O Código de Defesa do Consumidor Como Fator Relevante no
Comportamento do Consumidor
Por Daniela Rodarte Vianna e Otto Herman
05/11/2007
Resumo
O objetivo dessa pesquisa é verificar por que o código do consumidor
é tão importante atualmente. Quais seus efeitos e influências no
comportamento do consumidor e até que ponto ele pode ser utilizado
para ajudar os cidadãos na defesa dos direitos por eles adquiridos.
A investigação foi realizada através de pesquisas bibliográficas,
principalmente, nas obras de Kotler, Mowen e Minor. Verifica-se,
então, que no processo de decisão de compra, o consumidor busca
algumas fontes de informação, uma delas é a governamental, na qual o
Código de Defesa do Consumidor se encaixa. O Código é um instrumento
que preserva o consumidor de práticas abusivas. A fonte mais
utilizada ainda é a comercial que nem sempre é a mais honesta.
Palavras-chave: Marketing, Comportamento do Consumidor, Código de
Defesa do Consumidor.
1 INTRODUÇÃO
A concorrência é feroz e às vezes, as empresas cometem certos abusos
na hora de convidar, incitar e despertar o desejo nos seus clientes.
Sabe-se que o consumidor utiliza algumas fontes de informação no
processo de decisão de compra. A fonte mais utilizada é a fonte
comercial mas nem sempre é a mais honesta. Muitas vezes o conceito
de Marketing, entender para atender, é transformado, tornando o
consumidor completamente vulnerável. Partindo desse pressuposto, foi
criado o Código de Defesa do Consumidor, que pune e estabelece
condutas para preservar e defender o lado mais fraco da relação de
consumo. O código serve para preservar o consumidor de práticas
abusivas. Nele o consumidor tem o respaldo da lei.
Portanto, o Código oferece uma ligação entre os que consomem e os
que fornecem, fazendo com que ambos possam estabelecer uma relação
saudável, produtiva e baseada na honestidade, no respeito e
principalmente na lei. Sendo assim, o objetivo deste trabalho é
verificar por que o Código de Defesa do Consumidor é um fator
relevante no comportamento do consumidor, e os direitos básicos do
consumidor estabelecidos pela Lei n° 8.078/90.
A metodologia utilizada foi a pesquisa exploratória com fontes
bibliográficas. A pesquisa exploratória tem como objetivo tornar o
tema proposto mais familiar e as fontes bibliográficas oferecem
fundamentação teórica para o desenvolvimento do trabalho por meio de
consultas de informações específicas sobre o assunto.
As atividades do Marketing existem desde a Antiguidade. Mesmo que os
homens não soubessem, eles já faziam Marketing quando propunham as
mais simples trocas. Apesar disso, os ideais de Marketing somente
foram apresentados ao mundo na década de 50 (SANTOS, 2000, p. 36). O
presente artigo discorre sobre o Marketing, suas origens, seus
principais conceitos, o comportamento do consumidor e o processo de
decisão de compra.
2 MARKETING
2.1 Origens e Conceitos
A preocupação do homem com o Marketing é recente. É somente a partir
da década de 50 que o termo ganhou vulto, quando passou-se a
utilizá-lo para simbolizar uma importante atividade empresarial.
Apesar disto, as atividades típicas do Marketing constituem-se em
uma das profissões mais antigas do mundo, surgindo no momento
histórico em que o homem passou a realizar trocas entre si, e isto
ocorre ainda na antiguidade. Evidentemente, o homem não tinha
consciência de que fazia Marketing, tampouco existia um estudo
formal desses processos e relações de troca: tal só iria ocorrer,
repita-se, na segunda metade deste século XX (SANTOS, 2000, P.17apud
KOTLER, 1998, p. 25).
As origens do Marketing misturam-se com a história da humanidade. As
relações de consumo permeiam os relacionamentos entre os homens. O
estudo dessas relações e do mercado é uma ciência relativamente nova
se comparada com as outras áreas do saber.
Os estudos mais intensivos sobre o consumo e todas as suas nuances
surgiram com a Revolução Industrial. A Revolução mudou radicalmente
o mercado com a mecanização dos sistemas de produção. Os produtos
passaram a ser produzidos mais rapidamente, os preços caíram e o
consumo aumentou. O aumento populacional também impulsionou a grande
demanda por produtos e serviços.
Nessa fase da História, o Marketing ainda era atrelado à economia e
aos modelos de Administração Clássica. As decisões de compra eram
das empresas, os consumidores ainda não tinham escolha. A
preocupação das empresas era somente com a produção e a logística.
Com o aumento tecnológico, as empresas iniciaram o processo da
concorrência. A partir dessa premissa, a difusão dos ideais do
Marketing, tornou-se essencial. Agora é “diferenciar ou morrer”
(TROUT, 2000).
Essa nova realidade trouxe uma reação, houve um aumento das
empresas. O aumento da concorrência incitou nos estudiosos do
mercado questões importantes sobre como seduzir e lidar com os
consumidores. Nessa mesma época surgiram vários autores importantes
que disseminavam a cultura do Marketing.
As empresas começaram a ter uma orientação voltada para o
consumidor. Isso significava que eles precisavam identificar e
satisfazer os desejos dos consumidores. Mas não era tão simples
assim. A identificação e satisfação dependiam muito de como, onde e
por qual preço o consumidor sentir-se-ia mais atraído.
Inicialmente, essas idéias eram maliciosas e não se preocupavam com
os direitos dos consumidores. Técnicas eficientes, mas maliciosas se
misturavam. Como bem disse Kotler (2000, p.17), “a maior parte do
pensamento de Marketing concentrava-se na realização de vendas”.
Os novos profissionais que surgiram – os de Marketing - passavam por
situações adversas, nas quais tinham que tomar decisões difíceis
sobre os produtos, suas qualidades, características, desenvolver
ações que sustentassem seu produto, determinar preços, pontos de
venda as forças de vendas e como esse produto atrairia o consumidor.
Atualmente, os profissionais de Marketing têm as mesmas tarefas, mas
certamente existe um ponto muito distinto: o mercado. Marketing
afinal é “um modo profundo e ordenado de refletir mercados e
planejar para eles” (Kotler, 2000 p.18).
Os profissionais de Marketing de hoje, é claro, deparam-se com as
mesmas difíceis decisões. Mas o mercado de hoje é imensamente mais
complexo. Mercados domésticos, outrora a salvo de invasores
estrangeiros, estão hoje franqueados para gigantescas empresas
globais, assim como para especialistas globais em encontrar e
atender a nichos de mercados. Importantes avanços tecnológicos
reduziram significativamente o tempo e a distância: novos produtos
são lançados em um ritmo espantoso e tornam-se mundialmente
disponíveis em curto espaço de tempo. Os meios de comunicação
proliferam. Novos canais e formatos de distribuição continuam a
aparecer. Os concorrentes estão por toda parte... e estão famintos
(PHILIP KOTLER, 2000 p.17).
O Marketing está intrínseco em todas as partes do mundo. Em todos os
ambientes, o Marketing age direta ou indiretamente. Esse novo mundo
está abastado de informações e elas dão o poder de decisão de
compra. Felizmente, a satisfação do consumidor é um dos mais
importantes pilares do Marketing.
Atualmente, o Marketing é parte essencial das empresas. É ele que
norteia todas as ações, como também acontece com os estudos sobre
comportamento do consumidor. O relacionamento das empresas com seus
clientes é um fator importante para que ela tenha sucesso.
A integração da palavra Marketing no vocabulário das pessoas deu-se
de uma forma espantosa. Hoje, todos falam de marketing, todos fazem
marketing, mas nem todos conseguem defini-lo. A comunicação, a
mídia, as novas tecnologias são fatores responsáveis pela
disseminação da palavra.
Embora a maioria das pessoas associe o Marketing à venda, essa,
portanto é a última etapa de todo o processo. Se tudo estiver
correto no processo, no desenvolvimento das ações de Marketing a
venda é somente uma conseqüência.
A American Marketing Association (AMA) definiu o Marketing como uma
“função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a
criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem
como a administração do relacionamento com eles, de modo que
beneficie a organização e seu público interessado”
(www.marketingpower.com).
Outro conceito de marketing é o das necessidades humanas. O
profissional de marketing que entende essas necessidades consegue
com ações estratégicas transformá-las em desejos. Desejos são as
necessidades humanas moldadas pela cultura e individualidade.
Também se classifica o Marketing como um “processo social por meio
do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e
o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e
serviços de valor com outros” (KOTLER, 2000, p. 30). Kotler ainda
diz que: “Marketing é a entrega da satisfação para o cliente em
forma de benefício”.
Ainda é possível definir o Marketing como um processo de troca, em
que duas ou mais partes se dão algo de valor, com o objetivo de
satisfazer necessidades recíprocas. (BOONE e KURTZ, 1998, p.7).
Boone e Kurtz (1998, p.11), ainda dizem que “todo consumidor precisa
adquirir bens e serviços com certa freqüência para satisfazer suas
necessidades. Ao concentrar-se nos benefícios resultantes desses
bens e serviços, o Marketing efetivo converte necessidades em
desejos”.
Todos os conceitos de Marketing afluem no sentido de definir o
mercado e o comportamento do consumidor. Mercado é, segundo Kotler
(2000, p. 237), o conjunto de “todos os consumidores potenciais que
compartilham de uma necessidade ou desejo específico, dispostos e
habilitados para fazer uma troca que satisfaça essa necessidade ou
desejo”. Todos tentam decifrar a mente do consumidor, suas
necessidades e carências e buscam atender da melhor forma. As
necessidades transformam-se em desejos.
3 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR
3.1 Origens e Conceitos
Assim como o Marketing, o estudo do comportamento do consumidor é
recente. Depois de difundido o conceito de Marketing, percebeu-se a
necessidade de conhecer o consumidor, suas necessidades, seus
desejos e como seria possível satisfazê-los. As bases do
comportamento do consumidor estão em sua maioria, mescladas com
princípios psicológicos.
Karsaklian (2000, p. 11) define: “ser consumidor é ser humano. Ser
consumidor é alimentar-se, vestir-se, divertir-se... viver.” Baseada
nessa citação é possível dizer que todos, sem restrições são
consumidores, mesmo que às vezes não saibam. Todos têm suas
motivações, o consumidor é apenas uma parte do ser humano.
Segundo Mowen e Minor (2003, p. 3) “o comportamento do consumidor é
definido como o estudo das unidades compradoras e dos processos de
troca envolvidos na aquisição, no consumo e na disposição de
mercadorias, serviços, experiências e idéias.” Então tudo que é
passível de troca, caracteriza o consumo. É sabido que esse processo
envolve uma série de fases. E são essas fases que são estudadas no
comportamento do consumidor. É preciso saber por que as pessoas
consomem e como fazem. Compreender os consumidores gera vários
benefícios.
A importância de se compreender o consumidor é encontrada na
definição de marketing como uma “atividade humana direcionada a
satisfazer necessidades e vontades por meios de processos de trocas
humanos”. A partir dessa definição emergem duas atividades-chave do
marketing. A primeira é que os profissionais de marketing tentam
satisfazer às necessidades e vontades de seu mercado-alvo. A segunda
é que o marketing abrange o estudo do processo de troca por meio do
qual duas partes transferem recursos entre si (MOWEN e MINOR, 2003,
p.4).
As necessidades dos consumidores, reais ou potenciais, dificilmente
serão satisfeitas se os profissionais de marketing não entenderem
seus hábitos, costumes, desejos. Em posse dessas informações, o
processo de tomada de decisão em marketing é facilitado.
Por que estudar o comportamento do consumidor? O consumidor é o
centro de toda a atividade do Marketing, entendê-lo, saber como ele
é motivado, como ele compra e como utiliza os bens é a chave do
sucesso nos negócios. Para o Marketing, o conhecimento sobre o
consumidor ajuda a identificar de modo mais incisivo necessidades
presentes e as futuras; permite uma melhor comunicação entre a
empresa e o cliente; é possível também obter uma confiança e, enfim,
planejar com mais precisão suas ações. No entanto, é necessário que
se observe o indivíduo e sua percepção individual, suas atitudes, as
influências culturais e sociais, algumas das variáveis que podem
interferir no seu comportamento.
O conhecimento das necessidades do consumidor, do processo de
decisão de compra e dos fatores condicionantes beneficia ambos os
intervenientes na relação de troca. Para o consumidor: facilita,
orienta e torna mais satisfatório a compra e o consumo de bens ou
serviços (produtos mais ajustados, preços razoáveis, distribuição e
comunicação mais adequadas). Para a empresa: o conhecimento das
necessidades do consumidor é o ponto de partida para o traçar da
estratégia comercial, a qual se estiver mais adaptada ao consumidor,
fará aumentar a procura dos produtos oferecidos.
(www.faculdadesenergia.com.br).
De acordo com Boone & Kurtz (1998), o comportamento do consumidor
pode ser visto como um processo de decisão, cujo ato de compra é
meramente uma ponta do processo. Para compreender o comportamento do
consumidor é necessário conhecer os passos do processo de decisão.
Assim, segundo Engel (2000, p. 4), “comportamento do consumidor é a
somatória das atividades diretamente envolvidas em obter, consumir e
dispor de produtos e serviços, incluindo os processos decisórios que
antecedem e sucedem estas ações”.
Em uma troca ética geralmente surgem os elementos a seguir: Ambas as
partes conhecerão por completo a natureza do acordo que estão
celebrando; nenhuma das partes da troca representará mal ou omitirá
intencionalmente informações relevantes à outra parte; nenhuma das
partes da troca influenciará a outra de maneira indevida. (MOWEN e
MINOR, 2003, p. 14 apud VELÁSQUEZ 1982).
O comportamento do consumidor baseia-se nos processos de troca.
Segundo Mowen e Minor (2003, p. 14), nessas trocas, a confiança
entre as partes é extremamente importante e existe um fator que
influencia nos laços de confiança: a ética. Para Mowen e Minor
(2003, p. 14) apud Holbrook (1994, p.566-571), ética é o estudo dos
julgamentos normativos com relação ao que é moralmente certo e
errado, bom e ruim. Portanto, sempre que o consumidor se envolve em
um processo de troca surgem também os dilemas éticos. As empresas
também precisam adotar uma postura que ressalte os valores éticos.
3.2 Processo de Decisão de Compra do Consumidor
No processo de decisão de compra, o consumidor passa por uma série
de etapas até a conclusão da compra. Esse processo consiste no
reconhecimento das necessidades, na identificação das alternativas,
na busca de informações. Envolve a apreciação de como o consumidor
escolhe suas opções de compra. Segundo Mowen e Minor (2003), os
consumidores tomam decisões a fim de alcançar objetivos, o que
inclui fazer a melhor escolha entre duas ações, reduzir o esforço da
tomada de decisão, minimizar as emoções negativas e maximizar a
capacidade de justificar a decisão.
Sheth, Mittal e Newman (2001, p. 484) dizem que “as decisões dos
clientes são as que eles tomam no mercado como compradores, pagantes
e usuários. Tipicamente essas decisões incluem se se deve comprar, o
que comprar, quando comprar, de quem comprar e como pagar”.
3.3 Reconhecimento da Necessidade
O reconhecimento da necessidade é ponto de partida do processo
decisório do consumidor; reconhece um problema a ser resolvido ou
uma necessidade a ser satisfeita. O problema, segundo Sheth, Mittal
e Newman (2001, p. 486) “é qualquer estado de privação, desconforto
ou falta (seja física ou psicológica) sentido por uma pessoa”. Já
sobre o reconhecimento do problema em si, os autores classificam
como a “percepção, pelo cliente, de que ele precisa comprar algo
para voltar ao seu estado normal de conforto – em termos físicos ou
psicológicos”.
O reconhecimento do problema é influenciado por fatores internos ou
externos. Podem ser fatores culturais, sociais, influências de
grupos de referências, fatores psicológicos, que podem fazer com que
as pessoas mudem seus hábitos de consumo. Experiências passadas e
características pessoais também podem influenciar o reconhecimento
de uma necessidade.
3.4 Busca da Informação
Uma vez reconhecido o problema, o consumidor precisa de informações
ligadas ao produto ou serviço que deseja. É nessa etapa que é
possível identificar diversas maneiras de solucionar o problema
inicial. Segundo Mowen e Minor (2003, p. 196) “o comportamento de
busca do consumidor é o conjunto das ações tomadas para identificar
e obter informações que resolvam o problema de um consumidor”.
Existem quatro fontes de informação do consumidor, são elas: fontes
comerciais, que são as propagandas, os vendedores, embalagens,
mostruários, as fontes pessoais que são a família os amigos,
vizinhos, conhecidos, as fontes públicas que são os meios de
comunicação de massa, organizações de classificação de consumo, leis
(Código de Defesa do Consumidor) e finalmente as fontes
experimentais que é o manuseio, exame, o uso do produto.
Segundo Kotler (2000) as influências dessas fontes variam de acordo
com as características do consumidor e categoria de produtos. A
fonte que fornece o maior número de informações do produto é a fonte
comercial e nessa fonte podemos destacar os profissionais de
Marketing. Todavia, a fonte de informação mais efetiva é a pessoal,
pois ela é capaz de legitimar, avaliar o produto. “Cada fonte de
informação desempenha uma função diferente ao influenciar a decisão
de compra” (KOTLER, 2000, p. 201)
3.4.1 O Código de Defesa do Consumidor
Uma das fontes de informação no processo decisório de compra é a
fonte pública. Nela destaca-se: os meios de comunicação de massa, as
organizações de classificação do consumo e também as leis, o que
inclui o Código de Defesa do Consumidor.
Em março de 1991, entrou em vigor a Lei n° 8.078/90 – o Código de
Defesa do Consumidor, que é um instrumento de proteção baseado no
“Princípio da Vulnerabilidade”, ou seja, a proteção para aqueles que
são considerados a parte mais fraca da relação de consumo - os
consumidores.
O reconhecimento dessa vulnerabilidade constitui pressuposto básico
de todo o sistema de defesa do consumidor, e nossa lei expressamente
a reconhece em seu art. 4. °, inc. I, considerando tal como
princípio fundamental e informador de todas as demais normas
presentes nesse código. (SANTOS, 2000, p. 114).
A lei não se baseia somente na punição de atos ilícitos, mas também
na divulgação e conscientização dos direitos e deveres dos
consumidores. Estabelece normas e condutas para a inclusão das
formas corretas de se consumir. A lei também publica as obrigações
dos fornecedores. A relação básica disciplinada pelo Código é aquela
entre um fornecedor e um consumidor, que qualifica-se como uma
relação de consumo.
Segundo o Artigo 6° da Lei n°8.078/90, são direitos básicos do
consumidor:
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos
provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços
considerados perigosos ou nocivos;
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e
serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas
contratações;
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e
serviços, com especificação correta de quantidade, características,
composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que
apresentem;
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos
comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e
cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e
serviços;
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam
prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos
supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,
individuais, coletivos e difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à
prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos ou difusos, assegurada a proteção jurídica, administrativa
e técnica aos necessitados;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a
critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
IX - (Vetado);
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
Segundo Santos(www.gfgd.adv.br), “o Marketing alheio ao Direito é
anárquico: o Direito alheio ao Marketing é cientificamente
alienado”. Conclui-se então que as relações de consumo praticadas em
um ambiente jurídico de marketing são regidas pelo Código de Defesa
do Consumidor e esse é o ponto de criação de um Direito de
Marketing.
3.4.2 O Código de Defesa do Consumidor X Marketing
O Direito não pretende desfigurar o Marketing, destruindo seus
pressupostos fundamentais; o que se intenciona ao se regulamentar
esse tipo de prática comercial, é banir a “face negra” do Marketing,
aquele utilizado como forma de abuso de poder econômico e de
manipulação de mercado a serviço de interesses muitas vezes escusos
e mesquinhos. (SANTOS, 2000, p. 14).
Antes do início da vigência do Código de Defesa do Consumidor, não
existia nenhuma regulamentação jurídica da atividade publicitária.
Em 1978, foi votado e aprovado o Código Brasileiro de Ética e
Auto-Regulamentação Publicitária (CBAP), que estabelecia limites
para as atividades do setor. Mas o art. 50 do CBAP, estabelece que
compete ao Conselho de Ética do CONAR (Conselho Nacional de Auto
Regulamentação Publicitária) apreciar e julgar as infrações. Vale
ressaltar que o CONAR (Conselho Nacional de Auto Regulamentação
Publicitária) não tem vínculo com o poder estatal.
Porém essa regulamentação, não protege o consumidor, somente os
interesses dos profissionais do setor publicitário. E o CONAR, não
tem poder para punir os atos ilegais. Mas, o Código de Defesa do
Consumidor estabelece normas jurídicas capazes de coibir os excessos
cometidos pela publicidade. Segundo Santos (2000, p. 209) “o CONAR
serve como primeiro filtro da atividade publicitária”.
Assim, se hoje a regulamentação da publicidade se faz através de um
“sistema misto”, em que há um composto de regulamentação privada
(CONAR e CBAP) e pública (CDC), atente-se, contudo, para o fato de
que o consumidor somente tem a garantia jurídica da defesa de seus
direitos através do CDC. (SANTOS, 2000, p. 209 apud BENJAMIN, 1995,
p. 192).
Além do CDC que ampara o consumidor, Popcorn (2005), diz que existe
atualmente uma tendência que é a do Consumidor Vigilante. Nessa
tendência aparece a vontade dos consumidores de encontrar empresas
mais humanas. Empresas capazes de assumir seus erros e repará-los da
melhor maneira. Empresas éticas, que reajam de forma responsável e
honesta. É preciso aprender a lição de que a relação entre a empresa
e o consumidor é uma relação entre seres humanos. Ouvir o
consumidor, dizer o que for preciso quando indagada, responder às
preocupações dos consumidores é uma boa maneira que as empresas têm
para manter um comportamento ético e decente.
3.5 Avaliação das Alternativas
Logo que o consumidor reconhece o problema ou necessidade, o próximo
passo no processo de decisão é busca de informações. Em posse das
informações, o consumidor vai para a próxima etapa: a avaliação das
alternativas. Nessa etapa o consumidor compara as opções
identificadas e analisa qual delas poderá resolver seu problema. “Os
consumidores variam de acordo com os atributos que consideram mais
relevantes e a importância associada a cada atributo. Eles prestarão
mais atenção aos atributos que forneçam os benefícios buscados”
(KOTLER, 2000, p. 202).
Para Mowen e Minor (2000), é nessa etapa do processo de decisão que
os consumidores obtêm informações necessárias para fazer a escolha
final.
3.6 Decisão de Compra
Logo depois de avaliadas todas as alternativas, o consumidor precisa
escolher entre diversas marcas, serviços ou lojas. Segundo Mowen e
Minor (2003), “a maneira como os consumidores fazem escolhas é
fortemente influenciado pelo seu processo de decisão.”.
3.7 Comportamento Pós-Compra
Os níveis de satisfação ou insatisfação do consumidor são
experimentados pelos consumidores após a compra do produto. Segundo
Mowen e Minor (2003, p. 221), “a satisfação do consumidor é a
atitude referente a um produto ou serviço após sua compra ou uso.”
Portanto, após a compra é possível manter, ativar ou até mesmo
anular a satisfação do cliente. Com isso, “O trabalho do
profissional de marketing não termina quando o produto é comprado.
Ele deve monitorar a satisfação, as ações e a utilização em relação
ao produto depois de efetuada a compra.” (KOTLER, 2000, p. 204).
4.0 METODOLOGIA
A metodologia utilizada foi uma pesquisa exploratória sobre o
Marketing, o comportamento do consumidor e o Código de Defesa do
Consumidor. A pesquisa exploratória evidencia o assunto e o
familiariza. A pesquisa foi realizada numa perspectiva
interdisciplinar abrangendo fontes bibliográficas que puderam
fundamentar teoricamente o objetivo proposto.
5 CONCLUSÃO
A relação existente atualmente entre as empresas e os consumidores é
uma relação de amor e ódio. A concorrência do capitalismo gerou um
aumento no número de consumidores. Esse boom do consumo exigiu das
empresas, ou seja, dos fornecedores um aperfeiçoamento de seus
produtos. Junto com esse aperfeiçoamento veio o interesse dos
fornecedores em aumentar o seu número de clientes. As empresas então
precisavam divulgar seus produtos, mostrando seus atributos e
benefícios.
Nem sempre essas informações eram passadas com exatidão e
honestidade. Com os estudos sobre o Comportamento do Consumidor é
sabido que as informações e suas verdades são parte de um importante
processo – o processo de decisão de compra do consumidor. Os
profissionais de Marketing com base nos estudos do consumidor podem
transformar as necessidades em desejos.
Atualmente, existe uma tendência com relação ao comportamento do
consumidor. O consumidor está mais vigilante, está atento aos seus
direitos. No processo decisório de compra, uma das etapas é a busca
de informações e uma das fontes é a fonte governamental. Nessa fonte
pode-se citar o Código de Defesa do Consumidor, que foi criado
baseado no “Princípio da Vulnerabilidade”, que defende a idéia que o
consumidor é a parte mais frágil das relações de consumo.
O Código de Defesa do Consumidor é um amparo legal para os
consumidores e é preciso que seus dizeres sejam mais difundidos.
Pois, nele, tem-se amparo para todas as situações caracterizadas
como relações de consumo. É preciso, também, que as empresas
utilizem o Código como referência na hora de divulgarem seus
produtos, o código regulamenta as ações possíveis e como elas podem
ser repassadas sem que usurpem os direitos básicos do consumidor que
estão relacionados no artigo 6° da lei n° 8.078/90.
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SANTOS, Fernando Gherardini. Direito do Marketing: uma abordagem
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