Prospecção de Clientes ou de Oportunidades de Negócios?
Por Ivan Postigo
02/02/2011
Imaginar que uma empresa desenvolve relações no mercado para
captação de clientes revendedores, mas ao mesmo tempo perde outros,
devido a um atendimento inadequado, pode soar um pouco estranho não?
Uma resposta rápida a essa pergunta seria sim, mas isso é um fato
tão comum que profissionais que trabalham com gestão comercial já
tem números referenciais para essa questão.
Um dos referenciais diz que 70% dos clientes, que trocam seus
fornecedores, o fazem porque consideram que a empresa não se importa
com eles.
Outra referência é que, dos clientes que figuram no cadastro das
empresas, apenas 35% fazem reposições com freqüência, e os gestores
pouco conhecimento têm dos motivos que levam os outros clientes a
não efetuarem compras.
Temos, ainda, uma veia industrial que se sobressai à mercadológica.
Organizações são administradas com os olhos de seus gestores
voltados para dentro e as costas para o mercado.
Hoje, não importa onde o produto é fabricado e por quem, mas onde é
vendido, como é vendido, quem compra, por que compra.
Qualidade excedente, aquela exigida pelo fabricante, mas não
identificada e reconhecida pelo consumidor, não tem valor comercial.
A imagem, a marca, o atendimento à moda, às necessidades imediatas,
são muito mais importantes, num mercado em constante mutação, que
torna produtos, recursos e serviços obsoletos do dia para a noite.
Entender e dar respostas rápidas a essas necessidades é que faz toda
a diferença.
Cada dia mais, com os avanços tecnológicos, os produtos estão mais
parecidos e suas diferenças estruturais imperceptíveis.
Um amigo, gestor de recursos humanos, ao ter como incumbência a
contratação de um gerente comercial, pediu-me que o ajudasse a
entender o que estava acontecendo com a área mercadológica da
empresa.
Dessa forma poderia formatar melhor o perfil do profissional a ser
procurado.
Já desenvolvemos vários trabalhos e ele se identifica com os
conceitos que defendo; em diversas oportunidades pudemos testar os
referenciais que comentei acima e sempre chegamos a números bem
próximos.
Nessa análise, constatamos que a empresa, há cinco anos, estava
trabalhando naquilo que definimos como “área de conforto”:
A mesma quantidade de clientes ativos, preços médios bem próximos,
pequenas variações de mix de produtos e volume médio por ponto de
venda praticamente inalterado.
Algumas mudanças ocorreram na organização e as vendas tiveram uma
queda importante, com isso os gestores iniciaram um processo de
reestruturação e estão em busca de um gestor para dinamizar o
trabalho comercial.
A primeira reação é de se fazer forte prospecção no mercado,
contatando novos revendedores, afinal se as vendas caíram é porque
os clientes estão comprando menos.
Um minuto para reflexão:
Antes de qualquer ação é importante entender porque as vendas
caíram, procurando respostas para perguntas óbvias.
Quais revendedores continuam comprando e quais deixaram de comprar?
O volume por ponto de revenda, daqueles que fizeram reposição, é o
mesmo?
Que mudanças aconteceram e porque, no perfil das vendas?
Fizemos mais 5 perguntas, bastante simples, e rapidamente pudemos
identificar que da carteira de clientes “cadastrados” 50% haviam
comprado nos últimos 5 anos, observando os dados do ano
imediatamente anterior.
No ano corrente, apenas 59% dos clientes que compraram nos anos
anteriores fizeram reposição.
Para quem gosta de matemática, isso significa pouco menos de 30% da
carteira de clientes cadastrados.
Ao tomar o preço médio, o numero médio de peças por ponto de
revenda, multiplicando-os pela quantidade de pontos que não fizeram
reposição chegamos ao volume perdido de faturamento.
Não vamos nos aprofundar nas demais análises efetuadas, este ponto
já e suficiente para colocação de uma pergunta:
Prospectar mais revendedores para que, se há um volume significativo
que deixou de comprar e não há ciência do fato?
Nossas empresas, mais do que sair oferecendo seus produtos no
mercado, atendendo de forma inadequada seus revendedores, precisam
aprender a prospectar oportunidades de negócios e sustentá-las, o
que não quer dizer abertura de novos clientes.
O revendedor abriu um negócio para vender e não para comprar
produtos, portanto quando não se sente confortável ou não observa
rentabilidade redireciona seus esforços e atenção.
Como diz a velha máxima: Ao descobrir ouro, escave a montanha.
Só após realizar essa tarefa procure oportunidades em outros
lugares.
Sem isso estaremos apenas espalhando a nossa gestão inadequada e
abrindo espaço para os concorrentes.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado
em controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas
para estruturação de carreira na área de vendas e diretor da Postigo
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