Porto de Santos: em Obras
Por Milton Lourenço
25/09/2009
Enquanto o poder público perde muito tempo com burocracia e
trabalha a passos paquidérmicos, a iniciativa privada não espera. Um exemplo é o
que ocorre no Porto de Santos: enquanto as obras de construção das avenidas
perimetrais se arrastam há pelo menos quatro anos e outros projetos nem saíram
da gaveta, a iniciativa privada faz a sua parte sempre com maior rapidez. Até
porque precisa recuperar investimentos e obter lucros com as concessões que
recebe do poder público.
Nem mesmo a perspectiva de refluxo nos ganhos, provocado pela crise financeira
mundial, tem levado as concessionárias a recuar em sua programação. A ideia é
aproveitar a desaceleração econômica para investir em obras de expansão e
melhorar os serviços com o objetivo de reorganizar a cadeia logística, incluindo
porto e terminais.
Num rápido balanço, podemos relacionar pelo menos nove grandes empreendimentos
do setor privado. Um deles é o Terminal Marítimo do Valongo (Teval), do Grupo
Libra, que até o final do ano estará em funcionamento. Em fevereiro, foi
inaugurada a primeira fase do Teval e, em seguida, iniciada a segunda (e última)
etapa de um empreendimento que constitui uma parceria com a MRS Logística, que
permitiu a exploração da área sob seu domínio. O empreendimento está avaliado em
R$ 100 milhões, sem contar investimentos em equipamentos.
Outro empreendimento de vulto é o do Terminal para Contêineres da Margem Direita
(Tecondi), que pretende aumentar sua produtividade em 230% com a entrada em
operação de dois portêineres – guindastes sobre rodas especiais para embarque e
desembarque de contêineres – e a ampliação de sua área no Cais do Saboó. Segundo
o Tecondi, investimentos de R$ 180 milhões devem elevar o seu potencial de
operação para 700 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por
ano.
Já a Mesquita Soluções Logísticas anunciou que pretende investir R$ 12 milhões
em novos sistemas de controle de operações em seus terminais retroportuários em
Santos e Guarujá, a exemplo do Grupo Rodrimar, que vem investindo em programas
de informática, novos equipamentos e melhoria de sua infraestrutura no Cais do
Saboó a fim de aumentar sua capacidade de 250 mil para 400 mil TEUs.
Por seu lado, a Stolthaven espera investir R$ 20 milhões em seu terminal na
Alemoa, especialmente para colocar em operação novos tanques de armazenamento.
Para o segundo semestre, a multinacional prevê a construção de um ramal
ferroviário. Além disso, investe em obras de ampliação que deverão estar
concluídas em 2011. É de lembrar que a unidade da Stolt em Santos movimentou no
ano passado 1,6 milhão de toneladas em produtos, quase 100 mil toneladas a mais
que em 2007.
Na área de granéis, os terminais Teaçu e Cosan pretendem aumentar em até 50% a
capacidade de movimentação de cargas do novo terminal açucareiro. Integrados, os
dois terminais esperam chegar a 13 milhões de toneladas em pouco tempo.
A agroindustrial francesa Louis Dreyfus Commodities, que movimenta
principalmente suco de laranja, espera concluir até meados do ano as obras de
ampliação de seu terminal no antigo Armazém 30. Seus investimentos já foram
feitos com a perspectiva do aumento de movimentação a partir de 2011, quando, em
razão do trabalho de dragagem, o canal do estuário receberá navios de maior
calado.
Já o Noble Group, líder mundial em suprimentos agrícolas, com sede em Hong Kong,
prevê para novembro a inauguração de seu terminal no antigo Armazém 12-A, depois
de investir cerca de R$ 60 milhões em conjunto com o grupo Itamaraty, que
arrendou a área em 2001. O terminal irá movimentar soja e milho, além da
produção de açúcar da própria empresa. Por fim, a Embraport, do grupo Coimex,
espera colocar em funcionamento em 2011 o seu complexo multiuso na área
continental, que deverá operar 1,2 milhão de contêineres e 2 milhões de metros
cúbicos de álcool por ano.
Como se vê, são promissoras as perspectivas que se abrem, apesar do período
recessivo. O que se espera é que o poder público e a iniciativa privada unam
esforços e atuem de maneira articulada para que o Porto de Santos esteja
preparado para suportar a nova onda de crescimento, que, com certeza, virá
depois desta fase.
Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do
Centro de Logística de Exportação (Celex), de São Paulo-SP.
E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br