São Sebastião: Porto em Expansão
Por Milton Lourenço
15/12/2009
Quem milita no comércio exterior há mais de quatro décadas já perdeu a conta de
quantas vezes ouviu que o Porto de São Sebastião irá se transformar num grande
complexo portuário capaz de se rivalizar ou ao menos desafogar o tão concorrido
Porto de Santos. Talvez a definição não fosse exatamente essa – a de grande
complexo portuário –, mas já nos anos 60 se ouvia muito que São Sebastião tinha
tudo para se transformar num porto tão importante quanto o de Santos. Foi por
essa época que lá se instalaram unidades da Petrobras.
Bem feitas as contas, a vocação portuária de São Sebastião talvez remonte ao
início do século XVIII, à época em que se criou a capitania de São Paulo e Minas
do Ouro, sucessora da capitania donatarial de São Vicente, ao tempo em que a
febre do ouro tomava os campos de Minas e o metal precioso era escoado – ilegal
ou legalmente – por Parati e outros atracadouros da região.
Foi, porém, na década de 1940 que se começou mais efetivamente a discutir planos
de expansão para o Porto de São Sebastião, sem que tivessem tido seqüência.
Ainda agora o governo do Estado vem de anunciar que o Porto de São Sebastião
será ampliado em mais de um milhão de metros quadrados, com a abertura de
concorrência pública para a instalação de oito terminais privados de líquidos,
sólidos, contêineres e veículos de apoio ao setor petrolífero. As licitações
deverão estar concluídas até o final do primeiro semestre de 2010.
Desta vez, estes planos de expansão têm tudo para ter a seqüência esperada. Até
porque pela primeira vez no Brasil, o projeto de expansão para o porto foi
discutido paralelamente com a questão dos acessos. Assim é que estão em estudo
várias obras viárias que pretendem tornar São Sebastião o escoadouro natural
para as empresas do Vale do Paraíba.
Para tanto, o governo do Estado pretende promover a concessão da gestão das
rodovias que dão acesso ao Litoral Norte. Dessa maneira, serão as
concessionárias que terão a missão de tocar as obras de duplicação da rodovia
dos Tamoios e de ampliação das rodovias Mogi-Bertioga, Oswaldo Cruz e SP-55,
além do contorno viário de Caraguatatuba. A carreta ou caminhão que sair de
Serra Acima por uma dessas rodovias terá a oportunidade de chegar à área
portuária, sem a necessidade de passar pelo perímetro urbano de São Sebastião.
Obviamente, quando tudo isso sair do papel, São Sebastião passará a ocupar uma
posição superior à de hoje, de sétimo porto do País, com uma movimentação de 50
milhões de toneladas. É verdade que a natureza, do ponto de vista portuário, não
foi tão favorável a São Sebastião como a Santos e os seus planos de expansão
estarão sempre limitados a um único berço e muitos obstáculos topográficos, mas,
hoje, a tecnologia supera muitas dificuldades e oferece a possibilidade da
construção de berços artificiais em que os navios podem operar dos dois lados e
docas que permitem a operação em vários níveis.
Seja como for, é de assinalar que São Sebastião tem uma grande vantagem em
relação a Santos: a possibilidade de atracação de navios de grande calado e com
capacidade para até 400 mil toneladas, o dobro das embarcações que operam no
complexo portuário santista.
Segundo dados da Companhia Docas de São Sebastião, empresa vinculada à
Secretaria de Estado dos Transportes, em 2008, 860 navios de grande porte
passaram pelo porto de 5.600 embarcações, que movimentaram 833 mil toneladas,
sem contar a movimentação no terminal da Petrobras, além de 49,5 mil unidades de
contêineres. A previsão é que, daqui a década e meia, com todos os investimentos
previstos, o porto venha a movimentar 900 mil contêineres.
Se assim for, São Sebastião, tornando-se um porto que se destaque pela qualidade
e rapidez de seus serviços, com certeza, irá atrair cargas não só do pólo
logístico do Vale do Paraíba, que hoje seguem para Santos, Sepetiba e portos de
Santa Catarina, mas também da Grande São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Sul
de Minas Gerais.
Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do
Centro de Logística de Exportação (Celex), de São Paulo-SP.
E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br