima dos US$ 43,4 bilhões registrados em 2007.
As exportações por Santos representaram 25,27% do total nacional (US$ 197,9
bilhões). Já as importações atingiram um total de US$ 41,8 bilhões,
caracterizando um aumento de 49,28% quando comparado com 2007. As importações
por Santos participaram com 24,16% do total nacional (US$ 173,1 bilhões). Em
resumo: por Santos passaram 25% da corrente de comércio do País.
Servido por moderna malha rodoviária, complementada por ferrovias que permitem a
interligação com a hidrovia Tietê-Paraná, e próximo dos dois principais
aeroportos internacionais do País, o Porto de Santos oferece boas condições de
intermodalidade. Sua infra-estrutura conta com o maior terminal de contêineres
da América Latina, com 550 mil metros quadrados e 12 quilômetros de cais, com
terminais especializados para grãos, fertilizantes, granéis líquidos e
contêineres.
As ferrovias que atendem ao Porto de Santos transportam atualmente cerca de nove
milhões de toneladas, ou seja, 13% da movimentação total do Porto. Enquanto os
demais portos do País possuem acesso ferroviário por apenas uma ou duas
concessionárias ferroviárias, existem cinco pelas quais é possível chegar a
Porto de Santos: MRS, AméricaLatina Logística (ALL), Brasil Ferrovias, Novoeste
e FCA.
E tudo isso deve melhorar ainda mais até 2019, quando se espera que estejam
concluídos todos os projetos de expansão em andamento. A essa época, é possível
que o Porto já esteja movimentando cerca de 400 milhões de toneladas de carga
por ano, com a ampliação em 260% da sua atual capacidade de operação, que é de
110 milhões de toneladas anuais. A título de comparação pode-se dizer que Santos
será a Roterdã de hoje, que movimentou 421 milhões de toneladas no ano passado.
Entre os novos terminais previstos para o complexo portuário santista, estão o
Barnabé-Bagres, na área continental, que por si só deverá duplicar a atual
capacidade operacional do Porto; o terminal da Embraport, do grupo Coimex, atrás
da Ilha Barnabé, cujas obras deverão estar concluídas em dois anos, e deverá
operar cerca de 1,2 milhão de contêineres e 2 milhões de metros cúbicos de
álcool; o Brasil Terminal Portuário (BTP), da Europe Terminals, braço portuário
da armadora MSC Shipping, que será construído no antigo Lixão da Alemoa e
permitirá a movimentação de até 1,2 milhão de contêineres por ano; os terminais
da Prainha e Conceiçãozinha, ambos na margem esquerda (Guarujá), que deverão
movimentar 830 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano;
e o APM Terminais, da armadora Maersk, na Alemoa, que poderá operar 1,2 milhão
de TEUs.
Por aqui se vê que o Porto de Santos estará preparado para continuar a atender à
demanda do Centro-Oeste, mesmo que a economia brasileira, superada a atual fase
de retração, venha a crescer a números asiáticos.
Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do
Centro de Logística de Exportação (Celex), de São Paulo-SP.
E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br