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Qual o destino dos grandes Operadores Logísticos Internacionais no Brasil e quais os impactos para o mercado interno?

Por Marco Antonio Oliveira Neves

25/09/2009

Em meados da década de 90, os grandes operadores logísticos mundiais descobriram o Brasil. Vieram para cá empresas como Danzas, Emery, Hellmann, Katoen Natie, Kuehne-Nagel, Martin Brower, McLane, Penske, Ryder, Schnellecke, TNT, UPS, etc. O tão esperado "terremoto" não aconteceu e as inúmeras previsões catastróficas de extinção das empresas nacionais atuantes no ramo de serviços logísticos não se realizaram. Pelo contrário, a entrada dessas empresas serviu de estímulo para que muitas empresas terceirizassem suas operações logísticas, promovendo o surgimento e o crescimento de muitas empresas nacionais. Algumas até ousaram se tornar maiores do que são atualmente essas grandes empresas internacionais no Brasil. E muitos apostaram e continuam apostando no fracasso dessas grandes empresas.

As otimistas previsões de crescimento dessas empresas não ocorreram por diversos fatores, como erros no entendimento das necessidades do cliente, por conta do operador logístico e por muitas vezes pelo próprio cliente, competição predatória entre os próprios operadores logísticos, diferenças culturais, tentativa de implantar aqui pacotes de soluções desenvolvidas no exterior, falhas na estruturação da empresa, erros na contratação de pessoal e direcionamento estratégico, etc, etc e etc. Nos últimos anos, esses gigantes da logística viveram "na carne" as conseqüências desses erros e parece que aprenderam e estão retornando fortalecidos, maduros e com um apetite voraz por novos clientes ou por maiores volumes de negócios em seus clientes atuais. Por outro lado, o cliente também amadureceu. Ele sofreu muito com perdas financeiras, falta de informação, promessas, sonhos e expectativas, e sabe agora, separar o "joio do trigo".

Os grandes 3PLs ou Operadores Logísticos virão forte, muito forte, e meu conselho para as pequenas, médias e até grandes empresas de transporte e operadores logísticos nacionais, com raras exceções, é: unam-se a eles e tenham essas grandes empresas como seus Clientes ou preparem-se para uma competição desigual! Num primeiro momento eles buscarão os grandes clientes, principalmente aqueles com os quais realizam negócios em outros países, portanto, saiam da frente, buscando novos mercados! Num futuro não muito distante passarão a atacar também as empresas de médio porte.

Por outro lado, não esperem que os grandes 3PLs internacionais realizem grandes aquisições ou fusões no mercado brasileiro. Eventos como a compra da Unidocks pela Exel serão cada vez mais raros. Se ocorrer, será mais pela insistência e habilidade de diretores dessas grandes empresas aqui no Brasil do que por orientação estratégica da matriz na Europa ou Estados Unidos e Canadá. A "bola da vez" é o mercado asiático, em particular a China, Taiwan, Japão, Cingapura e Coréia do Sul, países com indústrias de altíssima tecnologia, ávidas por soluções complexas em logística e supply chain. Não nos esqueçamos também das eleições presidenciais nos Estados Unidos, que até que se tenha uma definição mais concreta, continuará influenciando o bom humor dos investidores internacionais. Os grandes 3PLs internacionais que aqui estão terão que competir com as próprias forças e mostrar resultados para suas respectivas matrizes.

A boa notícia para a grande maioria das empresas é que nesse segmento de prestação de serviços logísticos, o mercado brasileiro ainda tem muito a crescer, projetando taxas de expansão fora da realidade da economia brasileira, em torno de 20 % ao ano. Existe ainda um imenso espaço para crescimento e para a oferta de novos serviços logísticos. Muitas pequenas, médias e grandes empresas optarão pela terceirização logística, criando valiosas oportunidades para as empresas de logística nacionais, incluindo-se as empresas de transportes que pretendem ou não se transformar num operador logístico. Este é o momento propício para definir ou rever a sua estratégia de atuação comercial. Muitas dessas empresas optarão por focar em clientes menores ou se especializar em determinados segmentos como produtos químicos, granéis sólidos e líquidos, produtos farmacêuticos, telecomunicações, etc. Outras se associarão aos grandes 3PLs e terão que se contentar com margens menores, mas com grandes e constantes volumes de trabalho e outros ainda insistirão em competir com eles.

Prever o futuro daí em diante será difícil, pois cada empresa reagirá de forma diferente, dependendo da estratégia assumida. Portanto, seja qual for a sua escolha, prepare-se e prepare-se muito bem.


Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br - www.tigerlog.com.br