A Logística como Estratégia de Desenvolvimento
Por Nyssio Ferreira Luz
06/01/2010
O desafio da competitividade ultrapassa as fronteiras das empresas e permeia
todas as assim denominadas cadeias de suprimento, desde os fornecedores de
matérias primas e chegando até aos consumidores finais.
O desafio da competitividade ultrapassa as fronteiras das empresas e permeia
todas as assim denominadas cadeias de suprimento, desde os fornecedores de
matérias primas e chegando até aos consumidores finais. Em outras palavras, uma
empresa prestadora de serviços ou fabricante de qualquer produto esta competindo
não somente com outras empresas congêneres e sim a sua cadeia de suprimentos
esta competindo com as respectivas cadeias de suprimentos de seus concorrentes.
Assim a gestão das cadeias de suprimento tornou-se pedra fundamental para a
sobrevivência no mundo globalizado e exige profundas mudanças nas empresas e
especialmente no ambiente de negócios onde atuam, demandando infra-estrutura,
políticas publicas e competências cada vez mas adequadas ao momento do
“mercado”. Negócios são como água...sempre vão mais onde é mais fácil escoar, em
outras palavras, se instalam onde existam mais favoráveis de desenvolvimento e
sustentabilidade. Podemos então ter uma visão mais ampla da competitividade de
municípios e dos estados, no contexto nacional e global, que podem atrair
investimentos e negócios de qualquer parte do mundo.
Neste contexto, o estado do Espírito Santo reúne condições potenciais para o
desenvolvimento de sua “Logística”, que deve ser aqui entendida como sendo o
conjunto de sua infra-estrutura logística (portos, aeroportos, dutovias,
ferrovias, rodovias, armazéns, terminais intermodais, centros de distribuição e
estruturas de apoio às operações de armazenagem distribuição e transportes de
carga) e de seus prestadores de serviços logísticos (empresas que atuam no
segmento de serviços logísticos de suprimentos, armazenagem, distribuição e
transporte).
O estado do Espírito Santo ocupa posição de destaque no contexto do comércio
internacional e é a segunda maior porta de saída de mercadorias do país, em
valor, o que significa que 9,04 % de todas as exportações do país, escoam pela
sua Logística. Esta marca, contudo carrega sinais de exaustão em suas principais
estruturas, notadamente em rodovias, aeroportos, portos e ferrovias, que
requerem ações concretas do governo e iniciativa privada, tanto para o
necessário suporte à interiorização de seu desenvolvimento, para sua integração
regional com outros Estados da Federação, como também para sua inserção global.
Os APL´s - Arranjos Produtivos Locais, requerem serviços logísticos cada vez
mais ágeis, de melhor qualidade e de menor custo, demandando portanto soluções
de adequação das infra-estruturas e das competências logísticas aqui instaladas.
O aumento da demanda por serviços logísticos dedicados a exportação de cargas
dos arranjos produtivos do ES e de outros estados da Federação, exigem soluções
rápidas e eficazes, caso contrario vão motivar a implantação de soluções
logísticas nos estados limítrofes...é como a água...sempre escorre para o lado
mais fácil.
A evasão de serviços logísticos para outros estados, por parte de empresas
instaladas no Estado do Espírito Santo e em outros estados da Federação é uma
realidade de amplo conhecimento e que destoa da vocação natural do estado,
notadamente nas operações intermodais e de suporte ao modal marítimo. Somente
para ilustrar, os números de exportação do setor de Café são intrigantes: em
2002 o Porto de Vitória escoou de 8 milhões de sacas, enquanto o Porto do Rio de
Janeiro escoou 3,8 milhões, uma diferença de 4,2 milhões de sacas favorável ao
Espírito Santo. Esta diferença se inverteu e atualmente o Porto do Rio de
Janeiro já está escoando 5% a mais que o Porto de Vitória. E tudo isto sem que o
Estado do Rio de Janeiro seja produtor de Café.
O momento virtuoso em que vivemos, especialmente quanto às perspectivas do
petróleo e gás natural e a uma série de medidas que vem sendo empreendidas pelos
agentes públicos e privados responsáveis pelo desenvolvimento local, são
coadjuvantes essenciais para se estabelecer um conjunto de ações coordenadas,
que permitirão a consolidação institucional, das infra-estruturas e das
competências logísticas aqui instaladas.
Assim as ações de redução da evasão de cargas e serviços logísticos vocacionados
ao comercio exterior para outros estados, a ampliação da captação de cargas da
Hinterlândia, vocacionadas ao comercio exterior e doméstico (SUL e NE), a
melhoria da satisfação dos usuários das infra-estruturas portuárias do ES e a
integração regional para suporte aos arranjos produtivos locais notadamente do
Café, Rochas Ornamentais, Fruticultura, Petróleo e Siderúrgico, são essenciais
para o futuro do Estado.
Neste cenário desafiante os trabalhos de construção da Visão Estratégica do
Espírito Santo para os próximos 20 anos, denominada Espírito Santo 2025,
contribuem para que nosso Estado seja reconhecido como “referencia em
Logística”, tanto por sua infra-estrutura como também pelos serviços logísticos
aqui ofertados. O Segmento de serviços Logísticos para o Estado do Espírito
Santo não é somente vocação natural, é sobretudo questão de sobrevivência.
Este é o momento de reunir de forma sinérgica e construtiva, idéias, forças e
sobretudo trabalho da sociedade, governos municipais e estaduais, na construção
de condições que proporcionem a construção de um Espírito Santo mais
competitivo, integrado regionalmente e sobretudo reconhecido como Referencia
Logística. Seja bem vindo 2025 !
Nyssio Ferreira Luz - nyssio@ibralog.org.br é Diretor Presidente do IBRALOG.
Formado em Engenharia Mecânica pela UFMG com especializações em Projetos
Industriais, Gestão de Materiais, Manutenção Industrial e de Equipamentos
Móveis, Suprimentos e Logística Empresarial.