Operadores Logísticos integrados à Supply Chain
Por Eduardo Banzato
11/05/2008
Não existem mais opiniões no mercado que discordem que a integração da Cadeia de
Abastecimento (Supply Chain), bem como a utilização de Operadores Logísticos,
são tendências logísticas. Então, se isto é uma realidade, todas as empresas
estão investindo nestas tendências?
Não necessariamente. Muitas vezes pelo fato de não compreenderem adequadamente
os reais benefícios e oportunidades da aplicação destes conceitos, as empresas
fazem com que os mesmos se tornem conflitantes na busca de um melhor sistema
logístico. Mas por que isto ocorre?
Em primeiro lugar, vale a pena questionar alguns pontos "chaves" relacionados à
viabilidade destes dois conceitos:
* Você sabe qual é o Custo Total Logístico em toda a Cadeia de Abastecimento da
qual você faz parte?
* Você conhece quais são os pontos fortes e fracos desta Cadeia e sabe onde
estão as oportunidades de melhoria em relação a aumentos de produtividade e
melhoria do nível de serviço ao cliente final?
* Você sabe qual é o real custo total logístico, em sua organização, das
atividades que podem ser desenvolvidas por um Operador Logístico?
* Você sabe separar a análise de viabilidade da utilização de Operadores
Logísticos em aspectos quantitativos (ex.: fatores econômicos) e qualitativos
(ex.: fatores estratégicos)?
* Você sabe mensurar o nível de satisfação do seu cliente final e quais os
fatores que influenciam neste indicador?
* Você permite que a redução do seu custo logístico seja o grande fator decisivo
na aquisição de uma operação logística terceirizada?
* Você entende ser importante uma visão cada vez melhor e mais clara de todos os
componentes de custo e de ganho de toda a Cadeia de Abastecimento?
* Você percebe que o aumento de produtividade que um membro integrante da sua
Cadeia de Abastecimento (ex.: Operador Logístico) deve refletir diretamente e
positivamente nos seus resultados?
Se estas questões estão claras e são rigorosamente praticadas, não existe a
menor possibilidade da Operação Logística Terceirizada ser conflitante com a
integração da Cadeia de Abastecimento. Porém, o que se percebe no mercado é que
muitas empresas, embora até concordem com as questões apresentadas, não as
praticam no dia-a-dia, muitas vezes inconscientemente.
Por exemplo, será que a empresa que está ansiosa em se livrar de suas operações
logísticas de distribuição física de produtos acabados deve considerar que irá
eliminar todas as suas funções relacionadas com a logística de distribuição
física? No curto prazo não, mesmo que o Operador Logístico possua tais funções,
pois embora ele tenha um melhor conhecimento de distribuição, isto não é
suficiente, pois o mesmo não conhece uma série de aspectos importantes de sua
Cadeia de Abastecimento, como: expectativas do seu cliente, peculiaridades de
seu produto, sazonalidades da sua demanda, importância do processo de
distribuição para o seu negócio, prioridades dos acionistas, valores e políticas
de sua organização, entre inúmeros outros fatores que somente o tempo irá
mostrar em um processo que podemos denominar de "Parcerização".
E o sistema de medição e faturamento de um Operador Logístico? Será que o mesmo
pode ser consolidado em um instrumento de contrato, com pouca flexibilidade para
alterações, sem o conhecimento mútuo e aceitação de uma empresa em relação à
outra?
Também não, pois caso contrário existirá uma grande chance, no médio e longo
prazo, de uma empresa perceber que desenvolveu, em relação à outra, uma relação
Ganha-Perde que implicará claramente em uma desintegração cada vez maior da
Cadeia de Abastecimento.
Infelizmente, é isto que está ocorrendo em muitas organizações no Brasil.
Operadores Logísticos que, para se viabilizarem, são obrigados a cobrar um valor
inferior ao Custo Total Logístico e empresas que terceirizam suas atividades e
percebem no médio e longo prazo que estabeleceram uma relação Ganha-Perde e
chegam à conclusão que para apenas uma das partes foi bom enquanto durou.
É claro que existem as empresas que se preocupam com isto e desenvolvem um
adequado planejamento inicial, visando identificar com clareza as reais bases de
uma possível relação Ganha-Ganha. Porém, nunca subestime este trabalho, pois
caso contrário você será a próxima vítima. Lembrem-se que qualquer semelhança
deste processo com o processo namoro, noivado e casamento entre casais não é
mera coincidência.
Eduardo Banzato é Diretor e instrutor da IMAM Consultoria Ltda, empresa
especializada na solução de problemas relacionados à logística e engenharia
industrial, movimentação e armazenagem de materiais, técnicas modernas de
administração da manufatura e estratégias de produtividade. www.imam.com.br e
www.revistaintralogistica.com.br