Processos - Contextualização
Por Wagner Herrera
24/05/2007
“O processo arrastou-se por semanas provocando o sofrimento do réu,
inquietude nos jurados e maior esperança na defensoria e ministério
público, menos pro juiz que sabia que após esse, viriam mais
processos...”.
Na frase acima colhida em um jornal, temos o vocábulo - processo -
utilizado no enfoque jurídico como sinônimo de julgamento. Um
julgamento tem começo, meio e fim e se presta atingir um propósito
singular
Para a administração, este não é o conceito de processo; as
terminologias assumem conotações diversas nas várias áreas do
conhecimento humano, as quais não compete-nos saber todas, mas
sobretudo em nossa área de atuação não podemos cometer tais
equívocos.
As acepções da palavra na área administrativa assumem as seguintes
conotações:
- Seqüência de decisões e ações dinâmicas e contínuas, logicamente
relacionadas, necessárias e suficientes para obtenção de resultados
contínuos para a organização e seus clientes.
- Atividades concatenadas e contínuas para geração de produtos,
serviços ou informações em escala.
- “Conjunto de atividades que tomadas de forma combinadas, produzem
um resultado de valor para o cliente”. (Hammer & Champy-1994)
- Esforço contínuo e com prazo indeterminado para encerrar (diz-se
que não tem início, meio e fim - o absurdo dá ênfase à idéia).
- Para Michael Hammer, Pai da reengenharia, “as organizações são
processos”.
- Todo processo tem clientes (internos / externos), senão não tem
razão de ser.
A definição de Hammer e Champy embute a noção de valor agregado, o
que completa e esgota a intelecção do conceito – produtos e serviços
com eficácia.
Processos abrangentes que transcendem as fronteiras da organização,
com começo e término (ciclo) no cliente são nominados –
macroprocesso - conjunto de processos considerados um centro
autônomo de resultados com autonomia decisória e recursos plenos,
sendo uma organização virtual para o cliente.
Um termo emprestado da língua inglesa nos completa este conceito:
fullfilment - designa o conjunto de atividades (processos)
necessárias e suficientes para atender desde aos pedidos dentro do
requisito (escopo) especificado, elaboração e disponibilidade no
prazo e local prometido ao cliente.
A quantidade de macroprocessos (teórico) de uma empresa média é de 5
a 10 e de grandes empresas, 8 a 15 processos. Os macroprocessos das
empresas privadas não variam muito, sendo normalmente orientados
para as clientelas internas e externas à Organização, sendo os
principais processos:
- Vendas Programadas: prospecção e atendimento de varejo;
-Vendas à Pedidos: prospecção e atendimento de atacadistas, grandes
clientes;
- Gestão de Pessoas: suporte aos Recursos Humanos;
- Inteligência e Vigilância (mercado): acompanhamento das
necessidades das clientelas, e das ações da concorrência;
- Infra-estrutura: suporte aos recursos e operações;
- Relações institucionais: satisfação à governança externa,
manutenção da imagem;
- Pesquisa & desenvolvimento: inovação de portfólio, internalização
de novas metodologias e tecnologias;
- Gestão de Aprendizado: processo de implemento ao desenvolvimento
humano;
- Estratégia: sustentabilidade, vantagem competitiva;
- Gestão de Finanças: incremento dos ativos financeiros;
- Controladoria: empreender a integração, sincronia, sintonia.
- Marketing: pesquisa e identificação das demandas;
- Produção: provisionar estoque de semi acabados e produtos.
Não estamos acrescentando nada, simplesmente dando ênfase na
terminologia orientada à processos ao invés da departamentalização.
Divisão dos processos
pelos fins: a) de fabricação: geram produtos ou serviços.
b) de negócios: apóiam processos de fabricação.
pelos meios: a) operacionais: operações finalísticas.
b) administrativos: gestões de recursos (suporte) e operações.
Grande é o número de organizações que nos dias atuais mantém uma
postura tradicional e arcaica em suas gestões orientadas à
fabricação, seguindo as trilhas de Taylor, Smith e Sloan, com suas
área de Métodos Organizacionais atuando unicamente na análise de
operações e tempos, racionalização do trabalho, produção em
escala... visando alcançar o máximo de produtividade, porém sem
agregar valor ao bem produzido. O processo deve ter um gestão com
visão holística e ser orientado ao cliente, contemplando a eficácia.
Melhorias contínua
Masaaki Imai é considerado o guru do Gemba Kaizen (Gemba = local de
ocorrência das ações / Kaizen = filosofia de melhoria contínua), que
enfatiza o aprendizado e técnica no local de trabalho. Inúmeros são
os métodos de melhoria continua: CCQ – círculos de controle e
qualidade; Os 5 S – postura, aplicação, disciplina, empenho...; TQM
– gestão da qualidade total, Just-in-time – provimento no momento
necessário; Kanban – auto provimento; Seis Sigmas – tendência ao
zero defeitos; Sistema de sugestões ... elevando os processos ao
nível de excelência por ganhos incrementais.
Reengenharia
Michael Hammer ao criar o conceito de Reengenharia inovou o estudo
de processos!
“A reengenharia é o repensar fundamental e a reestruturação radical
dos processos empresariais que visam alcançar drásticas melhorias em
indicadores críticos e contemporâneos de desempenho tais como
custos, qualidade, atendimento e velocidade”. (Michel Hammer / James
Champy)
Para Hammer, “O objeto da reengenharia são os processos, não as
organizações... as pessoas envolvidas num processo olham para dentro
de seus departamentos e para cima em direção aos chefes, mas nunca
para fora em direção aos clientes” (1994. p.19). Em verdade, as
organizações através de seus silos funcionais (departamentos) – as
paróquias – criam, como resultado, a fragmentação do processo,
voltando-se, exclusivamente às tarefas. Disso conclui-se que, o
organograma é o principal desestimulador da gestão por processo,
posto que é mapa de localização de funções e pessoas. Ricardo Semler
(Virando a Própria Mesa, Maverick, etc.) diz que: “em suas empresas
o organograma é desenhado a lápis para que possa ser alterado
conforme a conveniência...”.
Algumas empresas adotam gestões matriciais (gerência de processo)
para compensar o vácuo formado, “gaps” que se instalam nas
fronteiras dos departamentos, criando ai, as disfunções. Melhor
seria um mapa de processos!
Para completar está série de artigos, discorreremos sobre programas
e projetos, reengenharia e melhorias contínua em artigos vindouros.
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de
Producao na Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em
Administração Estratégica no IESC- Instituto de Ensino Superior
Camões (Ctba-PR)