Qual o Papel do Responsável Técnico nas Empresas do TRC?
Por Marco Antonio Oliveira Neves
25/09/2009
A Lei nr. 11.442, de 05/01/2007 é considerada por muito profissionais do TRC um
importante marco do setor, por disciplinar a atividade de transporte de cargas.
A lei trata de aspectos fundamentais como as exigências mínimas para o registro
no RNTR-C, o repasse do custo para o Embarcador nas esperas para carga e
descarga acima de 5 horas, a questão da não existência de vínculo empregatício
entre o transportador autônomo e a empresa de transportes, etc.
No entanto, a lei define a existência de um Responsável Técnico que deverá
representar a empresa de transportes perante os órgãos públicos como responsável
pelo cumprimento das diferentes normas que regem a atividade de transporte sem
detalhar exatamente o escopo de atividades desse profissional e a formação
técnica mínima exigida.
Para que sejam cumpridos os requisitos técnicos e legais do transporte, sob o
ponto de vista do meio-ambiente, saúde do trabalhador e da comunidade
beneficiada ou afetada direta ou indiretamente, este profissional deverá ter uma
ampla formação, envolvendo aspectos relacionados às leis trabalhistas,
legislação de trânsito, normas de segurança no manuseio e transporte de cargas,
sistemas de gestão da qualidade, etc. Outros importantes temas, embora
implícitos, senão pré-requisitos para a função estão relacionados ao
conhecimento dos tipos de veículos e sua aplicabilidade, perfil e
dimensionamento da frota, infra-estrutura operacional, manutenção, custos
operacionais, processos, etc. E se entendermos que tudo isso deverá estar
alinhado com as necessidades e expectativas dos Clientes, podemos concluir que
se trata de um SUPER HOMEM!
Em um país, onde a logística mal completou 15 anos, onde poucos são os cursos
destinados à formação de profissionais do setor e onde as empresas do TRC passam
por enormes dificuldades econômicas e não possuem a ‘cultura’ de investir em seu
capital humano, podemos concluir que será mais fácil esse aspecto da lei perder
sua eficácia em função da sua inaplicabilidade prática do que as empresas
descobrirem potenciais candidatos à vaga e investir na sua formação técnica.
Supondo que isso seja possível, qual seria o escopo de atividades desse
profissional?
Entendo que ele deverá:
*zelar pelo cumprimento das normas de segurança no manuseio e transporte das
cargas, principalmente se tratando de cargas químicas e perigosas;
*assegurar que os processos operacionais e administrativos atendam à legislação
de trânsito, ao meio-ambiente e interesse da comunidade e Clientes no que se
refere a limites de peso e dimensão de veículos, horário de circulação de
veículos, velocidade, etc;
*garantir a realização do plano de manutenções preventivas e corretivas;
*participar ativamente da definição do perfil e do dimensionamento da frota e
infra-estrutura, da gestão da frota própria e de terceiros, além é claro, do
controle dos custos operacionais;
*ter conhecimento dos indicadores de desempenho gerados internamente e para
Clientes;
*interagir com a área de Recursos Humanos em questões referentes ao atendimento
das leis trabalhistas, saúde do motorista, treinamento e até aspectos
motivacionais;
*participar de campanhas internas de prevenção de acidentes e de outros eventos
promovidos com o intuito de preservar a saúde e segurança dos funcionários da
empresa;
*participar do processo de seleção e avaliação de Fornecedores de serviços
relacionados a gerenciamento de riscos, segurança patrimonial, tecnologia de
monitoramento, manutenção da frota, etc;
*participar ativamente do processo de homologação de parceiros operacionais;
*estimular o uso das ferramentas e técnicas de gestão da qualidade;
*participar da elaboração do planejamento estratégico da empresa e de seus
ajustes;
*acompanhar os resultados financeiros da empresa, colaborando pro - ativamente
na solução de problemas que porventura venham a comprometer a rentabilidade da
empresa;
*atuar em conjunto com a área Comercial nas questões referentes a venda,
pós-venda e gestão contratual, visando assegurar o cumprimento dos requisitos
legais;
*atuar junto a órgãos públicos, sindicatos e associações de classe em assuntos
referentes a normas regulatórias do setor.
Portanto, podemos concluir que não se trata de um profissional, mas sim de um
conjunto de colaboradores atuando em conjunto, com um mesmo objetivo. Se exigida
a “individualização” do Responsável Técnico, muito provavelmente essa tarefa
caberá ou ao proprietário da empresa, ou ao Diretor / Gerente Geral ou ao
Diretor / Gerente de Operações.
Qual a formação necessária? Bem, como dissemos acima, precisará ser um SUPER
HOMEM!
Marco Antonio Oliveira Neves é Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e
Outplacement e Treinamento em Logística Ltda. marcoantonio@tigerlog.com.br -
www.tigerlog.com.br