Curva de Adoção de Produtos e
Serviços
Por Nori Lucio Jr.
21/10/2007
Todos os produtos e serviços têm seus ciclos específicos
determinados pelo período que vai do seu lançamento no
mercado até seu desaparecimento. Este ciclo está
dividido em fases relacionadas ao comportamento de
compra ou velocidade na adoção pelo cliente. Estas fases
devem ser bem administradas, pois refletem no volume de
vendas, e na rentabilidade.
A “gestão do ciclo de produtos” deve orientar o
posicionamento que determina a competitividade da
empresa em cada fase. A aceleração ou retardo tanto no
lançamento quanto na remoção de produtos e serviços no
mercado (“time-to-market”) impactam positiva ou
negativamente.

Existe uma relação direta entre a evolução de produtos e
serviços com as tecnologias utilizadas por eles. Esta
relação reflete diretamente no “ciclo de vida” tanto dos
produtos quanto no ciclo de maturidade da indústria a
qual pertencem. Na fase de introdução, os chamados
“early adopters” e entusiastas é quem entram primeiro no
mercado. Representam um grupo pequeno de consumidores,
pioneiros no uso de determinadas tecnologias, mesmo que
ainda estejam em fase de teste ou “beta teste”. Estes
normalmente demandam somente tecnologia, ou seja, muitas
vezes nem sabem direito o real benefício do que estão
adquirindo.
Este grupo é seguido pelos visionários, um grupo um
pouco maior que o anterior. A diferença está em como
encaram as inovações. Os visionários pensam em como vão
utilizá-las para ganhar competitividade contra seus
concorrentes. Vêem como oportunidade de diferenciá-los
através da inovação
Conforme a tecnologia amadurece e conseqüentemente o
custo inicial é reduzido, entram no mercado os
consumidores mais pragmáticos. São os que representam
maior volume de compras. Normalmente estão em busca de
soluções convenientes para seus problemas. Apesar de
adotarem rapidamente as inovações, não tomam risco,
buscam por tecnologias testadas e comprovadas.
E por último estão o grupo dos consumidores
conservadores, que são os últimos a entrar no mercado e
que não admitem risco. Esperam que as tecnologias
estejam 100% testadas, com custo bem reduzido. São
extremamente cautelosos tanto na compra quanto na adoção
e dependência. Ainda existem parte deste grupo que são
os tradicionalistas, para quem a tradição é mais valiosa
que a inovação. Normalmente são forçados a adaptarem-se
as novas tecnologias.
O gráfico abaixo ilustra a necessidade das empresas
construírem estratégias de marketing especificas para
cada fase e para cada grupo descrito anteriormente. Os
“early adopters” e os conservadores têm comportamentos
de compra quase que antagônicos com relação ao mesmo
produto ou serviço. O problema em questão é que a
empresa precisa de todos os grupos!
Um exemplo: Quando a Apple reduziu o preço do iPhone em
30% após 2 meses do lançamento, os primeiros
compradores, os mais leais ou (“early adopters”) que
enfrentaram longas filas ficaram indignados com a
redução dos preços e exigiram de "Steve Jobs" um
desconto e um pedido de desculpas.
Este processo de "discriminação de preço" pode dar-se
por outros motivos relacionados a fase do produto e
também a entrada de novos públicos-alvo.
"A estratégia de precificação é uma das tarefas mais
complexas e sensíveis de marketing num mercado altamente
competitivo e inovador. "
Outros exemplos: "Windows Starter Edition" da Microsoft
focado para mercados emergentes e usuários iniciantes
que ao comprarem seu primeiro PC básico levam uma versão
limitada do Windows. A versão para estudantes e
professores do "Office" também da Microsoft possue preço
diferenciado. Fora da indústria de tecnologia as mesmas
estratégias de preço são adotadas como por exemplo nas
passagens aéreas. Os compradores que melhor planejam,
pagam tarifas bem inferiores comparativamente aos que
chegam no último minuto ao aeroporto. Idosos e crianças
também são beneficiados com preços especiais em cinemas,
matinês, ônibus etc... (fonte: Jagmohan Raju - Wharton)
Esta é uma das razões que empresas que detêm tecnologia
lançam seus produtos bem antes que estes cheguem a sua
maturidade. Correm o risco do abismo, ou seja, do
produto não ser aceito e portanto descontinuado.
(“Crossing the Chasm” e “Inside the Tornado” por
Geoffrey Moore). Se passam pelo “abismo” os produtos
normalmente atingem seu pico sem concorrência, altamente
rentáveis e reforçam ou reconstroem a essência da marca
a ponto de serem “ elevadas a verdadeiras legendas “

O iPOD e iPhone são dois excepcionais exemplos recentes
deste tipo de estratégia extremamente bem implementada
liderada por um excepcional inovador: Steve Jobs. Ambos
representaram verdadeiros “breakthrough”, termo em
inglês usado quando “o mundo” muda o comportamento de
uso de determinados “utensílios” ou tecnologias. Steve
Jobs também adotou a mesma postura na Pixar, que deu um
grande trabalho para Disney, que para manter o nível de
competitividade teve que desembolsar vários bilhões de
dólares para comprá-la.
DISRRUPTIVE TECHNOLOGIES
Apesar de todo cuidado e precisão que o "gestor de
produtos" deve obrigatoriamente observar relativamente
aos ciclos, curvas de adoção e curvas de maturidade da
indústria, etc, ainda existem ameaças de novas
tecnologias que simplesmente substituem as disponíveis
no mercado mudando completamente o perfíl e o status das
existentes. (Clayton Christensen - Disrruptive
Technology. Catching the Wave)
Exemplos: fotografia digital, CDs, DVDs, VOIP, notebooks
e microcomputadores, etc.
Outro ótimo modelo que ilustra bem a continuidade dos
ciclos de amadurecimento de produtos e tecnologias são
os "Hype Cicles" (introduzido pelo Gartner). Esta
representação gráfica ilustra uma continuidade
demonstrando que apesar da fase de desilusão, onde a
tecnologia perde "seu momento" provavelmente porque não
atingiu as expectativas. Exemplo a Bolha da Internet em
1999/2000. O espírito inovador dos "player" mantém a
evolução em busca da "aplicabilidade" destas tecnologias
até que pessoas e empresas comecem a compreender sua
utilidade e finalmente adotar de forma natural.

Nori Lucio Jr. é fundador da brandMe, consultoria
especializada em planejamento estratégico. - 20 anos de
experiência na indústria de tecnologia, com passagens
pela gerência de marketing e comunicação na Intel® e
Microsoft®. Formado em marketing, com especializações no
Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de
vários projetos relacionados a construção de marca,
marketing & comunicação e desenvolvimento de canais de
venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.