Morte do atual modelo de logística no Brasil
Por Marco Antonio Oliveira Neves
10/10/2009
Mal falamos de Logística no Brasil (um pouco mais de dez anos) e rápidas e
profundas transformações nas empresas poderão levar à extinção da área da forma
como é vista atualmente. Talvez não devesse usar o termo “morte”, mas sim o
“renascer” da logística.
A terceirização logística continuará avançando de forma avassaladora (mas mais
consistente), desta vez calcada mais em tecnologia e processos, e menos
fomentada pela ilusão de baixo custo, ampliando e aprofundando o vínculo com os
Clientes, ao mesmo tempo em que proporcionará maior competitividade às empresas.
Ao ocupar a esfera tática e operacional, o Gerente de Logística e a sua equipe
se verão “forçados” a se posicionar em um nível estratégico, envolvidos em ações
de médio e longo prazo, e de alto impacto no resultado futuro das empresas
(leia-se sua sobrevivência e crescimento). Aí a coisa “afunila” e menos pessoas
serão necessárias. Grande parte do efetivo voltado à gestão e operação logística
vestirá uma outra camisa, a camisa de um Operador Logístico. Estarão, portanto,
do outro lado da mesa, transferindo conhecimento e “bagagem cultural” a essas
empresas, promovendo um maior equilíbrio entre Embarcadores e Prestadores de
Serviços em Logística e Transporte.
O foco estratégico, por sua vez, levará as empresas a enxergar a cadeia de
materiais envolvendo não apenas os elos mais próximos, mas também os seus
Fornecedores diretos e indiretos, Canais de Distribuição, Clientes, Clientes de
seus Clientes e seus Parceiros. Daí em diante, a área receberá um novo nome,
Supply Chain, um novo mundo, mais desafiador e complexo!
A necessidade de uma visão ampliada, mais próxima do mercado, poderá levar
muitas empresas a fundir a área de logística com Vendas ou Marketing, alterando
definitivamente (e radicalmente) o escopo da área, até então quase que
totalmente voltado ao transporte, movimentação e armazenagem de matérias-primas,
materiais em processo e produtos acabados.
O fato de a tecnologia de informação evoluir rapidamente e de se tornar
mandatória para as empresas, talvez leve a uma outra interessante fusão: a do
Gerente de Tecnologia com a do Gerente de Logística.
E empresas essencialmente industriais poderão promover a fusão entre Gerente de
Logística e Gerente de Produção, estabelecendo uma ligação entre um “elo
perdido” dentro do amplo conceito de Supply Chain Management.
Várias serão as metamorfoses possíveis. Mas com certeza, a área de Logística não
será mais a mesma de outrora.
É importante que os profissionais da área, Operadores Logísticos,
Transportadoras e Embarcadores atentem para esses fatos e que se antecipem às
mudanças, pois muitas delas “despertarão” tarde demais!
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br