Tecnologia da Informação Aplicada à Logística
Por Eduardo Banzato
06/01/2010
Em um mercado competitivo, a exigência por soluções efetivas e mudanças
inovadoras no setor logístico é cada vez maior. Grandes investimentos tornam-se
justificáveis, quando o assunto em pauta evidencia a necessidade da atualização
de uma empresa perante os desafios da logística.
Diante deste quadro, a Tecnologia da Informação (TI) ganha um importante papel,
senão fundamental no setor logístico, em que dispõe-se de modernas ferramentas
especializadas pelos desenvolvedores locais e internacionais.
Com o objetivo de ser um instrumento facilitador no processo da tomada de
decisão, a TI possibilita a integração e a troca de informações entre as
atividades que compõem a cadeia de valor de uma empresa, ou seja, as chamadas
atividades primárias – que tratam desde a entrada de pedidos até sua entrega ao
cliente – e as atividades secundárias – que provêem a infra-estrutura e a
tecnologia para viabilizar o atendimento ao cliente.
Para entendermos sobre os componentes emergentes da TI e sua aplicabilidade, o
primeiro passo é termos explícitos os processos que compõem essa cadeia de
valores, sua interação com o mercado, clientes e fornecedores.
Vamos iniciar nossas considerações com uma analogia: como fica o conceito da
Cadeia de Abastecimento (Supply Chain), aplicado à tecnologia de informação? Da
mesma forma que cada elo (agente) da cadeia de abastecimento agrega valor
enquanto processa suas matérias-primas gerando produtos, cada processamento na
cadeia de informação enriquece o conteúdo.
Na prática dispomos de um oceano de dados, dos quais podemos extrair diversas
informações e então sintetizar algum conhecimento, que enfim provê subsídios
críticos para a tomada de decisões. Contudo, a progressão nesta cadeia de
informações não é tão fácil quanto parece, exigindo um enquadramento da
realidade, identificação de padrões e modelagem das regras.
Em seguida, é necessário desenvolver aplicações genéricas que precisam ser
parametrizadas, e até mesmo customizadas conforme as particularidades de cada
processo e organização. A próxima etapa em nossa radiografia da cadeia de
informação é identificar os principais fornecedores das tecnologias
fundamentais.
Na teoria sobre sistemas de informação encontramos alguns conceitos
interessantes, capazes de facilitar nosso entendimento da arquitetura dos
computadores. Nestes conceitos, são definidas as camadas de softwares,
decidindo-se em cinco, que progressivamente agregam mais recursos e
funcionalidade aos computadores.
A primeira camada se refere à plataforma de hardware que processa dados em
código de máquina (linguagem hexadecimal). A Segunda camada contempla o sistema
operacional, que está encarregado de gerenciar os diversos componentes e
periféricos conectados no sistema, servindo como uma interface de comunicação
entre o hardware e os níveis seguintes. A terceira camada envolve as linguagens
de programação e os gerenciadores de bancos de dados. Na Quarta camada, residem
os aplicativos para usuários finais. Na Quinta camada encontramos a tecnologia
de Workflow.
Já estão nos laboratório de pesquisa aplicada as aplicações na Sexta camada, que
se popularizarão em breve, com o advento das tecnologias de interface de voz e
linguagem natural.
Na Quarta camada, classificamos as soluções de TI, definidas como “sopa de
letras” freqüentemente mencionadas no mundo corporativo, em cinco categorias
distintas, o Planejamento, Execução, Comunicação e Integração; Controle e
Concepção e Implementação de Mudanças.
Com a meta de integrar e automatizar os componentes da cadeia de valor, as
soluções de TI referidas acima, incluem os produtos identificados como: CRM,
sistema especializado no atendimento personalizado do cliente (Planejamento);
WMS, sistema que agrega inteligência aos processos inerentes aos almoxarifados
(Execução); EIS, sistema de acompanhamento do negócio, por meio do monitoramento
de seus principais sinais vitais (Controle); entre outros.
A repercussão dos efeitos causados com aplicação de uma TI é imensa. Como
exemplo, podemos citar, no setor financeiro, a redução de custos à automação dos
processos, a diminuição de riscos com o processo de simulação; no setor
mercadológico, a qualificação de clientes, a agilidade e velocidade de
respostas, a abertura em novos mercados; quanto aos processos internos, haverá
uma melhoria na comunicação, consistência das informações, incremento de
segurança. Lembrando que esses são apenas alguns dos inúmeros benefícios
acarretados pela TI.
Ao avaliar a possível implementação de qualquer solução de TI, a fim de que os
resultados deste processo sejam os melhores possíveis para sua organização,
usualmente recomendamos que sejam detalhadamente apurados os requisitos e
especificações requeridos.
Por requisitos entendemos todas as características externas observadas de um
sistema, cuja presença é desejada por um usuário, comprador, cliente ou qualquer
outra parte envolvida. Os requisitos precisam ser elucidados, triados e
formalizados em termos de especificações. As especificações traduzem as funções
técnicas capazes de atender as necessidades dos envolvidos, sendo inclusive
possível até mesmo aplicar a técnica de QFD (desdobramentos da função qualidade)
para um efetivo sendo de valor nos requisitos requeridos.
Eduardo Banzato é Diretor e instrutor da IMAM Consultoria Ltda, empresa
especializada na solução de problemas relacionados à logística e engenharia
industrial, movimentação e armazenagem de materiais, técnicas modernas de
administração da manufatura e estratégias de produtividade. www.imam.com.br e
www.revistaintralogistica.com.br