Maximizar espaço ou velocidade em armazéns?
Por Marco Antonio Oliveira Neves
06/10/2009
Qualquer profissional voltado à Logística, mais especificamente da área de
armazenagem e movimentação de materiais tem que lidar com o conflito existente
entre maximizar espaço cúbico, sem comprometer a velocidade de atendimento dos
pedidos. Não podemos esquecer que quanto mais podemos expedir, mais poderemos
vender.
Com a proliferação de SKUs e com o maior fracionamento dos pedidos, este
problema tem se acentuado, e é cada vez mais o alvo de discussões internas nas
empresas.
Ao buscarmos soluções de estocagem com maior aproveitamento das profundidades e
alturas, aumentamos as dificuldades de acesso aos produtos, portanto, perdemos
em capacidade de processamento de pedidos.
Se a grande finalidade de um armazém é atender aos pedidos de seus Clientes,
como resolver, então, essa difícil equação?
A prioridade em armazéns, com raras exceções, é reduzir tempos de ciclo, e não a
otimização do espaço físico, mas em um ambiente cada vez mais competitivo e
orientado para resultados, o equilíbrio deve ser buscado. Como conseguir isso?
Existem diversas soluções para a estocagem de páletes, desde a simples estocagem
blocada (pálete sobre pálete), passando pelo porta-páletes de simples e de dupla
profundidade, e por soluções como drive-ins, drive-through, push back, racks e
sistemas dinâmicos, este último, muitas vezes inviável, pelo alto investimento
necessário na aquisição.
Diante de tantas soluções, qual a melhor no sentido de aproveitar o espaço
existente sem a conseqüente perda de velocidade? A resposta é: um mix. Isso
mesmo, um mix de soluções, aproveitando aquilo que cada uma pode oferecer de
melhor, levando em conta as características de giro e volume dos materiais.
Itens de alto giro podem até ser estocados em uma zona de ‘blocados’, próxima às
docas de expedição. Estes, ainda poderão ser colocados em estruturas
porta-páletes de simples profundidade.
Se o volume de itens de alto giro a ser movimentado for muito alto, o uso de
sistemas dinâmicos (por gravidade) poderá ser viável economicamente.
Para itens de médio giro, aonde existam mais de 5 páletes do mesmo item em
estoque, a solução push-back poderá ser interessante, desde que o item não seja
afetado pela lógica UEPS (Último que Entra é o Primeiro que Sai), que é uma
premissa desse sistema.
A solução drive-in e o uso de racks metálicos são ideais para armazéns
refrigerados, aonde a necessidade de aproveitamento do espaço é crucial, devido
aos altos custos com infra-estrutura e energia elétrica. É a melhor solução para
casos em que existem mais de 10 páletes por SKU em estoque. Nela também vale o
princípio UEPS. A solução drive-through é uma evolução do drive-in, pois permite
o acesso por dois lados.
Itens de baixo giro em estoque podem ser acondicionados em porta-páletes e nos
níveis mais altos. Em situações específicas, a estrutura drive-in também poderá
ser útil para esses itens slow movers.
A escolha do equipamento de movimentação também influencia diretamente no nível
de ocupação do espaço disponível. Uma empilhadeira contra-balançada exigirá 3,5
metros de corredor, enquanto que a uma empilhadeira retrátil, com as mesmas
capacidades, exigirá um corredor de 2,8 metros.
Armazéns com foco em uma logística enxuta, que visa primariamente combater o
desperdício em suas diferentes possibilidades, têm conseguido resultados
excepcionais, aumentando em 15% a 25% a sua capacidade de estocagem, sem
comprometer a velocidade da operação, adotando uma infra-estrutura e layout
operacional adequados, além de corretos conceitos de endereçamento dos
materiais, considerando critérios como giro, popularidade e volume.
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br