Estruturando para o Planejamento Estratégico
Por Wagner Herrera
24/05/2007
"O planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas
às implicações futuras de decisões presentes". PETER
DRUCKER
Introdução
O mito criado sobre o Planejamento Estratégico com sendo
a panacéia para o desempenho competitivo das
organizações e a fórmula milagrosa para um futuro
promissor, somente torna-se factível se embasado por uma
visão holística de seus gestores de alto nível. Todos
desejamos sanar os males presentes e ganhar vitalidade
para o futuro e, essa é a prerrogativa do planejamento,
pois...
“O planejamento é uma atividade pela qual o homem,
agindo em conjunto e através da manipulação e do
controle consciente do meio ambiente, procura atingir
certos fins já anteriormente por ele mesmo
especificados”. (FRIEDMAN ).
Ocorre que, em se planejando necessário é, como afirma
Friedman: ...“a manipulação e controle consciente do
meio ambiente”... daí concluirmos que, o componente
preponderante do plano estratégico advem da visão para
fora da empresa, para seu ambiente externo.
Sopa de conceitos
Vários são os conceitos que encontramos dos pensadores
sobre o tema – organização, para citar alguns:
Michael Hammer nos ensina que “as organizações são
processos”, já Peter Senge apregoa que “as organizações
são pessoas”; Mintzberg conclui que “A estrutura de uma
organização envolve duas exigências fundamentais: a
divisão do trabalho em diferentes tarefas e a consecução
da coordenação entre tais tarefas”. Malmegrin conceitua
a organização como “um sistema aberto, composto de
sub-sistemas e seus relacionamentos” e, esta visão
sistêmica nos parece-nos bastante apropriada para o
desenvolvimento do tema, pois ainda em sua definição:
“um sistema é um conjunto de entidades ou elementos por
alguma forma de interação ou interdependência regular
que forma um todo integral”. A conclusão é obvia, o
planejamento permeia a organização como um todo,
modificando seu modus vivendi .
A visão sistêmica sugere um orientação exógena, isto é,
“de fora para dentro da organização”, instituindo um
ponto de partida na realização do planejamento
estratégico.
A implementação
O planejamento estratégico sob o enfoque sistêmico parte
do ambiente externo, o entorno da organização, o
mercado. O entendimento desse ambiente externo, somente
viabiliza-se com a ‘Inteligência do Negócio’, (Business
Intelligence) impondo à organização o desenvolvimento da
primeira competência de vanguarda a ser implementada
pela organização. Uma fotografia das oportunidades e
ameaças (SWOT) é ineficaz, posto que o processo é
dinâmico e os atores no ambiente concorrencial também
estão em busca do ‘pote de ouro no final do arco-íris’,
por isso a pesquisa e monitoramento sistematizado do
mercado torna-se um processo institucional e perene. A
Inteligência Competitiva deve figurar em posição de
destaque no organograma de qualquer empresa,
independente de necessidades outras que não a primordial
– pesquisa, identificação e monitoramento dos fatores
críticos de sucesso no mercado de inserção da
organização.
A segunda competência a ser desenvolvida é a da
‘organização aprendiz’ (learning organization) uma vez
que, a implementação do processo de planejamento
estratégico segundo Mintzberg é uma “...forma de pensar
no futuro, integrada no processo decisório, com base em
um procedimento formalizado e articulador de
resultados”, alterando valores e comportamentos na
organização, por vezes encontrando forte resistência de
grupos internos despreparados para romper paradigmas
vigentes e sem prontidão para as mudanças impostas face
as grandes mutações decorrentes da nova ordem.
A criação de uma ‘equipe multidisciplinar’ para o
desenvolvimento do projeto com forte liderança e
apadrinhamento de um gestor com poder na organização
constitui-se também, em uma competência primordial para
o sucesso dos planos a serem empreendidos, posto que o
enfrentamento de interesses individuais será inevitável.
A equipe deve ter um orientador do processo, com
expertise em planejamento estratégico, embora que um
facilitador (consultor) externo possa ser contratado,
porém não esquecendo que planejamento é ‘feito pela
empresa’ e não ‘para a empresa’.
Um componente importante na implementação do processo é
a comunicação a todos os colaboradores internos aliada à
preparação do ambiente interno, algo que transcenda o
treinamento diria até, uma doutrinação impregnada de
emoção, motivação, enfim, a energização (empowerment)
necessária em empreendimentos audaciosos e ancorada em
políticas de recursos humanos para que haja o
engajamento geral.
À par dessas premissas estruturantes, aliadas às
metodologias e técnicas necessárias a implementação, há
que se ter senso de humildade na detecção das fraquezas
e empenho na superação dessas debilidades senão,
imaginem o resultado do desempenho de uma orquestra
destreinada - sem sincronia, sintonia e sinergia, enfim,
não preparada para uma estréia.
Um fator altamente relevante para o sucesso é a área de
projetos que irá desenvolver os programas de ação, pois
é sabido que um elevado índice de fracassos na
implementação do planejamento estratégico deve-se ao
fato de projetos mal elaborados; sem as devidas
considerações aos riscos inerentes, aos recursos
quantitativos e qualitativos necessários, ao tempo, à
gestão, à precedência das ações, enfim, ao “corpo de
conhecimento” exigido. Porém, se esta competência
(projetos) não for essencial para o sistema técnico da
organização, ela pode ser adquirida de terceiros no
mercado.
Pessimismo e derrotismo a parte, a preparação na
empreitada deve ser orientada por uma atitude tenaz, com
iniciativa, coragem, determinação e superação frente aos
obstáculos que inevitavelmente se apresentarão e com o
firme propósito de não recuar, pois a frustração produz
seqüelas irreparáveis na organização.
Isto posto, estão reunidas as condições básicas para a
implementação do PE em suas duas fases: a formulação das
estratégias e a suas implementações.
A formulação de estratégias é um processo de criação
empreendedor e imaginativo para decidir ações com
relação ao futuro, a partir do diagnóstico de
oportunidades e ameaças do ambiente externo, da
avaliação das forças e fraquezas do ambiente interno da
organização e da determinação dos recursos
necessários/disponíveis, (financeiros, pessoais ou
materiais), além de, segundo Audy & Brodbeck, há que se
“...focar esforço, ganhar eficiência operacional e
simultaneamente manter e adaptar a atualidade à dinâmica
do ambiente externo”.
Na implementação da estratégia, busca-se atingir os
resultados com base nos seguintes componentes básicos:
estrutura e relacionamento organizacional (divisão dos
trabalhos, coordenação e ferramental de TI), processos e
comportamentos organizacionais (medidas, motivação,
sistemas de controle e capacitação), liderança de topo
(patrocínio para o processo) que determina o propósito
de todo o processo, os recursos (pessoal, estrutura,
processos, finanças) devem ser ajustados entre si e o
engajamento de toda a Organização.
Conclusão
A fase preparatória para implementação do planejamento
requer, como visto, várias medidas estruturais,
alicerces sólidos que propiciarão a segurança do
processo e a tranqüilidade no desenvolvimento e
implementação dos programas de ações almejadas, visando
um melhor posicionamento futuro da organização pelo
desenvolvimento de vantagens competitivas perante o
mercado.
O planejamento estratégico é uma adoção administrativa
que almeja resultados de longo prazo, embora que,
medidas operacionais e táticas devam redundar em ganhos
de curto e médio prazos, principalmente aquelas que
desenvolvam novas competências para a organização.
Resumindo:
1. Inteligência Competitiva
2. Aprendizagem organizacional
3. Equipe multidisciplinar
4. Comunicação interna (endomarketing)
5. Metodologia de projetos
São as cinco premissas básicas que estruturarão a
organização para a implantação e implementação do
planejamento estratégico.
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e
Engenharia de Producao na Universidade Mackenzie (SP) e
pós-graduação em Administração Estratégica no IESC-
Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)